domingo, 29 de março de 2026

Predominância estrogênica: conceitos, mecanismos e impactos

A saúde hormonal feminina tem ganhado protagonismo nas últimas décadas, especialmente diante do aumento de queixas relacionadas a alterações metabólicas, inflamatórias e emocionais em diferentes fases da vida.

Nesse contexto, a chamada predominância estrogênica emerge como um conceito clínico relevante, ainda que muitas vezes mal compreendido ou simplificado de maneira inadequada.

A predominância estrogênica não se refere, necessariamente, a níveis absolutos elevados de estrogênio, mas sim a um desequilíbrio na relação entre estrogênios e progesterona.

Em termos fisiológicos, trata-se de uma condição em que a ação estrogênica se sobrepõe à ação progesterônica, seja por aumento relativo dos estrogênios, redução da progesterona ou ambos.

Esse desequilíbrio pode ocorrer mesmo em mulheres com exames laboratoriais dentro de faixas consideradas normais, o que reforça a importância da interpretação clínica integrada.

Os estrogênios não constituem um grupo homogêneo, entre os principais, destacam-se o estradiol, o estriol e a estrona, cada um com características e potências biológicas distintas.

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O estradiol é o mais potente e predominante em mulheres em idade reprodutiva, enquanto a estrona ganha relevância no período pós-menopausa.

Além disso, a metabolização desses hormônios no fígado origina diferentes metabólitos, alguns com perfil mais protetor e outros potencialmente mais proliferativos, o que adiciona complexidade ao cenário hormonal feminino.

Diversos fatores contemporâneos contribuem para o desenvolvimento da predominância estrogênica. Entre eles, destaca-se a exposição crescente a compostos com ação semelhante ao estrogênio, conhecidos como desreguladores endócrinos.

Essas substâncias estão presentes em plásticos, cosméticos, pesticidas e até mesmo em alimentos ultraprocessados. Paralelamente, o estilo de vida moderno, caracterizado por sedentarismo, privação de sono e estresse crônico, impacta diretamente o eixo hipotálamo hipófise ovário, favorecendo ciclos anovulatórios e, consequentemente, menor produção de progesterona.

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O tecido adiposo também desempenha papel central nesse processo. Longe de ser apenas um reservatório energético, ele atua como órgão endócrino ativo, sendo capaz de converter andrógenos em estrogênios por meio da enzima aromatase.

Assim, o aumento da adiposidade corporal está diretamente associado a maior produção periférica de estrogênios, contribuindo para o desequilíbrio hormonal.

Do ponto de vista clínico, a predominância estrogênica pode se manifestar de diferentes formas, incluindo irregularidades menstruais, tensão pré-menstrual acentuada, retenção hídrica, ganho de peso, sensibilidade mamária, alterações de humor e dificuldade na perda de gordura corporal.

Em fases de transição hormonal, como o climatério, esse quadro pode se intensificar, especialmente pela queda mais
abrupta da progesterona em relação ao estrogênio.

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A literatura científica também sugere associação entre predominância estrogênica e condições como síndrome dos ovários policísticos, endometriose e miomas uterinos, embora a relação causal ainda seja objeto de investigação.

Além disso, o desequilíbrio na metabolização dos estrogênios pode influenciar o risco de doenças crônicas, reforçando a necessidade de abordagem individualizada.

Do ponto de vista terapêutico, a estratégia mais eficaz não se baseia em intervenções isoladas, mas sim em uma abordagem multifatorial.

A prática regular de atividade física, especialmente exercícios resistidos e aeróbios combinados, tem impacto positivo na sensibilidade hormonal e na composição corporal.

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A nutrição também exerce papel determinante, com ênfase em alimentos ricos em fibras, compostos bioativos e micronutrientes que favorecem a detoxificação hepática e o equilíbrio do microbioma intestinal.

Além disso, a qualidade do sono e a gestão do estresse são pilares fundamentais. O excesso de cortisol, frequentemente associado ao estresse crônico, interfere na produção de progesterona e pode agravar ainda mais o desequilíbrio hormonal.

Estratégias como técnicas de respiração, mindfulness e organização da rotina têm mostrado efeitos positivos nesse contexto.

Por fim, é fundamental destacar que a predominância estrogênica não deve ser tratada como um diagnóstico isolado, mas sim como uma manifestação de desregulação sistêmica.

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A compreensão aprofundada desse fenômeno permite não apenas o alívio de sintomas, mas também a promoção de saúde a longo prazo, com impacto direto na longevidade e na qualidade de vida da mulher.

 

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/home-office-saudavel/predominancia-estrogenica/

Como o “teste da verdade” do corredor pode transformar seus treinos

Quem treina corrida com o suporte de um personal ou de uma assessoria esportiva, com certeza já deve ter ouvido falar – e feito – os testes físicos de 3 km ou 5 km. No meu caso, já fiz os dois e, como estou em um ciclo de maratona, recentemente realizei o teste de 5 km.

O teste consiste em algumas etapas: aquecimento, com uma corrida leve (o tempo é determinado pelo treinador, sejam 15 minutos ou 20 minutos de trote leve) e, depois, a distância total em um pace um pouco mais forte do que você costuma correr. 

