Cada vez mais, pesquisas mostram o crescimento da corrida de rua no Brasil e no mundo. A mais recente veio do Relatório Anual sobre Tendências do Esporte da Strava. De acordo com o relatório, a modalidade se tornou o esporte mais praticado no mundo.
E, o Brasil ocupa a segunda posição global em número de corredores registrados em aplicativos esportivos e que os clubes de corrida cresceram 109% no país, reforçando a consolidação da prática como parte da rotina de saúde, bem-estar e socialização da população.
Tanta popularidade para a corrida de rua traz também diversas questões relacionadas ao condicionamento e cuidados com o corpo para evitar lesões. Entre elas, a dúvida de todo o corredor: afinal, correr faz mal para o joelho?
Como corredora amadora que sou, dentro da minha experiência na corrida, o que aprendi foi que, a corrida faz mal para o joelho desde que você não tenha o preparo, fortalecimento e orientação profissional para a corrida. Mas, melhor que eu escrevendo aqui, é trazer um especialista para falar do assunto.
“Existe um medo histórico de que a corrida ‘desgaste’ os joelhos, mas a ciência mostra que essa relação não é tão simples. Quando praticada com orientação, progressão adequada e preparo físico, a corrida pode ser uma grande aliada da saúde das articulações. O problema não é correr, mas correr sem preparo, ignorando sinais do corpo e sem orientação profissional”, explica o médico ortopedista, parceiro da Zimmer Biomet, Dr. Guilherme Morgado Runco.
Corrida faz mal para o joelho: mito ou verdade
A crença de que a corrida faz mal para o joelho não encontra respaldo nas evidências científicas mais recentes.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, acompanhou corredores e não corredores durante 21 anos para avaliar o desenvolvimento de osteoartrite, dor e incapacidade física ao longo do envelhecimento.
A pesquisa mostrou que não houve aumento do risco de osteoartrite entre corredores em comparação com não corredores e que, ao longo das duas décadas de acompanhamento, os praticantes regulares apresentaram menor prevalência de incapacidade física, menor risco de dor crônica e melhor mobilidade ao longo da vida.
Após 21 anos, a incidência de incapacidade física foi de 15% entre corredores, contra 32% entre não corredores — uma redução aproximada de 53% no risco de incapacidade física.
Segundo o Dr. Guilherme Morgado Runco, esses dados ajudam a mudar a forma como a corrida deve ser encarada pela população.
“O movimento é essencial para a saúde das articulações. A cartilagem não tem vasos sanguíneos próprios e depende da movimentação para receber nutrientes. Quando corremos de forma adequada, estimulamos a lubrificação articular, fortalecemos músculos estabilizadores e contribuímos para a manutenção da mobilidade ao longo do envelhecimento. Ou seja, a corrida pode ser parte da prevenção e não da causa de problemas articulares.”
Quando a corrida protege as articulações
O especialista explica que a prática regular da corrida gera adaptações importantes no sistema musculoesquelético. Ao longo do tempo, ocorre fortalecimento da musculatura responsável por estabilizar joelhos e quadris, melhora da densidade óssea e maior eficiência do sistema de absorção de impacto do corpo. Além disso, a corrida contribui para o controle do peso corporal, fator diretamente ligado à sobrecarga das articulações.
“Cada quilo a mais representa múltiplas vezes essa carga sobre o joelho durante a corrida. Quando a pessoa corre com orientação e progressão adequada, ela fortalece o corpo para lidar com o impacto e ainda reduz um dos principais fatores de risco para desgaste articular, que é o excesso de peso. Por isso, a corrida pode atuar como ferramenta de prevenção e promoção de saúde”, afirma.
Quando a dor precisa ser investigada
Apesar dos benefícios, a corrida exige atenção aos sinais do corpo. O aumento abrupto da carga de treino, técnica inadequada, uso de calçados impróprios, desequilíbrios musculares e histórico prévio de lesões podem aumentar o risco de dor e lesões.
O ortopedista ressalta que a dor persistente não deve ser normalizada. “Existe uma diferença importante entre desconforto adaptativo, comum no início da prática, e dor persistente, que limita o movimento ou piora com o tempo. Quando ignoramos esses sinais, pequenas sobrecargas podem evoluir para lesões mais complexas. A avaliação médica precoce permite identificar a causa, ajustar o treino e evitar a progressão do problema.”
Ele reforça que informação de qualidade é essencial para que mais pessoas possam se beneficiar da corrida com segurança. “O conhecimento empodera o paciente. Entender como o corpo responde ao exercício, respeitar a progressão e buscar orientação profissional permite que a corrida seja uma prática segura e sustentável ao longo da vida”, conclui Dr. Guilherme Morgado Runco.
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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/blog-do-corre/mito-ou-verdade-corrida-faz-mal-para-o-joelho/
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