quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Carnaval sem ressaca: o que realmente funciona, segundo especialistas

Os dias de folia já começaram e, com isso, a ressaca pode ser aparecer em alguns dias, não é mesmo? Dor de cabeça intensa, enjoo, cansaço extremo e desidratação. É um sinal claro de que o organismo entrou em sobrecarga. O exagero no consumo de bebida alcoólica durante a folia compromete o funcionamento do fígado, desregula o metabolismo e afeta diretamente a alimentação e o equilíbrio do corpo.

Segundo a Dra. Paula Pires, Endocrinologista e Metabologista da SBEM, o problema vai muito além do desconforto momentâneo. “A ressaca acontece porque o organismo precisa se desdobrar para absorver e metabolizar grandes quantidades de álcool. Nesse processo, o fígado é o órgão mais exigido, já que produz as enzimas responsáveis pela metabolização do etanol. O excesso gera um desequilíbrio importante, afetando também o sistema nervoso”, explica.

A médica ainda completa que, mesmo depois de o álcool já ter sido eliminado do organismo, a concentração dessas enzimas que são tóxicas, ainda permanece elevada, o que ajuda a explicar sintomas como dor de cabeça, náuseas, diarreia, desidratação e extremo cansaço.

Carnaval: dicas de como evitar dor na coluna

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a dose padrão de álcool equivale a cerca de 10 a 12 gramas de álcool puro, o que corresponde a uma lata de cerveja (330 ml), uma taça de vinho (100 ml) ou uma dose de destilado (30 ml). “Bebidas como uísque, vinho tinto, tequila e conhaque costumam causar ressacas mais intensas do que cerveja ou bebidas claras, como vodca e gim. Isso não significa que elas não provoquem ressaca, mas o impacto costuma ser diferente”, alerta Dra. Paula.

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Antes, durante e depois da folia: como reduzir o risco da ressaca

Para quem pretende aproveitar o Carnaval com mais equilíbrio, algumas medidas fazem diferença:

Antes da festança

  • Hidrate-se bem nos dias anteriores, com água e sucos naturais (2 a 3 litros por dia);
  • Evite frituras e alimentos muito gordurosos; prefira carnes magras;
  • Pratique atividade física, especialmente aeróbica, para melhorar a resistência física.

Durante a folia

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  • Hidrate-se constantemente, já que o suor e o álcool aumentam a perda de líquidos e eletrólitos;
  • Nunca beba em jejum; consuma alimentos leves ao longo do dia;
  • Evite frituras, que aumentam o desconforto gástrico e a sensação de moleza.

Depois da festa

  • Se exagerou, o corpo pede descanso: repouso é essencial;
  • Água, sucos e líquidos ao longo do dia ajudam a reduzir o tempo de recuperação;
  • Prefira refeições leves, frutas, verduras, sopas e caldos, evitando alimentos gordurosos.

E se a ressaca bater? O que realmente funciona?

Segundo a Dra. Paula Pires, não existe remédio capaz de “curar” a ressaca ou acelerar o metabolismo do álcool.“Banho frio, café forte, chás milagrosos ou produtos com cheiro intenso não resolvem. O essencial é hidratação, consumo de carboidratos e repouso. Na maioria dos casos, a ressaca melhora ao longo do dia”, afirma.

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Analgésicos simples, antiácidos ou anti-histamínicos podem aliviar alguns sintomas, mas não tratam a causa do problema. Bebidas como água, água de coco, sucos e isotônicos sem álcool ajudam a repor líquidos, sais minerais e vitaminas. Refrigerantes não hidratam, mas podem auxiliar em casos de queda de glicose.

A médica também faz um alerta sobre os chamados “remédios antirressaca”. “Eles têm pouco respaldo científico, misturam substâncias para aliviar sintomas pontuais e não corrigem a desidratação nem a hipoglicemia. Além disso, podem passar uma falsa sensação de proteção e estimular o consumo excessivo de álcool”, ressalta.

Atenção ao fígado: quando a ressaca merece atenção

Dra. Patrícia Almeida, hepatologista, doutora pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica que a ressaca também reflete o impacto direto do álcool sobre o fígado e o sistema digestivo. “O álcool tem efeito diurético, provoca desidratação, altera eletrólitos e, durante sua metabolização, gera o acetaldeído, uma substância tóxica responsável por sintomas como náuseas, sudorese e aceleração dos batimentos cardíacos”, explica.

Segundo a especialista, o álcool ainda irrita a mucosa do estômago e do intestino, favorecendo dor abdominal, vômitos e diarreia, além de prejudicar a liberação de glicose pelo fígado, o que pode causar fraqueza e tremores. “O sono também é afetado. Embora o álcool induza o adormecer, ele compromete a qualidade do descanso, resultando em mais cansaço no dia seguinte”, completa.

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A médica alerta que sinais como olhos amarelados, urina escura, dor intensa no lado direito do abdômen ou vômitos persistentes não devem ser ignorados, pois podem indicar problemas mais graves, como hepatite alcoólica.

“Beba com moderação, intercale o álcool com água, alimente-se antes e durante a festa e respeite seus limites. Se exagerar, dê tempo para o corpo se recuperar e procure ajuda médica se os sintomas persistirem”, orienta Dra. Patrícia.

Para quem consome álcool com frequência, manter hábitos saudáveis e realizar exames periódicos é fundamental para preservar a saúde do fígado e do metabolismo, no Carnaval e durante todo o ano.

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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/carnaval-sem-ressaca-o-que-realmente-funciona-segundo-especialistas/

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