Quem vê de fora, acha que é algo que pode acabar com o corredor ou vê como um desafio para bater um record pessoal. Mas o objetivo é muito maior: entender como anda seu desempenho nos treinos até a sua prova alvo e se é preciso, ou não, alterar os paces durante os treinos. 

De acordo com Kika Medeiros, Técnica responsável pela Assessoria esportiva Tripossivel, os testes físicos ajudam a balizar os treinos e colocar o atleta exatamente no treinamento correto ou de endurance ou de tempo run ou intensidade, como fartleks e treinos de velocidade, com foco principal na prova-alvo. 

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Como foi o meu teste?

É com base no resultado do teste é que se destacam as zonas de treino. “Às vezes, o atleta não muda assim de um teste para o outro, tem ali uma diferença de 10, 15 segundos, e tem atletas que têm diferenças mais expressivas, mas o destaque é você estar treinando na zona correta de treino”, destaca Kika.

Foi exatamente o que aconteceu comigo. Eu fiz o meu primeiro teste este ano, em janeiro, refazendo agora, porque estou há 9 semanas da minha próxima maratona. Mas, o primeiro, devido a diversos fatores, principalmente o calor que fazia em São Paulo na época, eu não consegui fazer os 5km diretos, tive que parar em alguns momentos e retomar a corrida.

No segundo teste eu já consegui completar os 5km diretos, sem parar, em um pace mais forte do que estou habitualmente a correr. Porém, o calor estava o mesmo de janeiro e, não havia dormido tão bem quanto eu queria na noite anterior. A diferença em tempo de janeiro para março foi de três segundos, o que é considerado estável. Para mim, está ótimo, porque o meu volume de treinos está muito alto por conta da maratona. Ou seja, já que o ritmo se manteve o mesmo do teste de janeiro, não terei alterações nas minhas zonas de treino. 

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O desafio do teste é sustentar a resistência e avaliar se estou melhorando ou se a minha condição física está estável. E o que isso significa? Que vou continuar com o volume, tempo e distâncias de acordo com a programação já feita pela minha treinadora. Dentro da minha rotina de treinos, achei muito bom estar estável, pois percebo que estou seguindo corretamente as zonas de treinos, por conta do volume que ando treinando nos últimos meses para a maratona que acontece no final de maio. 

Você já fez esse teste? Me conta como se sentiu? 

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/blog-do-corre/teste-verdade-correr-transformar-treinos/

Suplemento pré-treino pode afetar o coração?

Pode, principalmente quando o pré-treino contém doses altas de cafeína ou associa cafeína a outros estimulantes, como sinefrina (bitter orange), ioimbina/yohimbe, guaraná e compostos semelhantes.

Em adultos saudáveis, doses moderadas de cafeína costumam ser bem toleradas, mas alguns pré-treinos concentram grandes quantidades por dose, e o risco aumenta quando a pessoa soma café, energético, chá, termogênicos e o próprio suplemento no mesmo dia.

Os impactos no coração podem  acontecer porque muitos suplementos pré-treino estimulam o sistema nervoso e fazem o corpo liberar mais adrenalina. O problema aumenta quando há combinação de ingredientes estimulantes, doses altas e pouca clareza no rótulo.

Produtos com sinefrina, por exemplo, já levantaram preocupação por possíveis efeitos cardiovasculares, principalmente quando associados à cafeína.

Pré-treino não é necessariamente perigoso, mas também não é inofensivo. O risco para o coração depende da dose, da combinação de estimulantes e do perfil clínico de quem usa.

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Quanto mais estimulantes no produto — e quanto maior a soma com café, energéticos e termogênicos ao longo do dia — maior a chance de efeitos cardiovasculares.

Quais sintomas podem surgir?

As mais comuns são taquicardia, palpitações, tremor, ansiedade, insônia, náusea e aumento da pressão arterial. Em casos mais graves, especialmente em pessoas predispostas, pode haver arritmias, dor no peito e descompensação cardiovascular.

Quando se preocupar?

Quando o sintoma é intenso, fora do habitual, aparece em repouso ou demora a melhorar. Palpitação forte, coração muito acelerado, tremor importante, sensação de desmaio, falta de ar ou dor no peito não devem ser ignorados. Esses sinais podem indicar uma reação mais importante e merecem avaliação imediata.

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Como consumir de forma mais segura?

O principal é ler o rótulo, evitar fórmulas com muitos estimulantes associados e considerar a cafeína total do dia. Para a maior parte dos adultos saudáveis, a FDA cita até 400 mg de cafeína ao dia como um limite geralmente não associado a efeitos negativos, mas a tolerância varia muito entre as pessoas. Também é importante não misturar pré-treino com energético, álcool ou outros termogênicos.

Respondido por:

Daniel Petlik, médico cardiologista, membro do corpo clínico do Einstein Hospital Israelita e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)

Café, pré-treino ou energético: qual é a melhor opção antes de se exercitar?

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/boa-forma-responde/suplemento-pre-treino-coracao/

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