A chamada Geração Z cresceu em um mundo hiperconectado, com acesso ilimitado à informação, liberdade para falar sobre sexualidade e aplicativos que prometem aproximar pessoas. Ainda assim, ela vem sendo apontada como a geração que menos faz sexo.
O fenômeno, conhecido como “apagão sexual“, desperta uma pergunta inevitável: afinal, o que está acontecendo?
Pesquisas recentes mostram que mais de 30% dos jovens entre 18 e 24 anos afirmam não ter tido relações sexuais no último ano, um percentual significativamente maior do que o registrado em gerações anteriores na mesma faixa etária. Entre os 25 e 31 anos, a abstinência também aumentou, variando entre 12% e 18%, embora em menor intensidade.
Os números revelam uma tendência importante, não se trata apenas de um comportamento típico da juventude, mas de uma mudança geracional na forma de viver a sexualidade.
Por que a Geração Z está fazendo menos sexo?
Não existe uma explicação única para o chamado apagão sexual, ele é resultado de uma combinação de fatores biológicos, emocionais, sociais e culturais, a saúde mental é um dos principais deles.
Ansiedade, depressão e estresse atingem níveis históricos entre os jovens e impactam diretamente o desejo sexual. Quando a mente está sobrecarregada, a libido costuma ser uma das primeiras funções a sofrer alterações.
Outro aspecto relevante é a relação com a tecnologia, o consumo frequente de pornografia e o uso intenso das redes sociais estimulam mecanismos de recompensa imediata, muitas vezes substituindo experiências de intimidade no mundo real.
Ao mesmo tempo, os aplicativos de relacionamento oferecem tantas possibilidades que, paradoxalmente, podem gerar indecisão, procrastinação dos encontros e até medo da vulnerabilidade necessária para criar conexões mais profundas.
A forma como a Geração Z enxerga os relacionamentos também é diferente
Hoje, muitos jovens priorizam carreira, saúde mental e qualidade de vida antes da vida sexual. Além disso, há uma consciência muito maior sobre consentimento, respeito aos próprios limites e autonomia. Para essa geração, fazer sexo deixou de ser uma obrigação social ou um marcador de sucesso nos relacionamentos.
Isso não significa que o desejo desapareceu. Em muitos casos, ele apenas está sendo direcionado para outras formas de prazer e bem-estar, o autocuidado, a satisfação individual, os vínculos afetivos que não necessariamente envolvem sexo e, em alguns casos, a gratificação rápida proporcionada pelas telas.
Geração Z não é sinônimo de “nem-nem”
É importante não confundir esse comportamento com outro fenômeno frequentemente associado aos jovens, o termo “nem-nem” refere-se às pessoas que não estudam nem trabalham, caracterizando uma condição socioeconômica específica, geralmente relacionada à falta de oportunidades ou à exclusão do mercado e da educação.
Já a Geração Z representa um grupo geracional muito mais amplo, composto por jovens com diferentes perfis, estilos de vida e trajetórias. Embora alguns façam parte do grupo dos “nem-nem”, uma condição não define a outra.
A libido não desapareceu
O principal aprendizado desse fenômeno é que o desejo humano acompanha as transformações da sociedade. A Geração Z continua buscando prazer e conexão, mas faz isso de maneiras diferentes das gerações anteriores.
A grande questão é entender quando essa mudança representa uma escolha consciente e saudável e quando pode estar relacionada ao isolamento, ao excesso de ansiedade ou à dificuldade de estabelecer vínculos.
A libido não simplesmente desaparece, ela se transforma de acordo com o contexto, as experiências e as necessidades de cada época. E talvez o maior desafio seja justamente ajudar essa geração a construir relações que façam sentido para sua realidade, promovendo bem-estar, intimidade e saúde sexual sem cobranças ou estereótipos.
source https://boaforma.abril.com.br/coluna/sexualidade-positiva/apagao-sexual-geracao-z/
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