sábado, 30 de maio de 2026

Culpa

Uma das coisas que mais escuto nas sessões de psicoterapia não é raiva, não é egoísmo, não é tristeza, é culpa. Culpa por dizer “não”, culpa por decepcionar alguém, culpa por não conseguir dar conta de tudo, culpa por querer descansar, culpa por finalmente pensar em si mesmo depois de passar tanto tempo cuidando dos outros.

Muitas pessoas aprenderam, desde cedo, que amar significa ceder sempre. Que ser uma boa pessoa é suportar tudo calado. Que colocar limites é machucar os outros. E então crescem acreditando que os próprios desejos são menos importantes, menos urgentes, menos válidos.

E assim aprendem a engolir desconfortos para evitar conflitos, a dizer “sim” mesmo quando estão exaustas, a se adaptar tanto às necessidades dos outros que quase deixam de ouvir as próprias. E o problema é que isso é socialmente aceito e bem visto.

No começo parece apenas gentileza. Depois já foi implementado no dia a dia e virou hábito. E quando percebem, estão emocionalmente sobrecarregadas, ressentidas, cansadas e profundamente desconectadas de si mesmas.

Porque toda vez que você se abandona para manter vínculos, uma parte sua vai ficando para trás.

Nas sessões de terapia, vejo muitas pessoas que têm dificuldade de identificar o que querem porque passaram anos tentando ser aquilo que os outros esperavam delas.

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Pessoas que não conseguem pedir ajuda, expressar opiniões, discordar ou colocar limites sem sentir ansiedade extrema. Pessoas que vivem em estado constante de adaptação emocional.

E isso dói muito! Dói porque ninguém consegue sustentar relações saudáveis quando precisa desaparecer dentro delas. Dar limites não é deixar de amar. É deixar de se abandonar!

E existe uma diferença muito importante entre ser uma pessoa generosa e ser uma pessoa que não consegue se priorizar. A generosidade saudável nasce da escolha.

A ausência de limites nasce do medo: medo de rejeição, de conflito, de desapontar, de perder amor. Mas relações construídas apenas sobre silenciamento emocional costumam gerar exaustão.

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Porque quando você nunca expressa seus desejos, o mundo aprende que você suporta tudo. E muitas vezes as pessoas ao redor nem percebem o quanto você está cansado, porque você se acostumou a esconder isso muito bem.

Só que necessidades ignoradas não desaparecem. Elas se transformam em ansiedade, irritação, sobrecarga emocional, tristeza, sensação de injustiça e até distanciamento afetivo.

Por isso colocar limites não é um ato de agressividade. É um ato de honestidade emocional. E talvez uma das coisas mais difíceis para quem sempre agradou todo mundo seja entender que algumas pessoas vão se incomodar quando você começar a se respeitar mais.

Porque elas estavam acostumadas à versão sua que dizia “sim” para tudo o que elas pediam. Mas isso não significa que você está errado.

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Você não precisa machucar ninguém para se posicionar. Existe uma forma firme e amorosa de se ouvir sem destruir vínculos importantes. Limites saudáveis não afastam relações maduras, mas tornam as relações mais verdadeiras.

Aqui estão algumas dicas para aprender a se impor com amor sem deixar de cuidar das suas relações:

  • Entenda que dizer “não” não faz de você uma pessoa ruim
  • Pare de invalidar seus próprios desejos
  • Comece com limites pequenos
  • Lembre-se de que desconforto não significa erro
  • Aprenda a falar de forma firme e gentil ao mesmo tempo, seja assertivo
  • Observe onde você se abandona para ser aceito
  • Pare de assumir responsabilidade pelas emoções de todo mundo
  • Escute mais o seu corpo
  • Entenda que relações saudáveis suportam limites
  • Pergunte mais vezes: “O que eu realmente quero?”

No fim, colocar limites não é construir muros frios ao redor de si. É poder escolher o que entra, o que permanece e o que já não cabe mais.

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Você não nasceu para viver apenas atendendo expectativas externas enquanto abandona suas próprias necessidades em silêncio.
E você merece relações em que não precise desaparecer para ser amado!

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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)

Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/culpa/

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