Atualmente, a obesidade atinge quase dois bilhões de adultos em todo o mundo. A condição crônica está associada ao aumento do risco de morbidade e mortalidade prematura. Há diversos programas de emagrecimentos, que oferecem suporte para dietas e a prática de atividades físicas. Porém, uma queixa é frequente entre alguns pacientes: o reganho de peso.
A nutricionista Mestre pelo Centro Universitário São Camilo, Adriana Stavro, explica que no reganho de peso , o organismo tende a “resistir” à perda ponderal e a retornar ao estado anterior.
“O corpo possui um sistema regulador de fome e saciedade, mediado por adaptações hormonais, que se ajusta ao maior peso previamente alcançado. Uma vez estabelecida a obesidade, esse mecanismo passa a modular a ingestão calórica de forma a sustentar esse peso corporal”, comenta.
Regulação hormonal e adaptações metabólicas
Diversos hormônios desempenham papel central na regulação do gasto energético e do apetite.
A leptina, por exemplo, produzida pelos adipócitos, promove a saciedade e aumenta o gasto energético.
Seus níveis diminuem com a redução da massa gorda, enquanto a resistência aos seus receptores frequentemente presente na obesidade pode persistir, contribuindo para o aumento da fome e a redução da saciedade.
“Além disso, a grelina, conhecida como hormônio da fome, apresenta aumento sustentado, estimulando neurônios orexígenos (responsáveis por estimular o apetite) no hipotálamo e elevando o apetite, especialmente por alimentos mais calóricos”, completa a profissional.
A nutricionista ainda pontua que paralelamente, observa-se redução da triiodotironina (T3), hormônio tireoidiano ativo, o que diminui o gasto energético basal e contribui para a chamada adaptação metabólica, tornando o organismo mais eficiente em economizar energia e, consequentemente, reduzindo o ritmo metabólico.
“Um regulador adicional importante é a insulina responsável pelo metabolismo dos macronutrientes que passa a atuar de forma mais eficiente no armazenamento energético, favorecendo a reposição dos estoques de gordura”, destaca.
Adriana também destaca outros hormônios relevantes na regulação do peso.
“São o peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1), que atua no controle do apetite e do gasto energético sua redução pode levar ao aumento da ingestão alimentar. O peptídeo YY (PYY), liberado pelo íleo e cólon em resposta à alimentação, promove saciedade ao atuar nos receptores Y2 do neuropeptídeo Y no sistema nervoso central; no entanto, seus níveis podem diminuir com a perda de peso, reduzindo a sensação de plenitude”.
Essa redução está associada à menor inibição das vias orexígenas, favorecendo a ação do neuropeptídeo Y (NPY), um potente estimulador do apetite, que aumenta durante a restrição calórica, promovendo maior ingestão alimentar, redução do gasto energético e resistência à perda de peso.
Por fim, a perda de massa magra durante o emagrecimento também contribui para a redução do gasto energético basal, dificultando a manutenção dos resultados.
Em conjunto, essas alterações contribuem para a resistência do organismo à perda de peso contínua, favorecendo a estagnação do emagrecimento e o retorno ao peso prévio.
Portanto, o reganho de peso não deve ser interpretado como uma falha individual, falta de força de vontade ou ausência de comprometimento com o tratamento.
“Trata-se de uma resposta biológica complexa, resultado de adaptações hormonais, metabólicas e neurais que favorecem a recuperação do peso perdido. Por esse motivo, dietas extremamente restritivas e estratégias que promovem perda de peso rápida tendem a ser pouco sustentáveis, uma vez que intensificam esses mecanismos compensatórios”, conta a nutricionista.
O tratamento da obesidade deve ser compreendido como um cuidado contínuo, cujo foco não é apenas promover o emagrecimento, mas também preservar a massa muscular, minimizar as adaptações metabólicas e desenvolver hábitos alimentares e de atividade física que possam ser mantidos ao longo da vida.
“Em muitos casos, a associação entre acompanhamento nutricional, intervenção comportamental e tratamento farmacológico é necessária para favorecer a manutenção dos resultados e reduzir o risco de recidiva”, finaliza.
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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/emagreceu-mas-voltou-a-engordar-entenda-o-que-causa-o-reganho-de-peso/
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