domingo, 22 de fevereiro de 2026

Detox pós-Carnaval não existe — especialmente na era das “canetas”

Passa o Carnaval e começa a corrida pelo “detox”. Suco verde, dieta líquida, protocolos de três dias para “limpar o organismo”. Mas precisamos falar com responsabilidade: detox não é um processo externo. É uma função fisiológica natural do corpo.

Fígado, rins, pulmões e intestino já exercem diariamente o papel de metabolizar e eliminar substâncias tóxicas.

O fígado, por exemplo, realiza reações enzimáticas (fases I e II de biotransformação) que tornam compostos lipossolúveis em hidrossolúveis, facilitando sua excreção. Ou seja, não é um chá que ativa esse mecanismo, ele já acontece 24 horas por dia.

O que muitas pessoas sentem no pós-Carnaval não é “toxina acumulada”, mas retenção hídrica, aumento do consumo de sódio, álcool, carboidratos simples e alteração do sono.

Isso gera inflamação leve transitória e desregulação momentânea da glicemia, o que pode causar inchaço e fadiga. E não se resolve com restrição extrema.

A era da “caneta” e a ilusão da solução rápida

Com a popularização das medicações injetáveis para emagrecimento , que atuam principalmente mimetizando hormônios como o GLP-1, promovendo maior saciedade e controle glicêmico, cresceu também a ideia de que existe um atalho metabólico.

Essas medicações têm indicação clínica específica e podem ser ferramentas importantes quando bem prescritas. Mas não substituem estrutura alimentar, treino de força, sono adequado e regulação hormonal.

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Nem funcionam como “detox moderno”. Sem ajuste de comportamento e composição corporal, o risco de perda de massa magra e efeito rebote aumenta. Emagrecimento sustentável depende de estratégia metabólica, não de compensação pontual.

O que realmente acontece no pós-excesso

Após dias de maior consumo calórico e alcoólico, o corpo tende a:

  • Aumentar retenção de sódio;
  • Elevar níveis de cortisol por privação de sono;
  • Alterar temporariamente a sensibilidade à insulina;
  • Reter glicogênio, que puxa água junto.

Essa oscilação pode representar 1 a 3 kg na balança, mas majoritariamente por líquido, não por ganho real de gordura corporal. Quando a rotina se reorganiza, o corpo naturalmente retorna ao equilíbrio.

O caminho inteligente

Em vez de compensar, a orientação correta é reorganizar:

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  • Hidratação adequada;
  • Proteína suficiente para preservar massa magra;
  • Fibras para saúde intestinal;
  • Retorno ao treino de força;
  • Regularização do sono.

Carnaval não compromete resultados construídos com constância. O que prejudica é o ciclo de exagero seguido de restrição extrema.
Emagrecimento não é sobre desintoxicar. É sobre estruturar. Sem punição, sem radicalismo.

Detox: mitos e verdades

Preciso fazer suco detox para limpar o fígado

Mito. O fígado já executa esse processo naturalmente por meio de enzimas hepáticas.

Ganhei 3 kg no Carnaval

Parcialmente mito. A maior parte desse peso costuma ser retenção hídrica e glicogênio.

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A caneta resolve sozinha

Mito. A medicação auxilia no controle do apetite, mas não substitui reeducação alimentar e treino.

O melhor pós-excesso é jejum radical

Mito. Restrição extrema aumenta cortisol e pode piorar compulsões.

Constância vence extremos

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Verdade. Estratégia metabólica a longo prazo gera resultado real e sustentável.

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/aline-becker/detox-pos-carnaval-nao-existe/

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