Em algum momento da vida, vamos nos perceber vivendo constantemente na busca para tentar agradar os outros, seja a família, o parceiro, os amigos, o chefe, a sociedade inteira.
Como nossa existência fosse um teste contínuo de aceitação e, sem perceber, vamos empilhando pequenas concessões, silêncios engolidos, vontades adiadas. Por fora, tudo pode até parecer em ordem, mas por dentro algo começa a pesar.
Porque, no fundo, de nada adianta agradar o outro e desagradar o tempo todo a si mesmo. Nenhuma relação se sustenta quando o preço é o autoabandono. Nenhum “sim” externo compensa tantos “nãos” internos.
A conta sempre chega, pode ser em forma de cansaço emocional, ressentimento ou uma sensação difusa de estar vivendo uma vida que não é exatamente sua.
Escolher com base nos próprios valores não é sobre egoísmo, dureza ou falta de amor ao próximo. É sobre coerência, sobre conseguir deitar a cabeça no travesseiro e sentir o corpo relaxar, porque você não se traiu naquele dia.
Paz e tranquilidade não vêm de aplausos externos, mas nascem quando nossas atitudes combinam com quem somos de verdade, mesmo quando isso desagrada alguém.
E aqui entra uma verdade difícil de engolir: às vezes, nós vamos sim precisar desagradar o outro. Isso faz parte!! Não é possível viver de forma honesta sem frustração alheia pelo caminho. Quem nunca desagrada ninguém geralmente está pagando esse preço sozinho, em silêncio.
É difícil, claro. Às vezes é muito difícil. Pois fomos ensinados a confundir amor com aprovação, pertencimento com concordância, e harmonia com silêncio. Fomos treinados a evitar conflitos a qualquer custo, mesmo que o custo seja interno.
Questionar isso dá medo, dá culpa, dá a sensação de estar sendo injusto ou até mesmo ingrato. Mas, com o tempo, fica claro que injusto é viver desconectado de si por tempo demais.
Afinal, nada paga o preço de estar com a consciência limpa. Nada. Não há validação, status, conforto ou relação que compense a sensação de olhar para si e saber que você não se abandonou. Para te ajudar, aqui vão algumas dicas de como implementar na sua vida:
1. Use o corpo como bússola
Antes de decidir algo, observe: seu peito aperta ou expande? Seu estômago embrulha ou relaxa? O corpo denuncia incoerências muito antes da mente criar justificativas bonitas.
2. Questione a necessidade de se explicar tanto
Quando uma escolha é verdadeira, ela pode até ser desconfortável, mas costuma ser simples. Explicações longas demais muitas vezes revelam culpa e não erro.
3. Troque “o que vão pensar?” por “o que isso vai me custar?”
Não só agora, mas depois. À noite. Em silêncio. Na sua própria companhia. Lembre-se, de nada adianta agradar o outro se o custo for alto demais para si mesmo.
4. Pratique pequenos desagrados intencionais
Dizer “não” para algo simples. Discordar com respeito. Não atender imediatamente. Esses pequenos atos treinam o músculo da autenticidade e mostram que o mundo não acaba quando você se escolhe. Além de criar espaço para os outros serem independentes, valorizando ainda mais quando podem ter sua presença.
Escolher a si mesmo não é um ato isolado. É uma prática diária, imperfeita, corajosa. Alguns dias você vai conseguir, em muitos outros, vai escorregar. E tudo bem!! O importante é voltar para esse lugar interno onde suas escolhas fazem sentido.
Afinal, no fim do dia, quando as luzes se apagam e não há plateia, só você fica ali com você mesmo. E viver em paz consigo é uma das formas mais profundas de liberdade.
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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)
Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3
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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/auto-abandono/
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