sábado, 21 de fevereiro de 2026

Luz e sombra

Há luz porque há sombra. Pode parecer uma ideia simples, mas ela conversa muito com a forma como a vida realmente acontece.

Se tudo fosse leve o tempo todo, dificilmente reconheceríamos o que é leveza. Se não existissem dias difíceis, talvez a alegria não tivesse o mesmo significado.

Afinal, a vida não se constrói apenas nos momentos bons, ela também é moldada pelos períodos de incerteza, dor, frustração e recomeço.

Em algum momento, todos nós encontramos fases mais escuras. Às vezes isso vem em forma de perda, de luto, de mudanças inesperadas.

Às vezes é um cansaço emocional que chega aos pouquinhos, ou aquela sensação de estar perdido, desconectado, sem energia, sem clareza.

E quando estamos nesse lugar, é comum sentir que a luz sumiu. Mas muitas vezes, ela não sumiu. Ela apenas não estava tão evidente para quem está no meio da tempestade.

Momentos difíceis mudam a forma como enxergamos tudo. Nossa mente tende a focar no que dói, no que falta, no que não saiu como esperado.

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E calma, isso não é um defeito, é funcionamento humano. O problema é que, nesse estado, os pensamentos ficam mais duros, mais extremos, mais definitivos e temos a tendência a interpretá-los como verdade, o que gera ainda mais sofrimento.

“Vai ser sempre assim.” “Nada melhora.” “É tudo tão difícil.”

E embora o sofrimento seja real, essas conclusões nem sempre são. Podem ser só catastrofizações da sua cabeça! Porque emoções são estados. E estados mudam, mesmo quando parecem longos demais.

Ver a luz em fases difíceis não significa negar a dor, minimizar problemas ou “pensar positivo”. Significa algo muito mais possível e gentil onde você consegue reconhecer que a vida não se torna completamente obscura só porque está sofrendo.

Dor e luz podem coexistir!

Você pode estar triste e ainda assim ter pequenos momentos de respiro. Pode estar cansado e ainda assim sentir algum conforto. Pode estar em luto e ainda assim experimentar amor, alegria, memória, vínculo.

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A luz, nesses momentos, raramente é grandiosa. Ela costuma ser discreta, pequena, cotidiana. Através de um dia um pouco menos pesado, uma conversa que acolhe, um momento de distração, um gesto de cuidado consigo mesmo.

E aprender a perceber isso faz toda a diferença. Não porque elimina o sofrimento, mas porque impede que a dor conte a história inteira.

Talvez o maior risco dos momentos difíceis seja a sensação de permanência. A ideia de que aquele estado emocional virou uma condição fixa. Mas a experiência humana é movimento. Mesmo quando o movimento é lento, quase imperceptível.

E embora não possamos evitar todas as sombras, podemos desenvolver um olhar mais cuidadoso para atravessá-las. Aqui vão algumas formas de te ajudar a atravessar esse momento:

1. Ajuste o que você espera da “luz”

Em fases difíceis, esperar felicidade ou motivação intensa costuma gerar frustração. Às vezes, luz é apenas um pouco menos de peso. E isso já está ótimo.

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2. Observe seus pensamentos com mais gentileza

Em momentos de dor, a mente tende ao exagero e às generalizações. Pergunte-se: “Isso é verdade ou uma interpretação do meu estado emocional?”

3. Reduza o foco para o que é possível agora

Olhar para tudo de uma vez assusta. Olhar para o que é manejável hoje costuma ser mais funcional e mais humano.

4. Pare de brigar com suas emoções

Sentir tristeza, medo ou frustração não é regressão, é processamento. Emoções não são problemas a serem eliminados, mas experiências a serem atravessadas.

5. Invista em pequenas regulações emocionais

Não espere grandes viradas. Pequenos movimentos sustentáveis como rotina, descanso, conexão, autocuidado frequentemente são o que reabre espaço interno.

6. Permita-se ser cuidado

Momentos difíceis tendem ao isolamento, mas conexão é um dos maiores reguladores emocionais que existem.

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No fim, talvez a luz não seja algo que aparece magicamente quando a dor vai embora, pois, muitas vezes, ela já está ali. Pequena, silenciosa, esperando apenas que, aos poucos, o olhar volte a alcançá-la. Pois fases escuras não significam ausência de luz. Significam apenas que ela não está tão fácil de ver agora.


Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós-graduada em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)

Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo sábado! Até mais <3 

 

 

 

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/luz-e-sombra/

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