A insulina tem um forte efeito anabólico no organismo. Ela facilita a entrada de glicose e aminoácidos dentro da célula muscular, então alguns atletas acabam utilizando a substância na tentativa de aumentar volume muscular, melhorar recuperação pós-treino e potencializar síntese proteica.
Dentro do fisiculturismo, existe uma busca constante por otimização de performance e composição corporal, e a insulina acaba sendo vista, de forma equivocada, como uma estratégia para acelerar esses resultados, principalmente quando associada a dietas hipercalóricas e outros hormônios.
O problema é que estamos falando de um hormônio extremamente delicado do ponto de vista metabólico.
Diferente do que muita gente imagina, a insulina não é uma substância “simples”. Um erro pequeno na dose, no horário da aplicação ou na ingestão de carboidrato pode desencadear uma hipoglicemia grave.
Quais são os riscos do uso de insulina com foco em físico e performance?
O principal risco é a hipoglicemia, que acontece quando a glicose no sangue cai de forma repentina. Dependendo da intensidade, a pessoa pode apresentar tremores, suor frio, taquicardia, confusão mental, alteração neurológica importante, perda de consciência, até infarto agudo do miocárdio e até entrar em coma.
Existe uma banalização muito perigosa nas redes sociais em relação ao uso de hormônios e medicamentos ligados à performance, mas a hipoglicemia grave é uma emergência médica.
Inclusive, tem estudos que mostram que episódios severos podem evoluir rapidamente com comprometimento neurológico importante.
Além disso, o uso inadequado e repetitivo da insulina pode provocar desregulação metabólica, aumento de resistência insulínica, maior acúmulo de gordura corporal e alterações importantes no funcionamento hormonal do organismo.
Tem muita gente associa a insulina apenas ao ganho muscular e esquece que ela interfere diretamente em um dos mecanismos mais importantes do corpo, que é o controle glicêmico.
A insulina é contraindicada para fins estéticos?
A insulina não deve ser utilizada para fins estéticos ou de performance em pessoas sem indicação clínica. Ela é um medicamento essencial para pacientes diabéticos, mas exige monitorização, acompanhamento médico e individualização de tratamento.
Hoje, existe uma romantização muito grande de protocolos hormonais dentro do universo fitness, principalmente nas redes sociais, e isso acaba fazendo algumas pessoas perderem a noção do risco envolvido.
A insulina talvez seja uma das substâncias mais perigosas quando utilizada sem necessidade médica justamente porque o efeito adverso pode acontecer de forma muito rápida.
Às vezes, uma diferença pequena entre dose aplicada, alimentação e gasto energético já é suficiente para provocar uma hipoglicemia severa.
E o mais preocupante é que muitas pessoas subestimam os sinais iniciais. Acham que é apenas tontura, fraqueza ou mal estar passageiro, quando na verdade o quadro pode evoluir rapidamente!
Quando a insulina realmente é recomendada?
A principal indicação é no diabetes tipo 1, quando o organismo deixa de produzir insulina adequadamente. Ela também pode ser necessária em pacientes com diabetes tipo 2, especialmente quando o controle glicêmico não responde mais apenas a mudanças alimentares ou medicamentos orais.
Além disso, a insulina pode ser indicada em situações específicas, como diabetes gestacional, algumas internações hospitalares, estados hiperglicêmicos graves e determinadas doenças metabólicas.
Ou seja, é um tratamento extremamente importante dentro da medicina. O problema não está na insulina em si, mas no uso inadequado, sem necessidade clínica e sem acompanhamento especializado
Dra. Elaine Dias JK, endocrinologista e metabologista PhD pela Universidade de São Paulo (USP)
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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/boa-forma-responde/fisiculturistas-usam-insulina/
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