sábado, 9 de maio de 2026

O novo apetite do brasileiro

O carrinho de compras do brasileiro mudou. Mais do que quantidade, passaram a pesar fatores como valor nutricional, origem dos alimentos e impacto ambiental.

A busca por uma alimentação equilibrada deixou de se limitar às dietas tradicionais e passou a incorporar conceitos ligados a bem-estar, desempenho físico e consumo consciente.

Esse movimento vem transformando diferentes setores, do agronegócio aos restaurantes, passando pela indústria alimentícia e pelo varejo.

Entre as principais mudanças está o avanço dos alimentos ricos em proteína, hoje vistos como aliados da saciedade, da manutenção da massa muscular e do controle glicêmico.

A demanda por produtos proteicos ganhou ainda mais força com a popularização das canetas emagrecedoras, que aumentaram a preocupação com a preservação muscular durante a perda de peso. O interesse crescente impulsionou desde produtos enriquecidos até carnes premium e alimentos com origem rastreável.

“Hoje a proteína é o centro da dieta por entregar o que o público moderno mais procura: saciedade, controle glicêmico e proteção da massa muscular”, afirma Thyago Nishino, nutricionista com pós-graduação pela USP e especialista em nutrição esportiva.

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Segundo ele, o tema ganhou ainda mais visibilidade após a atualização da pirâmide alimentar americana, que passou a destacar a proteína como um dos pilares da alimentação.

Apesar disso, Nishino ressalta que, no Brasil, a principal referência segue sendo a Pirâmide Alimentar Brasileira. “As diretrizes atuais reforçam a inclusão de diferentes fontes proteicas, tanto animais quanto vegetais, dentro de um padrão alimentar menos dependente de ultraprocessados”, explica.

A mudança de comportamento do consumidor também vem pressionando o agronegócio a se adaptar. Qualidade, rastreabilidade e transparência passaram a ser critérios valorizados por um público cada vez mais atento à procedência do que consome.

“A proteína deixou de ser apenas uma questão de nutrição básica e passou a estar associada à saúde, performance e bem-estar. Isso eleva o nível de exigência sobre o setor pecuário”, diz Caio Penido, proprietário da marca de carne sustentável SouBeef. Segundo ele, esse cenário tem acelerado investimentos em manejo, genética, nutrição animal e responsabilidade ambiental.

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Ao mesmo tempo, a explosão dos produtos “high protein” também acendeu um alerta. Barras, bebidas, snacks e sobremesas enriquecidas com proteína se multiplicaram nas prateleiras, mas muitos desses itens escondem excesso de sódio, açúcar e aditivos artificiais.

Para Nishino, a tendência exige discernimento. “O que esse movimento mostra é uma tentativa de responder a um consumidor que passou a valorizar mais alimentos ‘de verdade’, saciedade e manutenção de massa magra”, afirma. “Mas proteína isolada não transforma automaticamente um produto em saudável.”

Cliente mais informado

Algumas mudanças já aparecem no salão dos restaurantes. No Pobre Juan, clientes perguntam com mais frequência sobre raça do animal, tipo de criação e processos de maturação das carnes. “Percebemos um cliente mais informado e interessado em entender a origem do que consome”, conta Leo Salomão, chef de parrilla da casa.

Nishino lembra que a carne continua sendo uma importante fonte de proteína de alto valor biológico, além de fornecer nutrientes como ferro, zinco e vitamina B12. “O problema não está na carne em si, mas no excesso e na baixa qualidade das escolhas”, diz.

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Nesse contexto, práticas ligadas à sustentabilidade e ao bem-estar animal passaram a ganhar relevância. Na Fazenda Água Viva, fornecedora da SouBeef, os animais são criados a pasto e sem antibióticos. “Para o consumidor, isso significa um alimento com origem conhecida, produzido dentro de padrões rigorosos de segurança alimentar e com perfil nutricional equilibrado”, afirma Penido.

Do lado dos produtores, porém, a demanda traz desafios. Conciliar escala, qualidade e sustentabilidade exige investimento e mudanças estruturais em toda a cadeia produtiva. Ainda assim, o cenário abre espaço para alimentos com maior valor agregado e produção mais transparente.

Mais do que uma tendência passageira, a valorização da proteína reflete uma transformação mais ampla: consumidores cada vez mais interessados não apenas no que comem, mas também em como esses alimentos chegam ao prato.

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