sexta-feira, 3 de julho de 2026

Depois dos 40, treinar força faz mais diferença do que muita gente imagina

Por muito tempo, emagrecer foi associado a exercícios de cardio, dietas e aquela relação de amor e ódio com a balança. Mas, um estilo de treino passou despercebido pelas mulheres e agora a ciência está cada vez mais o destacando nos processos de emagrecimento: o treino de força.

O treino de força pode ser uma das estratégias mais eficientes para perder gordura corporal com saúde, especialmente após os 40 anos e durante a menopausa.

“Nessa fase da vida, a musculação vai melhorar a composição corporal. O músculo sustenta os nossos ossos. E o maior risco da mulher na menopausa, junto com as doenças cardiovasculares e o câncer, é a osteoporose. Então eu sempre indico iniciar ou continuar a musculação”, explica a Dra. Ana Paula Fabricio, ginecologista com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).

O também ginecologista Dr. Igor Padoves complementa que a recomendação mais atual é que se a mulher tiver que escolher um tipo de modalidade para praticar, que ela escolha a musculação ou treinos de resistência.

“Qualquer atividade física é benéfica, tem benefício cardiovascular, tem inúmeras outras vantagens e benefícios comprovados, porém se a mulher quiser fazer exercício aeróbico, que também é ótimo, o ideal seria associá-lo com treinos de resistência; e se tiver que escolher um tipo de atividade física seria treino de resistência”, pontua o profissional.

Treino de força é um grande aliado no processo de emagrecimento sim!

Dra. Ana Paula Fabricio explica que, mais do que “ganhar músculos”, exercícios resistidos, como musculação, pilates com carga, treinamento funcional e exercícios com peso corporal, promovem adaptações metabólicas importantes que favorecem o emagrecimento e ajudam a combater os efeitos hormonais típicos dessa fase da vida.

Continua após a publicidade

“A mulher costuma procurar o exercício pensando apenas em gastar calorias naquele momento, mas o treino de força vai muito além disso. Ele ajuda a preservar e aumentar a massa muscular, que é metabolicamente ativa. Quanto mais músculo a pessoa tem, maior tende a ser o gasto energético ao longo do dia”, explica a médica.

Utilizar peso no abdominal queima mais calorias?

A recomendação e adicionar dois ou mais dias de exercícios de fortalecimento muscular por semana a fim de combater a perda muscular relacionada à idade e aumentar a densidade mineral óssea, é o ideal. Para o Dr. Nélio Veiga Junior, ginecologista pós-doutorando em Menopausa, o treinamento de equilíbrio ajuda a evitar quedas e consequentes fraturas como yoga, tai chi e pilates oferecem suporte comprovado.

Treino de força: também aliado na menopausa

Isso ganha ainda mais relevância durante a menopausa. Com a queda do estrogênio, é comum ocorrer aumento da gordura abdominal, perda progressiva de massa magra, redução da força física e maior resistência à insulina.

“O resultado pode ser um metabolismo mais lento, maior dificuldade para emagrecer e alterações na composição corporal mesmo sem grandes mudanças na alimentação”, diz a Dra. Ana.

Continua após a publicidade

Outro ponto relevante é que, na menopausa, é comum que a mulher perca massa muscular de forma acelerada, fenômeno conhecido como sarcopenia.

“Essa perda vai além da estética e impacta diretamente o metabolismo, a mobilidade, a saúde óssea e até o risco cardiovascular”, diz. Nesse cenário, o treino de força funciona quase como um “freio biológico” contra parte dessas mudanças. “Além de aumentar o gasto calórico indireto, ele melhora a sensibilidade à insulina, favorece o controle glicêmico, reduz processos inflamatórios associados ao excesso de gordura visceral e contribui para maior autonomia física ao longo do envelhecimento”, diz.

Quais são os melhores exercícios para quem está na menopausa?

Cuidado da mulher de forma completa

Além disso, o exercício é benéfico em diversos aspectos para a saúde da mulher, segundo a ginecologista Dra. Patricia Magier, criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada.

“As mulheres que sempre fizeram atividade física têm mais bem-estar, menos impacto emocional, melhoram a saúde, a questão neurológica por causa da produção dos neurotransmissores, melhoram a qualidade do sono”, diz Patricia. “A atividade física é muito boa para a saúde global, da mulher, em qualquer fase da vida, inclusive da menopausa”, completa.

Continua após a publicidade

Com relação ao emagrecimento, a Dra. Ana reforça que ele não deve ser medido apenas pelo peso na balança.

“Mulheres que fazem musculação regularmente podem apresentar mudanças significativas na composição corporal mesmo sem grandes oscilações no peso total. Às vezes a paciente se frustra porque perdeu poucos quilos, mas reduziu medidas, ganhou definição corporal, melhorou exames laboratoriais e diminuiu gordura abdominal. O corpo muda de forma diferente quando há preservação e ganho muscular”, ressalta a especialista.

Academia é bom para ansiedade?

Melhor qualidade de vida e saúde mental

Além dos benefícios metabólicos, o treino de força também está associado à melhora da saúde mental e da qualidade de vida, segundo a médica.

“Há evidências de redução de sintomas de ansiedade, melhora do sono, da disposição e da autoestima, fatores frequentemente impactados durante a menopausa”, explica a ginecologista Dra. Patricia.

Continua após a publicidade

Apesar disso, muitas mulheres ainda evitam a musculação por medo de “ficar muito musculosa”, percepção considerada ultrapassada. “O ganho excessivo de massa muscular depende de fatores hormonais e genéticos específicos, além de rotina intensa de treinamento e alimentação direcionada”, comenta.

Na prática, o que costuma acontecer é justamente o oposto: um corpo mais funcional, fortalecido e metabolicamente mais eficiente. Porém, não existe fórmula única.

O ideal é que o treino seja individualizado, respeitando idade, condicionamento físico, presença de dores, doenças associadas e objetivos de cada paciente. A combinação entre exercícios resistidos, alimentação adequada, sono de qualidade e acompanhamento médico com prescrição de terapia de reposição hormonal tende a trazer resultados mais consistentes e sustentáveis.

“Emagrecer não deveria significar apenas perder peso rapidamente, mas preservar saúde, funcionalidade e qualidade de vida. E o treino de força hoje é uma das ferramentas mais importantes nesse processo, principalmente para mulheres acima dos 40 anos”, conclui a médica.

Acompanhe o nosso WhatsApp

Quer receber as últimas dicas e matérias incríveis de Boa Forma direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

Publicidade



source https://boaforma.abril.com.br/movimento/depois-dos-40-treinar-forca-faz-mais-diferenca-do-que-muita-gente-imagina/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Depois dos 40, treinar força faz mais diferença do que muita gente imagina

Por muito tempo, emagrecer foi associado a exercícios de cardio, dietas e aquela relação de amor e ódio com a balança. Mas, um estilo de tre...