Correr parece simples. Basta colocar um pé na frente do outro e sair, certo? Para Fabiana Murer, não exatamente.
Ex- atleta olímpica, e campeã mundial do salto com vara, formada em fisioterapia e especialista em aparelho locomotor no esporte, ela transformou sua experiência no alto rendimento em uma metodologia voltada para corredores: o Método Murer de Prevenção e Treinamento.
A proposta é ensinar o corpo a se movimentar melhor, com mais eficiência, amplitude e menor risco de sobrecarga durante a corrida.
Técnica antes de volume
Segundo Fabiana, um dos grandes erros de quem corre é acreditar que evolução vem apenas de aumentar distância, ritmo ou intensidade. No método, a técnica entra como ponto de partida.
“Às vezes, a pessoa acha que precisa correr mais, mas antes ela precisa aprender a correr melhor. Quando a mecânica não está boa, o corpo gasta mais energia e sofre mais impacto”, explica.
Na prática, isso aparece em detalhes que muitos corredores ignoram, como postura, movimentação dos braços, posição do pé e controle do corpo durante a passada.
O erro da pisada pesada
Um dos pontos que mais chamam atenção no método é a forma como o pé toca o chão. Fabiana observa que muitos corredores fazem uma pisada “chapada”, pesada, como se o pé entrasse reto demais no solo, gerando barulho e impacto.
“Quando a pessoa corre fazendo muito barulho, isso já mostra que alguma coisa na mecânica pode estar errada. A corrida precisa ser mais leve, mais econômica.”, avalia.
Esse ajuste não é apenas estético. Uma pisada mais controlada ajuda a reduzir sobrecargas e melhora a eficiência do movimento, algo essencial tanto para performance quanto para prevenção de lesões.
Constância também é treino
Outro pilar do Método Murer é a constância. Fabiana lembra que, no alto rendimento, passou períodos repetindo a mesma rotina de treino por semanas, justamente para consolidar o movimento.
“Tem gente que quer mudar o treino toda hora, mas o corpo precisa de repetição para aprender. Eu já fiquei três semanas fazendo praticamente a mesma rotina, porque era aquilo que precisava ser ajustado naquele momento”, conta.
A lógica é simples: repetir não significa treinar no automático. Significa dar tempo para o corpo absorver a técnica, corrigir padrões e evoluir com segurança.
Prevenção antes da dor
No Método Murer, prevenir lesões não é algo que começa quando aparece uma dor. É parte do treino desde o início.
“O cuidado principal é não esperar machucar para corrigir. Se a pessoa corre sempre com uma mecânica ruim, uma hora o corpo vai reclamar”, afirma.
Por isso, o método trabalha força, postura, mobilidade, coordenação e educativos de corrida. A ideia é preparar o corpo para suportar melhor o impacto repetido da modalidade.
O lado mental da corrida
Apesar da base técnica, Fabiana também reforça que o mental tem papel importante. Com alunos desmotivados ou inseguros, ela costuma compartilhar experiências da própria carreira, incluindo lesões, frustrações e momentos difíceis.
“Eu gosto de mostrar que eu também passei por isso. Não é porque eu fui atleta de alto rendimento que tudo foi fácil. Todo mundo tem medo, insegurança, fase ruim. O importante é entender que isso faz parte do processo”, diz.
Essa troca ajuda a aproximar o método da realidade de quem corre, seja iniciante ou atleta experiente.
Correr precisa fazer sentido
Entre as orientações mais importantes de Fabiana, uma foge da técnica e entra na relação com o esporte: correr precisa ser prazeroso.
“Tem que ser feliz correndo. Não adianta correr porque alguém mandou, porque virou obrigação ou porque você acha que precisa. A pessoa precisa encontrar um motivo dela”, afirma.
No fim, o Método Murer propõe uma mudança de olhar: correr melhor não é necessariamente correr mais. É correr com mais consciência, mais leveza e mais constância.
A corrida é realmente para todo mundo?
source https://boaforma.abril.com.br/movimento/metodo-murer-para-evoluir-na-corrida/
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