Duas pessoas podem seguir a mesma dieta, praticar a mesma atividade física e até utilizar o mesmo medicamento para emagrecimento, mas apresentar resultados completamente diferentes. Embora hábitos de vida sejam fundamentais, parte dessa diferença pode estar escrita no DNA.
O interesse por ferramentas capazes de compreender essas diferenças individuais cresce em um cenário preocupante. Dados do Vigitel 2024 mostram que 62,6% dos brasileiros apresentam excesso de peso e 25,7% vivem com obesidade. Além disso, quatro em cada dez adultos têm colesterol alto, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Nesse contexto, começam a chegar ao mercado exames genéticos voltados à saúde metabólica. Um exemplo é o Alta Metabolic, painel lançado pelo Alta Diagnósticos e em parceria com Genera, marcas da Dasa, que analisa variantes genéticas relacionadas ao metabolismo, ao controle do peso e à resposta individual a diferentes estratégias de emagrecimento, incluindo medicamentos à base de agonistas do receptor de GLP-1.
O teste também reúne marcadores associados ao gasto energético, à absorção de gorduras, ao risco de obesidade e à resposta do organismo à prática de atividade física, contribuindo para uma avaliação mais personalizada do perfil metabólico.
Segundo o endocrinologista do Alta Diagnósticos Adriano Cury, fatores genéticos influenciam desde a forma como o organismo armazena gordura até a resposta aos tratamentos para perda de peso.
“Hoje sabemos que pessoas com o mesmo diagnóstico de obesidade podem responder de maneiras muito diferentes ao tratamento. A genética ajuda a compreender essas diferenças e permite que o médico personalize melhor a estratégia terapêutica para cada paciente”, explica.
A genética influencia o metabolismo?
Sim. Diversas variantes genéticas estão relacionadas ao funcionamento do metabolismo, ao gasto energético, ao armazenamento de gordura e até à sensação de saciedade.
Essas características podem aumentar ou reduzir a predisposição ao ganho de peso e também interferir na facilidade para emagrecer, mesmo quando há mudanças na alimentação e na prática de exercícios. Além disso, estudos recentes mostram que determinados marcadores genéticos também podem estar associados à resposta aos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.
O DNA também pode influenciar o colesterol
A genética exerce papel importante não apenas o controle do peso, mas também os níveis de colesterol. Uma pesquisa publicada na revista científica Human Genetics, que analisou mais de 19 mil brasileiros, identificou que apenas 27% das pessoas com menor risco genético apresentavam colesterol elevado. Entre aqueles com maior predisposição genética, esse percentual chegou a 74%.
Os resultados reforçam que fatores hereditários podem aumentar significativamente o risco de alterações metabólicas, mesmo em pessoas que adotam hábitos saudáveis.
Como os testes genéticos podem ajudar?
Os testes genéticos voltados à saúde metabólica analisam variantes do DNA relacionadas ao metabolismo, ao controle do peso e ao risco de obesidade.
Alguns painéis mais recentes também avaliam marcadores associados ao metabolismo de gorduras, ao gasto energético, à predisposição ao acúmulo de gordura corporal e à possibilidade de uma resposta mais favorável ou menos favorável a determinadas estratégias terapêuticas para perda de peso.
Essas informações permitem que o médico compreenda melhor o perfil biológico de cada paciente e personalize condutas de prevenção e tratamento.
Medicina mais personalizada
De acordo com o médico doutor em genética e fundador de Genera, Ricardo Di Lazzaro, o avanço da genômica tem permitido compreender melhor por que cada organismo reage de forma diferente aos mesmos tratamentos.
“Conhecer o perfil genético ajuda o paciente a entender melhor o próprio metabolismo e reduz a frustração causada pela comparação com outras pessoas. A proposta é tornar o cuidado mais individualizado e baseado em evidências científicas”, afirma.
Na prática, esse tipo de avaliação integra o conceito da medicina de precisão, que utiliza informações genéticas para auxiliar médicos, endocrinologistas e nutrólogos na definição de condutas mais adequadas para cada paciente, sempre em conjunto com avaliação clínica, alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e acompanhamento profissional.
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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/pessoas-emagrecem-mais-facilmente/
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