sábado, 20 de junho de 2026

Segurança emocional

Existe algo que o seu corpo procura o tempo todo. Não é perfeição. Não é produtividade. Não é dar conta de tudo. É segurança!

Aquela sensação gostosa de que você pode relaxar os ombros, soltar um pouco a respiração e não precisar estar preparado para tudo o tempo inteiro.

A sensação de que está tudo bem agora, de que você não precisa prever cada problema, antecipar cada dificuldade ou carregar o peso do mundo nas costas para garantir que nada saia do controle.

Na prática clínica, uma coisa que escuto com frequência é o quanto as pessoas estão cansadas. E não falo apenas de cansaço físico, mas daquele esgotamento que nasce de viver constantemente em alerta.

Pessoas que estão sempre pensando no próximo problema, imaginando cenários difíceis, tentando controlar o incontrolável ou se preparando para situações que talvez nunca aconteçam. Aos poucos, elas se acostumam tanto a esse estado de tensão que passam a acreditar que viver assim é normal.

Mas não é.

Nosso cérebro foi desenvolvido para nos proteger. Quando percebe alguma ameaça, ele ativa mecanismos importantes de sobrevivência que nos ajudam a reagir diante de perigos. O problema é que, muitas vezes, esse sistema permanece ligado mesmo quando não existe uma ameaça real acontecendo naquele momento.

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O corpo continua tenso, a mente continua acelerada, os pensamentos continuam procurando motivos para se preocupar. É como se o cérebro estivesse constantemente procurando algo para resolver, algo para evitar ou algo para temer. E viver assim é profundamente desgastante.

Quando passamos muito tempo nesse estado de vigilância, fica difícil descansar de verdade, fica difícil aproveitar os momentos bons sem esperar que algo estrague tudo, fica difícil confiar, se entregar, relaxar ou simplesmente estar presente.

A ansiedade cresce justamente porque o cérebro aprende que precisa permanecer atento o tempo todo para garantir a nossa segurança.

Por isso, muitas vezes, o caminho para diminuir a ansiedade não é fazer mais, controlar mais ou pensar mais. É justamente o contrário, é ajudar o cérebro e o corpo a perceberem que existe segurança suficiente para que eles possam baixar a guarda por alguns instantes.

Segurança emocional não significa ter uma vida sem problemas

E aqui existe algo muito importante: segurança emocional não significa ter uma vida sem problemas. Não significa que tudo está perfeito ou que nada de difícil vai acontecer.

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A vida continuará trazendo desafios, mudanças, perdas, incertezas e momentos de desconforto. A verdadeira segurança não nasce da ausência de dificuldades. Ela nasce da confiança de que você conseguirá atravessá-las.

Existe uma diferença enorme entre acreditar que tudo dará certo e acreditar que você será capaz de lidar com o que acontecer. A primeira depende do mundo, a segunda depende da relação que você constrói consigo mesmo.

O papel da autoconfiança

E é justamente aí que entra uma das maiores fontes de segurança emocional: a autoconfiança. Muitas pessoas procuram segurança apenas fora de si. Buscam garantias, respostas definitivas, aprovação dos outros ou circunstâncias perfeitas.

Mas existe uma segurança muito mais profunda, que nasce quando você começa a confiar na própria capacidade de enfrentar a vida.

Quando você percebe que já superou situações difíceis antes, quando reconhece a sua força, mesmo sem se sentir forte o tempo todo, quando entende que não precisa saber exatamente o que fazer em cada momento para confiar que encontrará um caminho.

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Essa confiança também é construída através dos pequenos combinados que fazemos conosco. Toda vez que você promete algo para si mesmo e cumpre, está fortalecendo a sua própria credibilidade interna.

Pode ser uma caminhada, um horário de sono, uma pausa necessária, um limite que você decidiu respeitar. Pequenas atitudes, repetidas ao longo do tempo, ajudam o cérebro a registrar uma mensagem poderosa: “Eu posso contar comigo.”

E poucas coisas geram tanta segurança quanto essa sensação.

A importância dos vínculos para a segurança emocional

Mas a segurança emocional não é construída apenas na relação que temos conosco. Ela também nasce nos vínculos que cultivamos.

Somos seres relacionais, precisamos sentir que pertencemos, que somos vistos, acolhidos e compreendidos, precisamos de pessoas diante das quais não precisamos estar fortes o tempo inteiro.

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Ter uma rede de apoio não significa ter alguém que resolva os seus problemas. Significa ter pessoas que permanecem ao seu lado enquanto você enfrenta esses problemas, pessoas que escutam, acolhem e oferecem presença. Saber que não estamos sozinhos diante das dificuldades já reduz uma enorme carga que muitas vezes carregamos em silêncio.

Pequenas estruturas do cotidiano

Além disso, a segurança também pode ser encontrada nas pequenas estruturas do cotidiano. O cérebro gosta de previsibilidade. Ele gosta de saber que existem alguns pontos estáveis em meio às incertezas da vida. Por isso, hábitos simples podem ter um impacto muito maior do que imaginamos.

Uma rotina minimamente organizada, um horário para dormir, um momento de descanso, uma caminhada ao ar livre, um café tomado com calma ou alguns minutos de silêncio ao longo do dia podem funcionar como verdadeiras âncoras emocionais.

São pequenas experiências que comunicam ao sistema nervoso que existe estabilidade, cuidado e proteção.

Se você deseja cultivar mais segurança emocional, talvez valha a pena começar observando quais são os lugares, pessoas e hábitos que fazem você se sentir mais em paz.

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Talvez seja importante fortalecer os combinados que faz consigo mesmo, falar consigo com mais gentileza, respeitar os seus limites e buscar relações que ofereçam acolhimento e reciprocidade.

Lembre-se!

No fundo, a segurança emocional não é um lugar onde chegamos de uma vez por todas. Ela é algo que construímos diariamente em cada escolha que fazemos por nós mesmos, em cada limite que respeitamos, em cada momento em que nos acolhemos em vez de nos julgarmos, em cada vez que lembramos ao nosso cérebro e ao nosso coração que não precisamos enfrentar tudo sozinhos.

E talvez a verdadeira paz não esteja em controlar todas as variáveis da vida. Talvez ela esteja em confiar que, aconteça o que acontecer, você terá recursos para atravessar. Que poderá pedir ajuda quando precisar. Que aprenderá ao longo do caminho. Que encontrará formas de se reerguer.

Porque segurança não é ter certeza de tudo. Segurança é saber que você pode confiar em si mesmo!

E quando essa confiança começa a crescer, o corpo relaxa. A mente desacelera. A ansiedade perde força. E a vida deixa de parecer uma ameaça constante para voltar a ser um espaço onde também existe leveza, conexão, presença e descanso.

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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)

Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/seguranca-emocional/

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