O fortalecimento muscular decorrente da corrida ocorre por diferentes mecanismos fisiológicos e biomecânicos. Durante a prática, são observadas adaptações neurais que melhoram o recrutamento das unidades motoras, a coordenação entre os músculos e a eficiência dos padrões de movimento.
Além disso, a corrida impõe uma sobrecarga mecânica repetida ao organismo, uma vez que, a cada passada, a musculatura precisa absorver e gerar forças equivalentes a aproximadamente duas a três vezes o peso corporal.
Outro mecanismo importante é o ciclo alongamento-encurtamento, no qual músculos e tendões armazenam e reutilizam energia elástica, aumentando a eficiência mecânica do movimento.
A prática regular também promove adaptações musculares, como aumento do conteúdo mitocondrial, maior capilarização, melhora da resistência muscular localizada e, em alguns casos, discreta hipertrofia de determinados grupos musculares.
Adicionalmente, ocorrem adaptações tendíneas, caracterizadas pelo aumento da rigidez e da capacidade de armazenamento de energia dos tendões, favorecendo uma transmissão de força mais eficiente durante a corrida.
Os músculos mais recrutados durante a corrida são: glúteos (glúteo máximo e glúteo médio), quadríceps (reto femoral, vasto lateral, vasto medial e vasto intermédio), isquiotibiais (bíceps femoral, semitendinoso e semimembranoso), panturrilha (gastrocnêmio e sóleo), núsculos do core (transverso abdominal, oblíquos, multífidos e eretores da espinha).
Vale lembrar que, quando o assunto é hipertrofia, apesar da corrida colaborar positivamente, os exercícios de musculação continuam sendo a estratégia mais eficiente para atingir esse objetivo.
Prof.ª Tábata Facioli, docente do curso de Fisioterapia da Universidade de Franca (Unifran)
source https://boaforma.abril.com.br/coluna/boa-forma-responde/por-que-correr-fortalece-musculo/
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