sábado, 18 de julho de 2026

O que você acha que merece quando o dia termina?

Depois de um dia longo, cheio de responsabilidades, reuniões, preocupações, trânsito, prazos ou simplesmente do esforço silencioso de dar conta da vida, uma frase costuma aparecer, “estou tão cansado hoje, eu mereço um…” E é curioso observar como essa resposta influencia totalmente as nossas escolhas.

Esse merecimento acaba se tornando sinônimo de recompensa imediata. “Eu trabalhei tanto hoje que mereço pedir um lanche.” “Passei muito estresse, então mereço uma taça de vinho.” “Hoje foi difícil, vou passar horas rolando as redes sociais porque preciso desligar.” E não há nada de errado em fazer isso de vez em quando. O problema é quando essa passa a ser a única forma que encontramos de cuidar de nós mesmos.

Sem perceber, começamos a acreditar que nos recompensar significa sempre buscar algo que alivie rapidamente o desconforto. Só que alívio imediato não é a mesma coisa que cuidado!

Existe uma diferença importante entre aquilo que acalma a emoção por alguns minutos e aquilo que realmente atende às necessidades do nosso corpo e da nossa mente. Você consegue perceber?

Às vezes, o que parece um desejo intenso por açúcar pode ser um corpo completamente exausto. O que parece preguiça pode ser uma necessidade de descanso.

O que parece vontade de comprar alguma coisa pode ser uma tentativa de preencher um vazio emocional. O que parece necessidade de assistir a mais um episódio pode ser, na verdade, dificuldade de desacelerar.

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Nosso cérebro adora recompensas rápidas, principalmente quando estamos cansados. Quando a energia diminui, nossa capacidade de fazer escolhas conscientes também fica menor.

É justamente nesse momento que tendemos a agir no piloto automático, repetindo hábitos que oferecem prazer imediato, mesmo quando eles não nos fazem tão bem depois.

Por isso, antes de perguntar “O que eu mereço?”, talvez valha a pena fazer outra pergunta, “Do que eu realmente estou precisando agora?” Essa pequena mudança faz toda a diferença!

Talvez você descubra que o corpo está pedindo água, e não café. Que precisa de uma refeição nutritiva, e não apenas de algo rápido para matar a fome.

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Que o que falta é silêncio, alguns minutos sem estímulos, um banho quente, uma boa noite de sono ou até uma conversa acolhedora com alguém importante.

Merecimento não precisa ser sinônimo de excessos para suprir faltas. Merecimento pode significar oferecer ao seu corpo exatamente aquilo que ele precisa para se recuperar.

Porque descansar também é uma forma de produtividade. Dormir bem também é autocuidado. Fazer uma pausa antes de chegar ao limite também é um gesto de respeito consigo mesmo.

Criar novos hábitos começa justamente nesse espaço entre o impulso e a escolha. Não significa nunca mais comer um doce depois de um dia difícil ou abandonar tudo aquilo que traz prazer. Significa ampliar o repertório de cuidados, significa aprender que existem muitas maneiras de se acolher além das recompensas automáticas.

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Na prática, você pode experimentar algumas perguntas sempre que sentir aquela vontade de se presentear no fim do dia:

  • O que aconteceu hoje que me deixou tão cansado(a)?
  • Meu cansaço é físico, mental ou emocional?
  • Se meu corpo pudesse falar, o que ele estaria pedindo agora?
  • Essa escolha vai aliviar apenas os próximos dez minutos ou também vai cuidar de mim amanhã?
  • Existe outra forma de demonstrar carinho por mim hoje?

No começo, talvez as respostas não apareçam com facilidade. Estamos acostumados a ignorar muitos sinais do corpo enquanto cumprimos todas as nossas tarefas. Mas quanto mais você pratica essa escuta, mais sensível se torna às suas próprias necessidades.

O corpo conversa conosco o tempo todo. A tensão nos ombros, a dificuldade para dormir, a irritação constante, a fome desregulada, a falta de energia, a vontade de chorar sem motivo aparente… tudo isso pode ser uma linguagem, não é um defeito, é um pedido de atenção.

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Cuidar de si não significa fazer tudo perfeitamente. Significa responder a esses sinais em vez de apenas tentar silenciá-los. No fim das contas, talvez a maior mudança seja perceber que você não precisa conquistar o direito de descansar.

Você não precisa provar que trabalhou o suficiente para merecer uma pausa! Você não precisa chegar ao limite para justificar o autocuidado.

Você merece descanso porque é humano. Merece alimento que nutre, relações que acolhem, pausas que recuperam e hábitos que ajudam a construir uma vida mais leve.

E, às vezes, a maior demonstração de amor-próprio não é dar ao corpo aquilo que ele está pedindo no impulso, mas oferecer exatamente aquilo de que ele realmente precisa.

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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)

Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/o-que-voce-acha-que-merece-quando-o-dia-termina/

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