sexta-feira, 10 de abril de 2026

Runner’s Face é mito? Entenda a relação entre corrida e envelhecimento do rosto

A corrida ganhou um espaço no coração do brasileiros. Pesquisas mostram que, em 2025, mais de 15 milhões de brasileiros correram pelas ruas de todo o país. Além disso, eventos de corrida é o que não faltam e assuntos relacionados aos benefícios da prática esportiva também. Entre eles, um temo tem se destacado: o Runner’s Face ou rosto de corredor.

O Runner’s Face associa a prática ao envelhecimento precoce do rosto, com surgimento de flacidez. Mas o que exatamente acontece? Na verdade, não existe evidência de que a corrida, por si só, envelheça o rosto; e a tal da Síndrome do Rosto de Corredor é um termo que nem existe na ciência.

Mas essa percepção do Runner’s Face, segundo a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), se deve principalmente à perda expressiva de peso causada pelos exercícios aeróbicos. “A perda de peso, principalmente em casos em que há diminuição expressiva na quantidade de gordura, promove diminuição da gordura da face e, consequentemente, do volume que mantinha a pele esticada. Como resultado, o tecido cutâneo evidencia uma flacidez que já existia”, detalha a profissional.

Ambientes externos também influenciam

Somado a isso, há a questão da exposição solar, visto que a corrida é majoritariamente praticada em ambientes externos.

“A exposição solar pode causar diversos danos à pele. Além do risco de câncer, a radiação ultravioleta A emitida pelo sol é responsável por degradar as fibras elásticas da pele, o que leva ao envelhecimento precoce”, diz a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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Porém, é importante ressaltar que, mesmo que fosse comprovado que a corrida envelhecesse a pele, resultando no Runner’s Face, a prática regular de atividade física ainda assim deve ser incentivada, pelos seus benefícios para a saúde, prevenindo doenças, além de melhora significativa da pele, inclusive com prevenção do envelhecimento.

“A atividade física é importante para a pele em diversos aspectos, visto que reduz o nível de cortisol, melhora a elasticidade, atua no controle da acne e da oleosidade, fortalece a barreira de proteção da pele e previne o envelhecimento precoce”, explica a cirurgião plástica.

Proteja a pele e hidrate-se!

Mas para não sofrer com o efeito estético conhecido como Runner’s Face, basta adotar alguns cuidados, principalmente com relação à fotoproteção.

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“O equilíbrio é fundamental. Descanso também é indispensável, lembre-se disso”, aconselha a Dra. Beatriz.

Outro ponto importante para o Runner’s Face é a fotoproteção. “A fotoproteção deve ser realizada diariamente pela manhã com um filtro solar de, no mínimo, FPS 30. Além disso, o produto deve ser reaplicado a cada 2 horas ou sempre que houver sudorese importante”, diz a Dra. Paola.

Outro fator muito importante é a hidratação, devido à grande perda de água durante os exercícios, e a alimentação, principalmente no que diz respeito ao consumo de carboidratos e também de proteína, que é essencial para diversas funções, desde manutenção da massa magra até produção de colágeno para a pele.

“O principal efeito negativo da restrição de carboidrato é a redução da performance em exercícios físicos, ocasionando uma sensação de baixa energia”, diz a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

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Na ausência de ingestão adequada de carboidratos, o organismo pode recorrer à gliconeogênese, utilizando aminoácidos provenientes da quebra de proteínas para produzir glicose, o que pode reduzir sua disponibilidade para funções estruturais e metabólicas, como a manutenção da pele.

“Além disso, caso o aporte proteico não seja suficiente para manter a chegada de aminoácidos para todos os tipos de tecidos de colágeno, o organismo irá priorizar a reposição de fibras de colágeno nos tecidos condicionais à vida e a pele ficará em segundo plano, com aceleração do envelhecimento”, diz a Dra. Marcella.

E finaliza: “As necessidades diárias podem ir de 0,6 a 2g por quilograma ao dia e dependem de vários fatores, como idade, gênero, nível de atividade física, estado de saúde e objetivos. Ou seja, uma pessoa com 60kg pode consumir de 36 a 120g de proteína diariamente. Então, o consumo deve ser individualizado e específico”.

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source https://boaforma.abril.com.br/movimento/runners-face-e-mito-entenda-a-relacao-entre-corrida-e-envelhecimento-do-rosto/

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