Passa o Carnaval e começa a corrida pelo “detox”. Suco verde, dieta líquida, protocolos de três dias para “limpar o organismo”. Mas precisamos falar com responsabilidade: detox não é um processo externo. É uma função fisiológica natural do corpo.
Fígado, rins, pulmões e intestino já exercem diariamente o papel de metabolizar e eliminar substâncias tóxicas.
O fígado, por exemplo, realiza reações enzimáticas (fases I e II de biotransformação) que tornam compostos lipossolúveis em hidrossolúveis, facilitando sua excreção. Ou seja, não é um chá que ativa esse mecanismo, ele já acontece 24 horas por dia.
O que muitas pessoas sentem no pós-Carnaval não é “toxina acumulada”, mas retenção hídrica, aumento do consumo de sódio, álcool, carboidratos simples e alteração do sono.
Isso gera inflamação leve transitória e desregulação momentânea da glicemia, o que pode causar inchaço e fadiga. E não se resolve com restrição extrema.
A era da “caneta” e a ilusão da solução rápida
Com a popularização das medicações injetáveis para emagrecimento , que atuam principalmente mimetizando hormônios como o GLP-1, promovendo maior saciedade e controle glicêmico, cresceu também a ideia de que existe um atalho metabólico.
Essas medicações têm indicação clínica específica e podem ser ferramentas importantes quando bem prescritas. Mas não substituem estrutura alimentar, treino de força, sono adequado e regulação hormonal.
Nem funcionam como “detox moderno”. Sem ajuste de comportamento e composição corporal, o risco de perda de massa magra e efeito rebote aumenta. Emagrecimento sustentável depende de estratégia metabólica, não de compensação pontual.
O que realmente acontece no pós-excesso
Após dias de maior consumo calórico e alcoólico, o corpo tende a:
- Aumentar retenção de sódio;
- Elevar níveis de cortisol por privação de sono;
- Alterar temporariamente a sensibilidade à insulina;
- Reter glicogênio, que puxa água junto.
Essa oscilação pode representar 1 a 3 kg na balança, mas majoritariamente por líquido, não por ganho real de gordura corporal. Quando a rotina se reorganiza, o corpo naturalmente retorna ao equilíbrio.
O caminho inteligente
Em vez de compensar, a orientação correta é reorganizar:
- Hidratação adequada;
- Proteína suficiente para preservar massa magra;
- Fibras para saúde intestinal;
- Retorno ao treino de força;
- Regularização do sono.
Carnaval não compromete resultados construídos com constância. O que prejudica é o ciclo de exagero seguido de restrição extrema.
Emagrecimento não é sobre desintoxicar. É sobre estruturar. Sem punição, sem radicalismo.
Detox: mitos e verdades
Preciso fazer suco detox para limpar o fígado
Mito. O fígado já executa esse processo naturalmente por meio de enzimas hepáticas.
Ganhei 3 kg no Carnaval
Parcialmente mito. A maior parte desse peso costuma ser retenção hídrica e glicogênio.
A caneta resolve sozinha
Mito. A medicação auxilia no controle do apetite, mas não substitui reeducação alimentar e treino.
O melhor pós-excesso é jejum radical
Mito. Restrição extrema aumenta cortisol e pode piorar compulsões.
Constância vence extremos
Verdade. Estratégia metabólica a longo prazo gera resultado real e sustentável.
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas dicas e matérias incríveis de Boa Forma direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
10 ações práticas para viver com mais saúde após o Carnaval
source https://boaforma.abril.com.br/coluna/aline-becker/detox-pos-carnaval-nao-existe/
Nenhum comentário:
Postar um comentário