00ara muitas pessoas, a balança funciona como o principal indicador de transformação corporal. Ganhar peso significa aumentar medidas; perder peso significa diminuir o corpo.
Na prática, porém, a relação entre peso e aparência é muito mais complexa. É possível manter praticamente o mesmo número na balança durante anos e, ainda assim, perceber mudanças importantes no contorno corporal.
“A calça que antes vestia perfeitamente começa a apertar em determinada região. O abdômen ganha um novo formato, mesmo sem aumento significativo do peso. Os braços parecem menos definidos, enquanto outras áreas passam a apresentar maior acúmulo de gordura ou alterações na firmeza da pele”, explica o cirurgião plástico Dr. Carlos Manfrim, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Essas transformações ajudam a explicar por que peso corporal e composição corporal não são sinônimos. Duas pessoas podem apresentar exatamente o mesmo peso e ter corpos completamente diferentes.
O número da balança não informa quanto daquele peso corresponde à massa muscular, gordura, água ou outros componentes do organismo.
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Além disso, a distribuição da gordura corporal pode influenciar a silhueta de maneira tão ou até mais significativa que o peso total.
Segundo a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), o peso corporal total é a soma de todos os componentes do organismo, incluindo músculos, ossos, água e gordura.
Mas há diferença entre ganhar peso por um crescimento muscular e ganhar peso por maior acúmulo de gordura.
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“A massa magra inclui músculos, ossos, órgãos e água. Um aumento na massa magra geralmente está associado a um estilo de vida saudável e pode indicar boa saúde muscular, densidade óssea e hidratação adequada. O monitoramento da massa gorda é importante para avaliar o excesso de peso ou obesidade. No entanto, a distribuição da gordura corporal, como a quantidade de gordura abdominal, também é relevante para a saúde, pois pode estar relacionada ao risco de doenças cardiovasculares e metabólicas”, destaca a nutróloga.
“O percentual de gordura corporal é outro indicador importante, que expressa a proporção de gordura em relação ao peso total do corpo. Valores ideais podem estar associados a menor risco de doenças relacionadas ao excesso de peso”, completa ela.
A redução da massa muscular, quando ocorre, por exemplo, pode modificar a relação entre tecido muscular e gordura mesmo sem uma mudança expressiva no peso total.
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“Da mesma forma, alterações na distribuição do tecido adiposo podem fazer com que determinadas regiões passem a concentrar mais volume”, diz a cirurgiã plástica Dra. Heloise Manfrim, cirurgiã plástica e membro titular da SBCP.
A preocupação além do número dado pela balança é fundamental na menopausa, segundo a Dra. Patricia Magier, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada.
Para ela, um exemplo é quando mulheres menopausadas tentam dietas muito restritivas, que induzem à perda rápida de peso, mas boa parte dessa perda vem de massa muscular.
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“Isso compromete gravemente a saúde na menopausa e no climatério”, fala a Dra. Patricia.
“Nesse contexto, o foco do emagrecimento para mulheres na menopausa deve ser a recomposição corporal e a melhora metabólica, e não simplesmente a balança. Uma mulher pode pesar o mesmo que antes, mas estar com muito mais saúde se ela tiver mais músculos e menos gordura visceral. O peso isolado é uma métrica ultrapassada”, destaca a ginecologista.
A endocrinologista Dra. Deborah, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), adiciona o conceito de recomposição corporal, que traz aumento de músculo com diminuição de gordura.
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“Mas a recomposição corporal é complexa e exige disciplina e paciência. Todos os macronutrientes (carboidrato, proteína e gordura) desempenham papéis importantes na dieta. No entanto, principalmente nos idosos, a proteína é considerada o macronutriente mais crítico, justamente pela sua ação na manutenção da massa muscular, na síntese de proteínas e no reparo dos tecidos. Aliada ao exercício físico, também melhora a hipertrofia dos músculos”, revela a Dra. Deborah.
Para pacientes que perderam muito peso em dietas de recomposição corporal, a flacidez de pele também pode aparecer – mesmo com o ganho de músculo.
“E a cirurgia plástica corporal pode ajudar atuando sobre questões anatômicas específicas. Ela pode remover excesso de pele e melhorar determinados contornos; mas é claro que ela não substitui alimentação adequada, atividade física ou acompanhamento médico. É fundamental entender qual é a origem da queixa para indicar corretamente qualquer tratamento”, acrescenta a Dra. Heloise.
“Para alguns pacientes, especialmente após perdas ponderais expressivas, podem permanecer excesso de pele e alterações em regiões como abdômen, braços, mamas, coxas e dorso. É nesse cenário que a cirurgia plástica corporal pode ter um papel importante. Procedimentos como abdominoplastia, braquioplastia, lifting de coxas, cirurgias das mamas e outras técnicas de contorno corporal podem ser indicados de acordo com as características e necessidades individuais”, comenta o Dr. Carlos.
Por isso, o tratamento corporal não pode ser definido olhando apenas para a balança. O peso é apenas uma das informações. A decisão envolve avaliação da distribuição da gordura, qualidade da pele, estrutura muscular, proporções corporais e expectativas do paciente.
“É a soma desses fatores que permite construir um planejamento mais seguro e coerente”, conclui o Dr. Carlos Manfrim.
Hipertrofia muscular causa ganho de peso?
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https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/corpo-muda-peso-balanca/