domingo, 3 de maio de 2026

Rucá: proteína vegetal com proposta de alimento completo

A ideia de transformar um suplemento em algo que se comporta como alimento não é exatamente nova. Mas, na prática, ela ainda encontra resistência, principalmente quando o assunto é proteína vegetal.

Textura arenosa, sabor artificial e aquele gosto residual típico de adoçante continuam sendo barreiras reais para quem tenta manter o consumo no dia a dia. É justamente nesse ponto que a Rucá tenta se posicionar.

Criada pelos empreendedores Lorenzo Mina, Maurício Cosentino e Guilherme Cruz, a marca brasileira surge com uma proposta que vai além da tabela nutricional: construir um produto que seja funcional, mas que também dê vontade de consumir.

Na fórmula, isso aparece com clareza. Cada porção entrega 16 g de proteína vegetal e 16 g de fibras, combinando fontes como ervilha, arroz e aveia com ingredientes que fogem do padrão da categoria, como castanha-do-Brasil e frutas liofilizadas, jabuticaba, amora e framboesa. Há ainda um mix funcional com açaí, banana, cenoura, beterraba, gengibre e cúrcuma.

A construção é pensada para ser mais ampla do que a lógica tradicional de suplemento. Em vez de isolar nutrientes, a Rucá tenta entregar um alimento completo, com impacto nutricional e sensorial.

O maior desafio: fazer proteína vegetal ser, de fato, gostosa

Se a proposta parece simples no papel, a execução é mais complexa.

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Segundo Maurício Cosentino, um dos fundadores da marca, o maior desafio esteve justamente no equilíbrio entre nutrição, sabor e viabilidade de mercado.

“Proteína vegetal é muito difícil de trabalhar o sensorial. A gente perdeu muito tempo até realmente encontrar essa resposta, que veio através das frutas”, conta.

A decisão de não utilizar adoçantes artificiais elevou ainda mais o nível de dificuldade. Em vez disso, a marca optou por adoçar o produto naturalmente, usando frutas liofilizadas, escolha que impacta diretamente no custo.

“Ingredientes naturais e de qualidade têm um custo muito alto. A gente precisou equilibrar muito bem o que queria entregar com o que era viável no mercado”, explica Maurício.

Esse processo de ajuste entre qualidade, sabor e preço foi central durante o desenvolvimento, que levou cerca de seis meses e envolveu uma série de testes até chegar à versão final.

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Constância não vem da obrigação, vem do prazer

Se existe um conceito que sustenta a proposta da Rucá, é o de constância.

A marca parte de uma leitura simples: produtos saudáveis só funcionam quando são incorporados à rotina, e isso só acontece quando existe prazer no consumo.

“Para a pessoa manter o consumo no dia a dia, ela precisa gostar do produto. Não adianta ser saudável se não for prazeroso”, afirma Maurício.

Para viabilizar isso, a Rucá aposta na versatilidade. O produto pode ser preparado com água, leite, frutas ou incorporado em receitas, o que amplia as possibilidades e evita a repetição.

Essa flexibilidade não é apenas um detalhe, é estratégia. Ao permitir diferentes formas de cons

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umo, a marca reduz o risco de saturação, um dos principais motivos de abandono em produtos dessa categoria.

Duas mãos seguram uma tigela de cerâmica marrom com iogurte de frutas vermelhas, uma colher com cabo amarelo retira uma porção
Rucá misturada com leite, em textura cremosa.Rucá/Divulgação

Uma proposta que vai além do suplemento

Outro ponto importante está na forma como a Rucá se apresenta.

Ao evitar o rótulo de suplemento, a marca amplia seu público. Enquanto suplementos ainda são associados a quem treina ou busca performance, alimentos são universais.

“Todo mundo consome alimento, mas nem todo mundo consome suplemento”, explica Maurício. “Quando a gente fala de alimento, a gente abre o público.”

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Essa mudança também responde a um comportamento crescente, o cansaço com produtos excessivamente artificiais. O gosto de adoçante, frequentemente citado como um problema, é uma das principais barreiras de entrada para novos consumidores.

Nesse sentido, a Rucá tenta ocupar um espaço intermediário entre o funcional e o cotidiano.

Um produto novo exige um novo tipo de explicação

Se desenvolver a fórmula foi um desafio, levá-la ao mercado tem sido outro.

Por não se encaixar perfeitamente em categorias já conhecidas, a Rucá exige um esforço maior de comunicação. Não basta apresentar o produto, é preciso explicar o que ele é.

“É um produto novo, uma classe nova, um produto que foi inventado. Não é algo que já existe, que as pessoas já tenham familiaridade. Então a gente vê muito essa dificuldade de realmente explicar para as pessoas, educar as pessoas”, diz Maurício.

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Além disso, há o desafio estrutural de crescimento. Com alta demanda inicial e produção limitada, a marca precisou definir prioridades e organizar sua expansão com cuidado.

“A operação começa de verdade depois que o produto fica pronto. É quando você precisa estruturar tudo para crescer sem perder qualidade”, completa.

Rucá Superalimento Brasileiro

Embalagem rosa e roxa de suplemento RUA, com proteínas vegetais de arroz, ervilha e castanha-do-brasil, 16g de proteínas e fibras por porção, sem adição de açúcares, rico em vitaminas B3, B6, B7 e B12

Superalimento proteico plant-based, com pedacinhos de jabuticaba, framboesa, amora e morango.

Na prática: como consumir a Rucá no dia a dia

Um dos pontos mais interessantes do produto é justamente a sua aplicação prática.

Além do consumo tradicional, como bebida, a Rucá pode ser incorporada em receitas, o que reforça a proposta de alimento.

Uma das sugestões desenvolvidas pela nutricionista Ana Victória Takahashi é a panqueca de Rucá com chocolate branco, que transforma o produto em uma refeição completa.

Panqueca de Rucá com chocolate branco

Ingredientes:

  • 2 colheres de sopa de Rucá
  • 1 ovo
  • 3 colheres de sopa de iogurte natural
  • 3 colheres de sopa de farinha de aveia ou arroz
  • 1 colher de café de adoçante em pó
  • 1 colher de café de fermento
  • Chocolate branco a gosto

Modo de preparo 

  1. Misture a Rucá, o ovo, o iogurte, a farinha e o adoçante até formar uma massa homogênea.
  2.  Adicione o chocolate branco e o fermento.
  3.  Despeje em uma frigideira pré-aquecida e untada, em fogo médio.
  4.  Quando a massa crescer, vire para dourar o outro lado.
  5.  Finalize com morangos e mais chocolate branco.

Rende uma panqueca grande ou porções menores.

Vale a pena?

A Rucá não reinventa a nutrição funcional, mas propõe uma mudança importante na forma como ela é consumida.

Ao priorizar sabor, textura e versatilidade, o produto tenta resolver um problema antigo da categoria, a dificuldade de transformar intenção em hábito.

Se vai substituir completamente suplementos tradicionais, ainda é cedo para dizer. Mas, ao se posicionar como alimento, e não como obrigação, a marca se aproxima mais da realidade do consumo.

No fim, a pergunta não é apenas se o produto funciona, e sim se ele cabe na rotina. E é exatamente nesse ponto que a Rucá aposta.

O que observar no rótulo antes de escolher um suplemento proteico?

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source https://boaforma.abril.com.br/alimentacao/ruca-proteina-vegetal/

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