sábado, 11 de julho de 2026

Reconhecer a nossa história sem nos tornar prisioneiros dela

Nem sempre percebemos, mas a forma como enfrentamos os desafios da vida costuma carregar marcas das experiências que tivemos ao longo da nossa história.

Algumas pessoas cresceram em ambientes onde eram ouvidas, acolhidas e incentivadas a tentar novamente quando algo dava errado.

Outras cresceram ouvindo frases como “engole o choro”, “você tem que dar conta sozinho”, “isso não é motivo para reclamar”, ou vivendo situações em que seus sentimentos eram constantemente ignorados.

Há ainda quem tenha enfrentado perdas, instabilidade, críticas excessivas ou a sensação de que precisava ser forte o tempo todo.

Quando isso acontece repetidamente, nosso cérebro pode começar a aprender uma mensagem silenciosa: “Estou sozinho.” Ou pior: “Não adianta tentar, porque ninguém vai me ajudar e nada vai mudar.” É isso que chamamos, na psicologia, de desamparo.

O desamparo não significa fraqueza, ele é uma forma de adaptação. Se durante muito tempo nossas tentativas de buscar apoio não funcionaram, faz sentido que, em algum momento, o cérebro tenha decidido economizar energia e acreditar que tentar novamente seria inútil.

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O problema é que essa estratégia, que talvez tenha servido para sobreviver no passado, pode continuar nos acompanhando mesmo quando a vida já oferece novas possibilidades.

É por isso que algumas pessoas têm dificuldade para pedir ajuda, sentem que precisam resolver tudo sozinhas, desistem antes mesmo de tentar ou acreditam que nunca serão capazes de mudar a própria realidade. Não porque lhes falte capacidade, mas porque aprenderam que esforço e apoio não caminhavam juntos.

Mas existe uma boa notícia: assim como o desamparo pode ser aprendido, o amparo também pode. E isso não significa apagar a infância ou fingir que ela não existiu.

Nossa história importa, ela ajuda a explicar muitas das nossas dificuldades. Compreender isso pode trazer alívio, compaixão e sentido para o que sentimos. Porém, existe uma diferença importante entre explicar e determinar.

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A infância explica muita coisa. Mas ela não precisa escrever, sozinha, todos os próximos capítulos da nossa vida.

Em algum momento da vida adulta, começamos a construir novas experiências. Conhecemos pessoas diferentes, fazemos escolhas diferentes, desenvolvemos habilidades que talvez ninguém tenha nos ensinado antes. E é justamente nessas novas experiências que o cérebro pode sim reaprender que nem sempre estamos sozinhos.

Talvez o amparo, hoje, não venha exatamente da forma como você gostaria. Talvez ele não venha dos seus pais ou daquela pessoa específica que você esperava.

Mas ele pode aparecer em um amigo que escuta sem julgar, em um parceiro que respeita seus limites, em um psicólogo que ajuda a organizar seus pensamentos, em uma comunidade, em um livro que traz conforto ou até na forma como você começa, aos poucos, a cuidar de si mesmo.

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Sim, cuidar de si também é uma forma de construir amparo. Porque amparo não é apenas alguém segurando nossa mão. Amparo também é aprender a dizer para si mesmo: “Eu vou cuidar de você enquanto atravessamos isso.” E isso pode ser desenvolvido.
Se você deseja fortalecer essa sensação de amparo na sua vida, talvez possa começar com pequenos passos:

Pergunte-se: “O que eu realmente preciso hoje?” Muitas vezes estamos tão acostumados a ignorar nossas necessidades que nem sabemos respondê-las. Talvez você precise descansar. Talvez precise conversar com alguém. Talvez precise colocar limites ou simplesmente fazer uma pausa.

Observe as pessoas que já oferecem apoio, mesmo que de formas simples. Nosso cérebro costuma registrar rapidamente quem nos decepciona, mas às vezes deixa passar despercebidos aqueles pequenos gestos de cuidado que já existem ao nosso redor.

Construa pequenas experiências de competência. O desamparo faz parecer que nada do que fazemos tem efeito. Por isso, realizar pequenas ações como organizar um ambiente, cumprir uma tarefa, fazer uma caminhada, resolver uma pendência, ajuda o cérebro a perceber que ainda somos capazes de influenciar a nossa realidade.

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Talvez você não tenha escolhido a infância que teve. Talvez realmente tenha faltado cuidado, proteção, segurança ou acolhimento. Isso dói, e essa dor merece ser reconhecida!

Mas também existe uma pergunta poderosa que podemos fazer daqui para frente: “Como eu posso oferecer a mim mesmo, hoje, um pouco do amparo que um dia me faltou?” Essa pergunta não apaga o passado. Ela abre espaço para construir um futuro diferente.

A verdade é que crescer emocionalmente não significa deixar de sentir medo, tristeza ou insegurança. Significa descobrir, aos poucos, que você não precisa mais enfrentar tudo da mesma forma que enfrentava quando era criança.

Você pode aprender novas maneiras de cuidar de si. Pode construir relações mais saudáveis. Pode desenvolver recursos que antes não existiam. Pode permitir que outras pessoas façam parte da sua caminhada.

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E, principalmente, pode descobrir que o amparo não nasce apenas do que recebemos dos outros. Ele também nasce da relação que escolhemos construir conosco todos os dias!

Talvez esse seja um dos maiores atos de coragem da vida adulta: reconhecer a nossa história sem nos tornar prisioneiros dela. Honrar quem fomos, acolher quem somos e, com gentileza, continuar aprendendo quem ainda podemos nos tornar.

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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)

Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/reconhecer-a-nossa-historia-sem-nos-tornar-prisioneiros-dela/

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