Creme, gel, spray ou bastão. Hoje a gente encontra diversos protetores solares no mercado, que variam em textura, forma de aplicação e também indicação para diferentes tipos de pele e regiões do corpo. Com tantas opções, uma dúvida é comum: o formato escolhido interfere na proteção e pode fazer, por exemplo, um produto em bastão proteger a pele por mais tempo? E para quem pratica corrida ou outra atividade física ao ar livre, qual é o ideal?
Segundo Jéssica Starek, dermatologista da ALS Beauty & Personal Care, cada apresentação possui características que podem favorecer o uso em diferentes situações, como, por exemplo:
- Cremes e loções são fáceis de espalhar em áreas maiores e costumam ser mais confortáveis para peles secas, enquanto os géis têm textura mais leve e podem funcionar bem em peles oleosas ou regiões com pelos,
- Bastões são práticos para áreas menores e para a reaplicação,
- Sprays facilitam a distribuição pelo corpo e exigem atenção para garantir uma cobertura uniforme.
“É possível escolher formatos diferentes para cada região do corpo. Uma pessoa pode se adaptar melhor ao gel no rosto e preferir um spray para braços e pernas, por exemplo. Encontrar uma textura confortável também ajuda a manter o protetor presente na rotina”, explica Jéssica.
Bastão: apesar da praticidade, ele merece atenção
A praticidade e a textura mais densa dos protetores em bastão podem levar à percepção de que o produto permanece por mais tempo na pele. Essa característica também pode levar à aplicação de uma quantidade menor do que a necessária. Segundo Jéssica, o formato não muda a necessidade de reaplicação nem permite determinar por quanto tempo a proteção será mantida.
“Algumas pessoas podem ter a impressão de que passar o bastão uma vez é suficiente para a pele permanecer protegida por mais tempo, mas a reaplicação continua necessária. Também não podemos considerar que um protetor em bastão FPS 70 protege mais do que um gel FPS 70 apenas por causa da apresentação”, explica a dermatologista.
A forma de aplicação também faz diferença. Usar pouco produto ou deixar falhas na distribuição pode fazer com que algumas regiões da pele recebam uma cobertura menor do que a necessária.
É justamente por isso que o FPS informado na embalagem é determinado em condições padronizadas de aplicação. Nos estudos realizados pelo laboratório de fotoproteção da ALS Beauty & Personal Care, os produtos são avaliados com uma quantidade definida e uma distribuição uniforme sobre a pele. O resultado indica o nível de proteção que aquela formulação demonstrou nessas condições.
“O FPS que aparece na embalagem considera uma quantidade e uma forma de aplicação específicas durante os estudos. Quando usamos menos produto ou não conseguimos distribuí-lo de maneira uniforme, criamos uma condição diferente daquela em que essa proteção foi avaliada”, explica Juliana Moraes, gerente do laboratório de fotoproteção da ALS Beauty & Personal Care.
Na hora da escolha, a facilidade de aplicar o produto corretamente também deve ser considerada. “Cada formato tem particularidades que podem favorecer ou dificultar essa distribuição. Por isso, além de observar o FPS, é importante considerar se aquela apresentação permite aplicar o produto de maneira adequada para alcançar a proteção esperada”, conclui.
E para quem corre?
Jessica pontua que, para quem pratica corrida ou qualquer outra atividade física ao ar livre, o ideal é optar por um protetor de amplo espectro, com FPS acima de 50, e que seja resistente à água e ao suor, afinal, durante a corrida, a transpiração é contínua e intensa.
“Em relação à textura, as formulações mais fluidas, como géis, gel-cremes ou fluidos oil-free, tendem a ser mais bem toleradas do que cremes densos, pois não acrescentam oclusão a uma pele que já está aquecida pelo esforço físico. Para quem tem pele sensível ou mais reativa ao calor, os filtros minerais à base de óxido de zinco ou dióxido de titânio são uma excelente escolha”, explica a profissional.
Agora, se você quer uma proteção adequada, combinar tipos de protetores é uma opção, mas é preciso muita atenção.
“O mais importante é garantir uma quantidade adequada de produto e não esquecer da reaplicação a cada duas horas. Para a primeira aplicação no rosto, o gel ou fluido são as melhores opções. Ao longo do treino, o spray é prático para reforçar a proteção, assim como o bastão. Vale um ponto de atenção: tanto o spray quanto o bastão tendem a levar à aplicação de uma quantidade menor do que a necessária, por isso é importante caprichar na camada“, esclarece Jessica.
Nem só de protetor solar…
Independente do tipo de protetor escolhido, a proteção física também faz toda a diferença. Jessica explica que o boné ou a viseira reduzem a incidência direta dos raios UV sobre o rosto, o couro cabeludo e a nuca, áreas de alta exposição cumulativa.
“Os óculos de sol protegem os olhos dos danos causados pela exposição solar e também preservam a pele delicada ao redor dos olhos, uma das primeiras regiões a mostrar sinais de fotoenvelhecimento. Já as roupas com FPU (Fator de Proteção Ultravioleta) são um ótimo complemento para tronco, braços e pernas, oferecendo uma barreira mais constante do que o protetor tópico, que se perde com o suor e o atrito. No fim, o ideal é combinar proteção física e química e, sempre que possível, evitar o horário de pico de UV, entre 10h e 16h”, finaliza a profissional.
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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/blog-do-corre/existe-um-tipo-de-protetor-solar-melhor-que-o-outro-para-quem-corre/
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