Com a chegada do inverno, é comum a percepção de que o corpo tende a ganhar mais peso durante os meses mais frios. A ideia, porém, nem sempre está ligada a uma mudança fisiológica significativa do organismo, mas principalmente a alterações de comportamento e rotina.
No período, há uma tendência maior de consumo de alimentos mais calóricos, redução da prática de atividades físicas e mudanças nos padrões de sono e socialização, fatores que podem influenciar diretamente o balanço energético ao longo do tempo.
Para a médica endocrinologista Fernanda Parra, o ganho de peso no inverno não pode ser atribuído exclusivamente ao clima, mas sim ao conjunto de hábitos que se modificam durante a estação.
“O frio, por si só, não é responsável pelo ganho de peso. O que observamos é uma mudança comportamental: as pessoas tendem a se movimentar menos, comer mais alimentos densos em calorias e buscar mais conforto alimentar”, afirma.
Segundo a especialista, existem pequenas adaptações fisiológicas do organismo ao frio, como variações no gasto energético e na regulação de apetite, mas esses fatores isoladamente não explicam mudanças significativas de peso.
“Pode haver um discreto aumento no gasto energético para manutenção da temperatura corporal, mas isso não é suficiente para justificar grandes alterações de peso. O que pesa mais é o estilo de vida nesse período”, explica a médica.
A endocrinologista destaca ainda que o conceito de que o inverno “engorda automaticamente” é um mito, e que o ganho de peso ocorre quando há desequilíbrio entre ingestão calórica e gasto energético ao longo do tempo.
“O inverno não engorda ninguém. O que pode levar ao ganho de peso é a mudança de rotina, não a estação em si”, conclui Fernanda Parra.
Exercícios de inverno: como se manter ativo e motivado nas temperaturas frias
Durante os dias mais frios do ano, é comum perceber uma queda na disposição para a prática de atividades físicas. As baixas temperaturas tendem a trazer aquela preguicinha de movimentar o corpo e aumentar a vontade de permanecer em casa e de baixo dos cobertores.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% da população adulta mundial não atinge os níveis mínimos recomendados de exercícios, o que tende a se agravar no inverno.
Além de favorecer comportamentos sedentários, o frio tende a elevar o desejo por alimentos mais calóricos, o que também pode ser prejudicial à saúde e ao bem-estar.
Mesmo durante os momentos em que o tempo está fechado lá fora, é importante tentar ao máximo manter uma rotina de exercícios. O hábito garante benefícios como regulação do humor — que costuma ficar comprometida nos dias frios —, o fortalecimento da imunidade, preservação da saúde cardiovascular e controle do peso corporal.
“No inverno, o desafio não é apenas treinar mais, mas continuar treinando. A atividade física regular fortalece o sistema cardiovascular, ajuda no controle do peso, melhora o humor e contribui para a saúde física e mental durante todo o ano. O melhor exercício será sempre aquele que a pessoa consegue transformar em hábito”, menciona Breno Daniel, profissional de Educação Física e supervisor técnico da Academia Corpo e Saúde.
A seguir, ele revela algumas práticas que podem ser grandes aliadas durante o inverno. Veja:
Exercícios para manter a motivação e gastar mais calorias no inverno
1. Musculação
A musculação consiste em uma modalidade fundamental para cuidar da saúde física e mental e, mesmo durante os meses frios, é importante incluí-la no dia a dia.
A atividade favorece a hipertrofia e o metabolismo basal, desempenhando um papel significativo na quantidade de calorias que o corpo gasta em repouso.
“Além do gasto calórico durante a execução, a musculação gera um consumo adicional de energia no período de recuperação muscular, o que potencializa os resultados”, conta.
Uma das principais recomendações é apostar em exercícios multiarticulares, que trabalham vários grupos musculares ao mesmo tempo, uma vez que promovem uma maior demanda energética e ajudam a elevar a temperatura corporal rapidamente. Os exemplos incluem agachamentos, remadas, supinos e levantamento terra.
2. Treinamento funcional
O treinamento funcional pode ser uma boa alternativa para quem prefere atividades mais dinâmicas e variada, o que pode facilitar a adesão e contribuir para o combate à monotonia. Ele combina movimentos comuns do cotidiano, como empurrar, puxar, correr, saltar a agachar, e oferece alto gasto energético em sessões relativamente curtas.
3. HIIT
O HIIT é uma prática que costuma exigir menos tempo de treino, que promove um elevado gasto calórico e que aumenta o chamado efeito EPOC. É uma ótima atividade para fazer com que o organismo permaneça gastando energia mesmo após o término da sessão.
4. Bike indoor
O inverno pode atrapalhar o ciclismo em ambientes ao ar livre. Nesse cenário, a bike indoor pode servir como uma alternativa eficiente e confortável. Seus benefícios englobam elevado gasto energético e melhora da capacidade cardiovascular e da resistência física.
5. Exercícios para membros inferiores
Agachamentos, avanços, leg press e afundos são algumas opções de exercícios que colaboram para a elevar rapidamente a frequência cardíaca e estimular a produção de calor corporal.
“Quanto maior a massa muscular envolvida no movimento, maior tende a ser o gasto energético da atividade”, explica Breno Daniel.
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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/frio-engorda-entenda-a-relacao-entre-o-inverno-e-o-ganho-de-peso/
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