Os exercícios físicos após um procedimento cirúrgico, dependendo do tipo de cirurgia, devem ser compreendidos como uma parte da reeducação corporal, respeitando os limites biológicos além de variar de acordo com o procedimento realizado e a recuperação de cada pessoa.
Mas os exercícios físicos após um procedimento cirúrgico devem ser encarados como uma liberação imediata de “pode ou não pode”, mas como um processo progressivo, estratégico e individualizado.
“Caminhadas leves e movimentos suaves costumam ser estimulados já nas fases iniciais, com o objetivo de favorecer a circulação sanguínea e reduzir riscos como trombose, sempre respeitando o desconforto e a orientação médica. A partir daí, a evolução para atividades mais intensas depende da consolidação da cicatrização e da avaliação clínica”, ressalta Andreia Pimentel, professora de educação física .
Segundo o cirurgião plástico Eduardo Sucupira, um dos principais erros no pós-operatório é tratar a recuperação como um protocolo fixo, porque ela não é linear e acontece de forma individual, afinal, cada corpo é um corpo.
“Cada organismo responde de maneira diferente ao trauma cirúrgico. O exercício físico, quando introduzido corretamente, faz parte da reabilitação, mas precisa respeitar as fases biológicas da cicatrização”, afirma.
O profissional também reforça que a movimentação precoce, quando orientada, não apenas é segura em muitos casos, como pode contribuir para uma recuperação mais eficiente, desde que não haja sobrecarga da área operada.
Além disso, a medida que o processo de cicatrização avança, o paciente pode evoluir para atividades de mobilidade mais amplas e caminhadas prolongadas, sempre sem impacto e sem exigência de força.
“Exercícios de musculação e treinos mais intensos geralmente são retomados apenas após liberação médica, em um processo gradual de reconstrução da capacidade física. Nesse momento, o acompanhamento profissional torna-se essencial para evitar compensações musculares, sobrecargas e possíveis prejuízos ao resultado cirúrgico”, pontua Andreia .
Retornar = reeducar
A professora de Educação Física destaca que o retorno ao exercício deve ser entendido como uma reeducação do movimento.
“O corpo passou por uma intervenção importante e precisa reaprender padrões de força, estabilidade e controle. Não se trata de retomar o nível anterior de treino imediatamente, mas de reconstruir esse condicionamento de forma progressiva e consciente”, explica. Ela ressalta que essa fase também é determinante para que o paciente recupere confiança no próprio corpo durante o movimento.
Além da recuperação, o exercício físico tem papel central na manutenção dos resultados estéticos ao longo do tempo. A prática regular contribui para o controle do peso, melhora da composição corporal e preservação do tônus muscular, fatores que ajudam a sustentar os efeitos da cirurgia.
Para Andreia, esse entendimento é fundamental para a continuidade dos cuidados após o pós-operatório.
“A cirurgia pode melhorar o contorno corporal, mas é o exercício que sustenta esse resultado no longo prazo. Quando o paciente incorpora essa lógica, o treino deixa de ser uma obrigação e passa a ser parte do cuidado com o corpo”, diz.
Entenda os sinais do seu corpo
Apesar dos benefícios, o retorno à atividade física exige atenção a sinais de alerta, como dor persistente na área operada, aumento de inchaço, sensação de repuxamento intenso ou fadiga fora do habitual após esforços leves.
Nessas situações, a orientação é interromper a atividade e buscar avaliação médica. A progressão inadequada do exercício pode interferir no processo de cicatrização e comprometer o resultado final, especialmente quando há pressa em retomar a intensidade anterior ao procedimento.
Nesse contexto, o cirurgião plástico reforça que o pós-operatório não deve ser visto como uma fase de restrição absoluta, mas como um período de adaptação ativa, em que o movimento, quando bem orientado, se torna parte essencial da recuperação.
“O equilíbrio entre repouso, atividade leve e retomada gradual do exercício é o que permite não apenas uma cicatrização adequada, mas também uma reintegração mais consciente ao próprio corpo”, conclui o profissional.
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas dicas e matérias incríveis de Boa Forma direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp
source https://boaforma.abril.com.br/movimento/retorno-a-atividade-fisica-apos-cirurgia-exige-planejamento-e-cuidado/
Nenhum comentário:
Postar um comentário