domingo, 29 de março de 2026

Coda Bar: Alê D’Agostino rege um novo movimento na coquetelaria paulistana

Na contramão dos bares efêmeros que surgem e desaparecem na paisagem urbana de São Paulo, há estabelecimentos que nascem de uma virada de chave pessoal. É o caso do Coda, novo endereço da Vila Buarque que marca a tão aguardada volta de Alê D’Agostino — um dos bartenders mais respeitados do país — ao comando de um negócio próprio.

O nome, emprestado do vocabulário musical, já entrega o recado: coda é o trecho que conclui uma peça, mas também aquele que introduz um desfecho inesperado. E a metáfora se encaixa perfeitamente na trajetória de D’Agostino, que, após anos longe dos holofotes de uma casa própria — desde o fechamento do icônico Apothek, em 2019 —, reajusta a rota e reassume o balcão. “Há dois anos viajei com meu filho para Miami e fui em um bar muito bacana que me bateu uma saudade de ter o meu novamente”, conta Alê. Quando a oportunidade de investimento surgiu meses atrás, “não tive como negar”.

Uma casa sem códigos de acesso

Ao entrar na Rua Barão de Tatuí, 233, o que se vê é um convite à intimidade. Longe de qualquer pretensão de exclusividade que às vezes ronda a alta coquetelaria, o Coda aposta na integração entre ambientes: as paredes de cimento bruto contrastam com sofás acolhedores, a iluminação é baixa e as mesas estão dispostas de modo a criar proximidade sem sufocar o movimento. O piano que ocupa o salão não é mero objeto decorativo — em noites alternadas de terça-feira, ele ganha vida sob o toque de músicos convidados, reforçando a cartela de cores sonoras que dá alma ao espaço.

O projeto arquitetônico e de interiores é assinado pela consultoria A/C – Aos Cuidados, de Ana Paula Montesso e Carolina Oda, que cuidaram de todas as etapas para garantir que a atmosfera acolhesse tanto o cliente que busca um clássico executado com rigor quanto aquele disposto a explorar novas camadas de sabor.

O repertório: do clássico impecável ao Kimchi Old Fashioned

Coda Bar
Dry MartiniKarim Rojas/Divulgação

A carta do Coda funciona como uma coletânea de sucessos, organizada em movimentos. Abre com 12 drinques autorais que evidenciam a maturidade criativa de D’Agostino e sua equipe. Há desde o refrescante Che com Infusione (R$ 42), um blend de chás infusionado em cachaça com vermute bianco carbonatado, até o ousado Kimchi Old Fashioned (R$ 57), que substitui o tradicional toque de laranja por um caramelo do fermentado coreano, harmonizado com bourbon e espumante.

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Para quem prefere algo mais encorpado, o Hell Yeah (R$ 56) entrega um whisky com extrato de pimenta e baunilha, enquanto o Negroni Floral (R$ 58) — feito com tequila, sake e Cocchi Americano Rosa — apresenta uma releitura delicada e complexa do clássico italiano.

A seção de coquetéis sem álcool, com quatro opções a R$ 28, demonstra a preocupação em receber bem todos os perfis de público. Mas é na sequência que os fãs de longa data podem ter um sobressalto afetivo. Na sessão carinhosamente intitulada “Saudades, Apothek!”, o menu resgata oito dos drinques mais emblemáticos do bar anterior de Alê. Figuras como o Rye Rye Darling (R$ 65) e o Amaro Crazy Mxfx (R$ 75) voltam à ativa, funcionando como uma ponte entre o passado que marcou época e o presente que agora se reescreve.

E, claro, o Dry Martini — drink pelo qual Alê é reconhecidamente fã e mestre — ocupa lugar de destaque entre os 19 clássicos da casa.

Apoio de peso e gastronomia sem firulas

Coda Bar
ParmentierKarim Rojas/Divulgação
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Atrás do balcão de mármore, ladeado por seis bancos de couro, quem comanda as coqueteleiras é Lívio Poppovic, parceiro de D’Agostino nos tempos de Apothek. A presença dele é, nas palavras de Alê, parte da espinha dorsal do projeto: “Não existia a menor chance de ser outra pessoa.”

Para acompanhar, a chef consultora Laila Radice assina um menu que transita com desenvoltura entre o petisco e a refeição completa. As Lipe’s Fries (R$ 38), servidas com duo de aioli — na versão tradicional ou com missô —, são o acompanhamento ideal para os drinques. Já quem busca algo mais substancioso encontra no Coda Parmentier (R$ 57) — rabada desfiada com purê de batata — e no sanduíche Toni a Milanesa (R$ 69) opções que equilibram conforto e técnica.

Um brinde no compasso certo

Além da programação musical quinzenal, o Coda instituiu um novo ritual que tem tudo para virar tradição. Aos sábados e sextas-feiras, pontualmente à 0h17, o serviço é interrompido para um brinde coletivo entre equipe e clientes. O horário não foi escolhido ao acaso: foi naquele minuto que Alê e os sócios selaram a decisão final de abrir as portas da casa.

Com o Coda, Alê D’Agostino não apenas rege um novo movimento em sua carreira, mas também reafirma um conceito que parece simples, mas é raro de encontrar: o de que cada cliente deve sair com a sensação de que valeu a pena ter ido até lá. E, pelo balanço da casa nas primeiras semanas, a impressão é de que a música — assim como os drinks — segue afinada.

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Serviço

Coda
Endereço: Rua Barão de Tatuí, 233 – Vila Buarque, São Paulo/SP
Horários: Terça a quinta, das 18h à 0h; sexta e sábado, das 17h à 1h.
Instagram: @_codabar

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/boa-forma-visita/coda/

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