A fibromialgia é uma síndrome crônica que se caracteriza por sintomas como dores generalizadas no corpo todo, mudanças de humor, distúrbios do sono e fadiga extrema.
A condição acomete cerca de 2% a 3% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Além disso, estimativas apontam que entre 80% e 90% dos casos de fibromialgia acontecem em mulheres entre os 30 e 50 anos.
O que causa fibromialgia?
Não existe uma causa única para a fibromialgia, sendo que ela pode ser considerada um problema multifatorial. A ciência sugere que a enfermidade pode receber influência de fatores genéticos, infecções graves, eventos traumáticos e estresse psicológico, por exemplo.
Estudos indicam que a fibromialgia está associada a alterações na maneira como o sistema nervoso central processa a dor.
Como é o diagnóstico de fibromialgia?
Não há exames específicos que identifiquem diretamente a fibromialgia. Nesse sentido, o diagnóstico é realizado de forma clínica, a partir de uma avaliação médica detalhada e uma análise profunda das queixas do indivíduo.
“Na fibromialgia, dificilmente encontramos lesões visíveis em exames, e essa falta de evidências pode levar a diagnósticos equivocados ou tardios, aumentando o estigma dessa condição crônica”, explica o Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas.
“O desafio é garantir a avaliação adequada. O médico precisa olhar para a funcionalidade, impacto no trabalho, autonomia, sono, saúde mental e resposta ao tratamento. Isso confere proteção legal ao paciente com impacto funcional significativo”, defende.
Como é realizado o tratamento?
O tratamento da fibromialgia deve envolver uma série de cuidados no dia a dia. Em alguns casos, principalmente quando há dores intensas, as intervenções farmacológicas podem ser aconselhadas.
É fundamental ter em mente que a adoção de um estilo de vida equilibrado e saudável desempenha um papel central no controle dos sintomas.
“Se não estiver integrado a um plano amplo de tratamento, o uso isolado de medicamentos raramente dá conta de reduzir o sofrimento, preservar a funcionalidade e melhorar a qualidade de vida do indivíduo”, alerta o médico.
Entre as medidas essenciais para lidar com a fibromialgia estão a qualidade do sono, a atividade física, as abordagens psicológicas e práticas de relaxamento.
O sedentarismo tende a piorar a funcionalidade, revela o especialista. Por isso, quando bem orientados, os exercícios funcionam como uma das bases do tratamento da fibromialgia.
Valadares explica que o objetivo não é impor esforço excessivo — já que a sobrecarga pode agravar o problema —, mas sim incluir na rotina movimentos possíveis e progressivos.
“O corpo precisa ser recondicionado com segurança, e os exercícios mais benéficos costumam ser aeróbicos graduais, fortalecimento, alongamento, fisioterapia e hidroterapia, dependendo do paciente”, observa.
Quem tem fibromialgia pode fazer musculação?
Quem tem fibromialgia pode fazer musculação. Quando bem orientada, a atividade pode colaborar positivamente para o tratamento da fibromialgia.
Para garantir que a prática seja segura nesses casos, é fundamental realizar as adaptações e os ajustes necessários no treino, levando em consideração a sensibilidade, o condicionamento físico, a intensidade dos sintomas e as limitações individuais de cada pessoa.
Os benefícios da modalidade incluem a regulação da percepção de dor, o desenvolvimento de força e resistência, a melhora da capacidade funcional, o aumento da disposição e a promoção do equilíbrio emocional. O fortalecimento dos músculos também ajuda no combate à sensação de cansaço e na proteção articular.
Existem algumas práticas que podem não ser uma boa ideia para quem sofre com fibromialgia, entre elas, as que são de alto impacto, como saltos e corridas intensas, e as que envolvem cargas muito elevadas.
A recomendação é focar na técnica correta, priorizar o uso de pesos mais leves e ir aumentando gradualmente, sempre respeitando os limites do corpo.
Outro ponto que vale mencionar é que, em casos de fibromialgia, é preciso redobrar ainda mais a atenção em relação à dores durante os treinos. Os sinais do corpo nunca devem ser ignorados.
Treinos até a falha podem não ser boas alternativas para portadores de fibromialgia, pois essa estratégia costuma gerar um nível elevado de esforço, o que pode piorar o desconforto e comprometer a recuperação.
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source https://boaforma.abril.com.br/movimento/fibromialgia-pode-fazer-musculacao/
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