Que exercício físico é um grande aliado para melhorar a qualidade de vida e reduzir dores, isso já não é novidade. Mas, quando se trata da relação entre atividade física e enxaqueca, também é verdade, mas com algumas ressalvas.
De acordo com o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), o exercício não é apenas aliado: ele é parte ativa do tratamento. O exercício diminui a dor e ajuda no controle da doença, principalmente o exercício aeróbico. E funciona como tratamento.
“Mas quando o paciente está com dor moderada e com a doença crônica, o exercício pode passar a ser um gatilho e o paciente muitas vezes precisa tomar remédio para fazer atividade física. Com o tratamento adequado para a enxaqueca nesses pacientes, o exercício é liberado de forma progressiva e será sempre útil para auxiliar no tratamento da enxaqueca”, acrescenta o médico.
A literatura científica reforça essa visão de que treinos aeróbicos moderados, realizados com regularidade, reduzem a frequência e a intensidade das crises.
“Parte desse efeito vem da liberação mais estável de neurotransmissores envolvidos na modulação da dor, como endorfinas e serotonina, além de melhorias na qualidade do sono e na regulação do humor, fatores que também influenciam a enxaqueca”, destaca o médico.
O diagnóstico é muito importante
Mas a atividade física não é um tratamento isolado para a enxaqueca.
“A doença precisa ser diagnosticada e tratada por um neurologista que entenda a condição. Hoje, temos medicamentos como anticorpos monoclonais, considerados de primeira-linha para a enxaqueca. Eles bloqueiam o efeito do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), que contribui para a inflamação e transmissão de dor e está presente em maiores níveis em pacientes com enxaqueca”, detalha o neurologista.
E continha: “Em pacientes com enxaqueca crônica mais grave, a combinação da toxina botulínica com os anti-CGRPs tem se mostrado mais eficaz do que o uso isolado dessas terapias”, diz. “Com a evolução esperada do tratamento, a atividade física ajudará a promover qualidade de vida e diminuir as crises do paciente”.
Entenda seus limites
O profissional pontua que sinais como piora progressiva da dor durante o treino, náusea desproporcional, sensibilidade à luz e sensação de pressão na cabeça exigem pausa imediata.
“Já a retomada gradual, guiada por profissionais de saúde, ajuda a reintroduzir o exercício sem risco de agravar as crises”, diz o médico.
As recomendações gerais preconizam a inclusão de exercícios aeróbicos moderados, como caminhada rápida, bicicleta ou natação, evitando treinos intensos em dias com dor prévia.
“Também é necessário manter a hidratação adequada antes, durante e depois da atividade, estabelecer rotina de sono e alimentação estáveis e ajustar o ambiente de treino para minimizar estímulos sensoriais, como luz intensa ou música muito alta”, comenta o médico.
A mensagem central, segundo o Dr. Tiago, é que a relação entre exercício e enxaqueca é essencialmente positiva, desde que manejada com orientação adequada. “Com o tratamento correto e planos de treino ajustados, a atividade física deixa de ser uma ameaça e volta a ser um recurso terapêutico potente”, finaliza o neurologista.
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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/atividade-fisica-e-enxaqueca-quando-o-exercicio-faz-bem-e-quando-deve-ser-evitado/
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