Automaticamente, como num passe de mágica, assim que entramos em um manequim socialmente aceito pelos padrões estéticos, ganhamos e passamos a usar o nosso “oppressor card”: uma credencial imaginária que nos coloca na banca opressora, como se agora fizéssemos parte do sistema certo, do “movimento do bem” (é irônico, tá? Só pra deixar claro) contra qualquer corpo fora do padrão.
Passamos a machucar como fomos machucados. Uma amnésia instantânea toma conta, e nada do que doeu antes dói agora, ou é respeitado, ou levado em consideração.
Afinal, estamos magras. Todo o resto não existe. Ou melhor: até existe, mas não é digno de respeito, dignidade, empatia ou qualquer lugar social.
Marginalizar corpos está tão em alta quanto o beach tênis ou os peelings faciais que rejuvenescem até o pescoço, já que a felicidade é magra, não importa quanto custe para alcançá-la.
Mas, diante de um problema de saúde mental pública como esse, o que fazer?
Parece que conscientizar ex-gordos de que gordofobia é crime, além de necessário, soa quase absurdo, já que algumas canetas atrás você fazia parte do massacre social como vítima.
E essa marginalização nada mais é do que um medo gigantesco de voltar a engordar, esquecendo que o corpo não “É nada permanente”: ele sempre “ESTA ALGUMA COISA”. Portanto, engordar novamente pode, em algum momento, ser uma realidade, assim como envelhecer.
A verdade é que, até hoje, a gente só finge que respeita as diferenças, porque esse é o discurso vendido como correto. Mas, na primeira oportunidade de fazer parte do seleto grupo padrão, tudo isso cai por terra.
O que aparece é a realidade: dá muito menos trabalho se esconder dentro do que esperam da gente do que descobrir quem realmente somos. Independentemente do peso, do tipo físico.
O tal do autoamor não serve só pra quando o mundo odeia o corpo que você está vestindo no momento. Serve para que você não se coloque em armadilhas como essa: o ódio do pertencimento, a busca incessante por uma comunidade, seja ela qual for.
Quando não adoece o corpo, adoece a mente.
E, sim, talvez precisemos de “canetas” para tratar esse problema comportamental também. Porque, de forma orgânica, ninguém quer olhar pra dentro. Só pro espelho.
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