terça-feira, 14 de julho de 2026

Treinar pouco não significa treinar mal; veja como aproveitar cada minuto

Para quem possui uma rotina repleta de compromissos, seja no trabalho ou em casa, a falta de tempo tende a interferir nos treinos, até mesmo não encontrando um momento no dia para se movimentar.

Mas, se você consegue entre 20 e 30 minutos do seu dia para praticar uma atividade física, a ciência do exercício comprova que treinos curtos funcionam – e muito! 

O médico do esporte Carlos Ulloa, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife, pontua que o mais importante não é o tempo de duração do exercício e sim a qualidade do estímulo.

“Quando o treino é bem planejado e executado com a intensidade, o volume e a execução adequados, sessões mais curtas também podem contribuir para o ganho de força, melhorar o condicionamento físico e a massa muscular. Daí a importância de buscar orientação de um profissional de educação física qualificado para te ajudar nessa missão”, explica 

Ou seja, se o tempo é a questão para você não praticar atividade física, algumas estratégias podem agilizar o seu tempo na academia e ainda ajudar você a alcançar seus objetivos. Veja quais são elas:

HIIT

O treino intervalado de alta intensidade alterna períodos curtos de esforço máximo com recuperação, sendo uma opção interessante para quem busca um alto gasto calórico em pouco tempo.

O método Tabata, por exemplo, sugere 20 segundos de esforço total, pode ser na esteira, na escada, corda ou polichinelo, e 10 segundos de descanso, repetidos por oito rodadas, que somam só 4 minutos.

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Mas há outros benefícios envolvidos. Um estudo da Universidade do Texas, divulgado pelo American College of Sports Medicine, mostrou que um treino de bike de apenas 2 minutos (30 tiros de 4 segundos) melhorou significativamente o condicionamento e a capacidade anaeróbica após 8 semanas.

As pesquisas sobre o HIIT não param por aí: um ensaio clínico randomizado publicado na PLOS ONE também mostrou que o HIIT pode ser tão eficaz quanto o treino contínuo moderado para aptidão cardiorrespiratória e sensibilidade à insulina, com volume e tempo de exercício 5 vezes menor.

“Apenas é importante que a pessoa tenha uma boa consciência corporal e já seja mais experiente com treinos para não se lesionar”, orienta o especialista.

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Bi-set

Consiste em fazer dois exercícios em sequência, sem pausa, para o mesmo grupo muscular ou para músculos antagonistas (peito e costas, bíceps e tríceps). O descanso vem só depois da dupla.

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“Ao eliminar o intervalo entre os movimentos, aumentam o tempo sob tensão e o estresse metabólico, dois importantes estímulos para a hipertrofia”, explica Ulloa.

Protocolos comuns usam 2 a 4 rodadas com 8 a 15 repetições por exercício, e 30 segundos a 2 minutos de descanso após o par.

Além disso, evidências científicas sugerem que a estratégia pode aumentar a eficiência do treino. De acordo com uma revisão sistemática publicada na revista Sports Medicine, os supersets (bi-sets e tri-sets) permitem manter volumes e números de repetições semelhantes aos do treinamento convencional, mas com sessões mais curtas e melhor aproveitamento do tempo.

Treino bi-set para turbinar as coxas

 

Tri-set

É o mesmo princípio do bi-set, mas com três exercícios encadeados para o mesmo grupo muscular, trabalhando ângulos diferentes antes do descanso. Por exemplo, três variações de exercícios para os ombros, três variações para os bíceps e três para o peito na mesma sessão. Assim, trabalha-se mais os músculos em menos tempo.

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O resultado é um estímulo mais completo das fibras musculares, favorecendo o ganho de força e hipertrofia.

“Por ser mais exigente, costuma ser indicado para quem já tem nível intermediário ou avançado e domina a técnica de cada exercício isoladamente”, coloca o médico do esporte.

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Drop set

Aqui a proposta é fazer repetições até próximo à falha, então, reduzir um pouco a carga e continuar até fadigar de novo, podendo repetir o processo sem descanso. A estratégia prolonga o tempo sob tensão e aumenta o estresse metabólico dentro de uma única série.

Por exemplo, após realizar uma série de rosca direta com 12 kg até próximo da falha, a pessoa reduz a carga para 8 kg e continua o exercício, podendo fazer uma nova redução para 6 kg logo em seguida e mais repetições.

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“Como o drop set leva o músculo a um maior nível de fadiga, recomendo usá-lo com moderação, especialmente em treinos de alta frequência semanal, para não comprometer a recuperação do músculo”, orienta Ulloa.

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Rest-pause

A técnica consiste em fazer pausas bem curtas (10 a 20 segundos) dentro da mesma série, levando o músculo à falha mais de uma vez antes do descanso completo.

Por exemplo: a pessoa realiza 10 repetições, descansa 10 a 20 segundos e faz mais algumas repetições com a mesma carga, repetindo o processo antes do descanso completo.

Assim, é possível aumentar o volume de treino e o recrutamento muscular sem precisar realizar várias séries completas com intervalos tradicionais.

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Um trabalho publicado na Applied Physiology, Nutrition and Metabolism comparou rest-pause, drop set e treino tradicional, e concluiu que os três métodos geram adaptações similares de força e hipertrofia, com o rest-pause apresentando ligeira vantagem para ganho de força. Portanto, se esse é o seu foco, trate de incluir no seu treino.

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Veja também cuidados essenciais antes de realizar esses tipos de treinos

  1. É recomendável realizar um aquecimento dinâmico prolongado, pois começar a atividade com os músculos frios aumenta o risco de distensões ou lesões musculares.
  2. Em caso de histórico de hipertensão, problemas cardíacos ou asma, realize uma avaliação médica prévia, já que esse tipo de treinamento pode levar a frequência cardíaca a níveis equivalentes a 85%–95% da capacidade máxima.
  3. É importante priorizar a execução correta dos movimentos e não a velocidade.
  4. Também é fundamental prestar atenção aos sinais do corpo. A dor muscular associada ao esforço é normal, mas dores articulares, aperto no peito, tonturas intensas ou visão turva exigem atenção.
  5. Recomenda-se limitar essas sessões a duas ou três vezes por semana, alternando-as com dias de descanso ou com atividades cardiovasculares de baixa intensidade.
  6. Ao finalizar, é importante realizar um desaquecimento. Caminhar entre 5 e 7 minutos favorece o retorno gradual do sangue ao coração e ajuda a reduzir o risco de síncope ou hipotensão após o esforço.
  7. Em relação à nutrição e à hidratação, convém evitar treinar em jejum quando não há adaptação prévia a essa prática. A alta intensidade consome glicogênio rapidamente, e a falta de energia pode favorecer o surgimento de tonturas, náuseas ou quedas da pressão arterial. Além disso, uma hidratação adequada com bebidas que forneçam eletrólitos e carboidratos pode contribuir para a manutenção do desempenho durante o treino.

 

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source https://boaforma.abril.com.br/movimento/treinar-pouco-nao-significa-treinar-mal-veja-como-aproveitar-cada-minuto/

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