Eu preciso fazer uma pergunta, será que sou só eu ou mais alguém tem a sensação de que este ano está passando rápido demais? Parece que piscamos os olhos e mais um mês terminou.
Quando percebemos, já estamos fazendo planos para o próximo feriado, para o Natal, para o próximo ano. Os dias vão se acumulando em uma velocidade impressionante, e, muitas vezes, temos a sensação de que estamos vivendo uma sequência interminável de tarefas, mas colecionando poucas memórias. É como se estivéssemos presentes fisicamente, mas ausentes da própria vida.
Talvez essa sensação não aconteça porque o tempo esteja, de fato, passando mais rápido. Talvez ela exista porque nós estamos vivendo rápido demais. Acordamos e, antes mesmo de levantar da cama, já começamos a responder mensagens. Enquanto tomamos café, pensamos na reunião da tarde.
Durante o trabalho, já estamos preocupados com tudo o que ainda falta fazer. À noite, tentamos descansar, mas a mente continua acelerada, revisando listas, compromissos e preocupações. Os dias deixam de ser experiências para se tornarem apenas uma sucessão de obrigações.
Vivemos em uma cultura que nos convenceu de que estar ocupado é um sinal de sucesso. Quanto mais cheia a agenda, mais importante parecemos ser. Quanto mais produtividade conseguimos encaixar em um único dia, mais sentimos que estamos fazendo a coisa certa.
Estamos realmente vivendo ou apenas dando conta da vida?
Mas existe uma pergunta que quase nunca fazemos: estamos realmente vivendo ou apenas dando conta da vida?
É curioso perceber como podemos cumprir todas as tarefas do dia e, ainda assim, terminar a noite com a sensação de vazio. Não porque faltou fazer alguma coisa, mas porque faltou estar em algum lugar de verdade.
Faltou perceber o sabor do café, prestar atenção na conversa durante o almoço, observar o caminho até o trabalho, brincar alguns minutos sem pressa com quem amamos ou simplesmente respirar sem sentir culpa por estar parado.
Nos últimos anos, um conceito chamado Slow Living ganhou força justamente como uma resposta a essa aceleração constante. E existe um grande equívoco sobre ele.
O que é o Slow Living?
Muita gente acredita que viver de forma mais lenta significa abandonar responsabilidades, produzir menos ou transformar a rotina em uma sequência de momentos perfeitos, mas Slow Living não fala sobre fazer tudo devagar, fala sobre fazer as coisas com intenção.
É um convite para trocar a velocidade pela presença. Para perceber que nem tudo precisa acontecer agora. Para entender que qualidade quase sempre vale mais do que quantidade. Para lembrar que viver com calma não significa viver sem objetivos, mas viver sem permitir que a pressa nos impeça de experimentar a própria vida.
No fundo, Slow Living conversa com algo muito maior: uma vida com propósito. E propósito não é encontrar uma grande missão extraordinária que dará sentido a tudo, mas viver de forma coerente com aquilo que realmente importa para você.
É quando os seus dias deixam de ser apenas uma corrida para cumprir metas e passam a refletir seus valores, seus relacionamentos, seu cuidado consigo mesmo e suas escolhas conscientes.
Talvez seja justamente isso que esteja faltando em muitos de nós. Não mais horas no dia, mas mais presença dentro das horas que já existem.
Quando estamos verdadeiramente presentes, prestamos atenção aos detalhes, às emoções, às conversas e aos pequenos acontecimentos, nós criamos memórias. E, curiosamente, temos a sensação de que vivemos mais, mesmo sem acrescentar um único minuto ao relógio.
Talvez seja por isso que estamos sentindo que o ano voou. Não porque os dias ficaram mais curtos, mas porque estamos os atravessando sem realmente habitá-los, só dando conta das listas de afazeres.
Qual é o papel da autoconsciência?
E é aqui que entra a importância da autoconsciência. Estar presente não acontece por acaso. É uma escolha que precisa ser feita inúmeras vezes ao longo do dia.
Significa perceber quando estamos vivendo no automático, reconhecer quando a mente já está preocupada com a próxima tarefa e, gentilmente, trazê-la de volta para o momento presente. Significa perguntar a si mesmo: “Onde está a minha atenção agora?” e “Será que estou vivendo este momento ou apenas tentando chegar ao próximo?”
A verdade é que o mundo provavelmente continuará acelerado. As notificações continuarão chegando. A lista de tarefas dificilmente ficará vazia. Sempre haverá mais alguma coisa para fazer.
Mas isso não significa que precisamos viver reféns dessa velocidade. Ainda podemos escolher fazer pequenas pausas, respirar com mais consciência, conversar olhando nos olhos, caminhar sem tanta pressa e perceber que a vida acontece exatamente entre uma tarefa e outra.
No fim das contas, uma vida bem vivida não é aquela em que conseguimos fazer tudo, é aquela em que conseguimos sentir que realmente estivemos presentes enquanto a vida acontecia!
E talvez este seja o convite para hoje, antes que mais uma semana termine quase sem ser percebida, faça uma pequena pausa. Observe onde você está. Perceba sua respiração. Repare nas pessoas ao seu redor.
Pergunte a si mesmo se você está apenas atravessando os seus dias ou se, de fato, está vivendo cada um deles. Afinal, o tempo continuará passando, então não deixe de vivê-lo.
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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)
Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3
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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/viver-com-intencionalidade/