quinta-feira, 12 de março de 2026

Dormir melhor: como a atividade física ajuda a regular o sono

Atualmente, dormir mal não é apenas um efeito colateral da vida moderna, mas sim um problema estrutural, pois tem impactos direto na saúde e, principalmente, na produtividade. O corpo humano não foi projetado para funcionar em estado permanente de alerta; ainda assim, isso passou a ser o padrão.

Dados recentes no Brasil mostram que cerca de 70% a 72% da população apresenta algum tipo de distúrbio do sono em 2025, com aproximadamente 20,2% dos brasileiros nas capitais dormindo menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentando sintomas de insônia, segundo o Vigitel, relatórios do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira do Sono.

Segundo pesquisa Vitality, pessoas com sono regular e de boa qualidade podem ter até 24% a 31% menos risco de morte prematura e viver de 2 a 4 anos a mais em comparação com quem dorme mal.

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Para efeito de comparação, estudos mostram que uma pessoa que dorme menos de seis horas por noite pode apresentar desempenho cognitivo equivalente ao de alguém sob efeito de álcool, especialmente em tarefas que exigem atenção e tomada de decisão.

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O papel do exercício físico

Um levantamento realizado pela Fortalece, plataforma especializada em saúde e bem-estar, identificou que a prática regular e estruturada de atividade física está diretamente associada a melhorias na qualidade do sono. Entre os principais benefícios observados estão a redução dos episódios de insônia, a diminuição do tempo necessário para adormecer e o aumento da duração e da sensação de sono restaurador.

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“Em um programa conduzido com metodologia própria, voltado à melhoria de hábitos relacionados à prática de exercícios físicos junto a grupos de profissionais da educação, os resultados foram percebidos de forma rápida e consistente. Em apenas sete semanas, os participantes registraram um aumento de 12,9% na autoavaliação da qualidade do sono”, destaca Marcos Rinaldi, especialista em neurociência e fundador da Fortalece.

Além da avaliação direta de sono, outros indicadores percebidos pelos usuários, e correlacionados, também apresentaram melhoras:

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  • 8,56% de melhora no humor
  • 12,90% de melhora no sono
  • 5,17% de melhora na saúde de forma geral
  • 8,25% de melhora na qualidade de vida

O resultado dialoga com um movimento global de revisão do papel dos medicamentos no tratamento dos distúrbios do sono. O mercado de fármacos para dormir segue em expansão, mas evidências apontam que o exercício regular pode gerar benefícios comparáveis, e mais duradouros, sem os efeitos colaterais associados ao uso contínuo de remédios.

A explicação está na fisiologia. Durante a prática de exercícios, o organismo reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse), melhora a sensibilidade à insulina e regula a liberação de substâncias fundamentais para o descanso, como a melatonina. O efeito não acontece apenas no dia do treino; ele se acumula com a repetição.

“O exercício físico funciona como um regulador natural do organismo. Ele ajuda a alinhar o relógio biológico, melhora a resposta hormonal e prepara o corpo para o descanso. Quando essa prática faz parte de uma rotina estruturada, os efeitos são profundos e consistentes”, explica Rinaldi.

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Não basta apenas treinar…

Um ponto que chama atenção é que não são os treinos extremos que trazem os melhores resultados para o sono, mas a regularidade. Comparativos mostram que pessoas que se exercitam de forma moderada, três a quatro vezes por semana, tendem a dormir melhor do que aquelas que alternam longos períodos de sedentarismo com esforços intensos e esporádicos.

Segundo uma meta-análise publicada no PubMed com mais de 8.600 participantes, melhorar a qualidade do sono está associado à redução de cerca de 63% nos sintomas de depressão, 51% na ansiedade e 42% no estresse, refletindo efeitos na saúde mental. Estudos também indicam que pessoas com sono de baixa qualidade têm até 38% mais chance de morte ao longo do tempo, e dormir pouco está ligado a um aumento de cerca de 14% no risco de mortalidade geral.

E as pesquisas não param por aí. Uma meta-análise em rede, também publicada em 2025, sobre pacientes com insônia mostrou que diferentes modalidades de exercício, como yoga, caminhada e tai chi, estão associadas a aumentos no tempo total de sono, redução do tempo para iniciar o sono e melhora de vários parâmetros objetivos e subjetivos do sono em comparação com controles. 

Estudos também apoiam as recomendações de saúde internacionalmente aceitas de que pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada, como orientado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para benefícios gerais à saúde, estão associados a efeitos benéficos no sono, incluindo maior eficiência do sono e redução da latência para adormecer, além de potenciais reduções no uso de medicamentos hipnóticos em casos leves de insônia, em comparação com indivíduos sedentários.

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Ademais, revisões bibliográficas apontam que pessoas fisicamente ativas tendem a relatar mais tempo de sono profundo e melhor qualidade geral de descanso em comparação com sedentários, sugerindo que a atividade física pode influenciar positivamente fases do sono associadas à recuperação física e ao equilíbrio emocional.

“O exercício é uma das estratégias mais acessíveis, naturais e eficazes para recuperar o equilíbrio do corpo e da mente”, finaliza o profissional.

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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/dormir-melhor-como-a-atividade-fisica-ajuda-a-regular-o-sono/

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