Você já ouviu falar em microbiota intestinal? Se não, vai descobrir a seguir o quanto ela tem sido importante no desempenho de muitos atletas e praticantes de atividades físicas.
Segundo Ilanna Marques, nutricionista e consultora científica da Bioma Genetics, trilhões de microrganismos que habitam nosso intestino vêm demonstrando um papel muito mais amplo do que simplesmente auxiliar na digestão.
“Hoje, evidências científicas sugerem que eles podem influenciar a produção de energia, a recuperação muscular, a resposta inflamatória e até mesmo a capacidade de adaptação ao exercício”, destaca a nutricionista.
No entanto, a microbiota melhora o desempenho esportivo ou é o exercício que modifica a microbiota? A resposta mais atual da ciência é: ambos.
A ciência por trás da informação
Estudos demonstram que atletas apresentam características distintas em sua microbiota quando comparados à população sedentária.
Em geral, eles possuem maior diversidade de microrganismos e maior abundância de bactérias associadas à produção de compostos benéficos para o metabolismo e para a saúde intestinal.
Uma das pesquisas mais conhecidas da área, publicada na revista científica Gut, observou que atletas de elite apresentavam maior diversidade da microbiota intestinal em comparação com indivíduos sedentários.
Ao mesmo tempo, o próprio exercício físico parece ser capaz de modificar a composição da microbiota.
Treinos regulares influenciam fatores como metabolismo, fluxo sanguíneo intestinal e disponibilidade de nutrientes para os microrganismos, favorecendo o crescimento de algumas espécies e reduzindo outras.
“Atualmente sabemos que a relação entre microbiota e atividade física funciona como uma via de mão dupla. O exercício influencia a composição da microbiota, e a microbiota, por sua vez, pode impactar processos biológicos importantes para o desempenho, a recuperação e a adaptação aos treinos”, explica a nutricionista.
Qual a importância do sequenciamento genético?
À medida que cresce o interesse científico pelo tema, também avançam as tecnologias capazes de compreender esse ecossistema com maior profundidade.
Por meio do sequenciamento de nova geração (NGS), é possível analisar o material genético dos microrganismos presentes no intestino e identificar centenas de espécies bacterianas, avaliando aspectos como diversidade, abundância e possíveis relações com diferentes características da saúde.
Na prática, essas análises ajudam profissionais de saúde a compreender melhor como cada organismo responde a fatores como alimentação, atividade física e estilo de vida, contribuindo para estratégias mais individualizadas de acompanhamento.
“No contexto esportivo, compreender o perfil da microbiota pode trazer informações complementares sobre fatores relacionados ao metabolismo, recuperação e adaptação ao exercício. Não existe uma microbiota ideal para todos, mas existe a possibilidade de entender melhor as características biológicas de cada indivíduo”, afirma a especialista.
Muito além do esporte
Como o interesse dos atletas tem ajudado a popularizar o tema, a microbiota vem despertando atenção em diversas áreas da medicina. Hoje, pesquisadores investigam sua relação com obesidade, diabetes, saúde cardiovascular, imunidade, saúde mental e longevidade.
Ainda estamos longe de prescrever programas de exercício baseados exclusivamente no perfil microbiano de uma pessoa, mas uma mensagem já é clara: cuidar da saúde intestinal pode ser mais um componente importante para quem busca bem-estar, saúde e desempenho físico. Afinal, o que acontece dentro do intestino parece ter muito mais impacto sobre o corpo do que imaginávamos há alguns anos.
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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/como-a-saude-intestinal-pode-influenciar-o-desempenho-esportivo/
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