As chamadas canetas emagrecedoras, que se baseiam em substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, são medicamentos injetáveis que atuam na regulação do metabolismo da glicose, no controle do apetite e no atraso da sensação de saciedade. Elas são consideradas tratamentos revolucionários quando o assunto é manejo do peso corporal, combate à obesidade crônica e cuidado em casos de diabetes tipo 2.
Com a popularidade dessas alternativas, um ponto que sempre deve ser reforçado é que o uso delas não pode ser encarado como uma solução milagrosa e isolada para a perda de peso. Ele precisa ser acompanhado de uma série de cuidados relacionados ao estilo de vida para que o processo ocorra de maneira segura e sustentável a longo prazo.
“O uso indiscriminado das canetas, sem avaliação e seguimento adequados, pode favorecer efeitos gastrointestinais, efeito rebote, forte desidratação, deficiências nutricionais, pancreatite aguda, perda excessiva de massa magra e outras complicações, além do risco de uso em pessoas que apresentam contraindicações específicas”, alerta a Dra. Eliana Teixeira, pós-graduada em Endocrinologia e Nutrologia e especialista em emagrecimento
Quando as canetas emagrecedoras são utilizadas sem uma orientação adequada e sem mudanças nos hábitos, o risco de complicações aumenta consideravelmente — comprometimento da massa muscular, deficiências nutricionais, agravamento de efeitos colaterais e efeito rebote após a interrupção, por exemplo.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 concluiu que a maior parte do peso perdido com agonistas de GLP-1 corresponde à gordura, mas identificou reduções modestas de massa magra em alguns períodos e grupos.
Nesse contexto, a Dra. Ana Luísa Vilela Barbosa, especialista em metabolismo complexo, obesidade e saúde intestinal, ressalta que o sucesso do tratamento não deve ser simplificado à redução dos números que aparecem no visor da balança.
“Um erro bastante comum é comemorar cada quilo perdido sem avaliar força, massa muscular, ingestão proteica, funcionamento intestinal e exames metabólicos. Uma pessoa pode pesar menos e, mesmo assim, terminar o tratamento mais fraca, cansada, constipada, com queda de cabelo ou com dificuldade para sustentar o novo peso”, declara Barbosa.
A caneta emagrecedora pode causar efeito rebote?
Estudos científicos indicam que parte dos pacientes pode recuperar peso após a suspensão do tratamento com canetas emagrecedoras. O fenômeno está relacionado, entre outros fatores, à retomada da fome, às alterações metabólicas que ocorrem durante o processo de emagrecimento e aos mecanismos fisiológicos que atuam para defender o peso corporal.
“Durante o tratamento, os medicamentos contribuem para o controle da fome e para o aumento da saciedade. Quando são retirados, esses efeitos deixam de ocorrer e o organismo pode voltar a apresentar uma maior pressão biológica para recuperar o peso perdido. Por isso, o reganho não deve ser interpretado simplesmente como falta de disciplina do paciente”, explica a Dra. Sandra Fernandes, médica nutróloga da Kora Saúde.
A recuperação do peso também está relacionada às adaptações que acompanham o emagrecimento. À medida que o peso diminui, o gasto energético pode ser reduzido e alterações nos sinais de fome e saciedade podem favorecer uma maior ingestão alimentar. Esses mecanismos fazem parte da resposta fisiológica do organismo à perda de peso.
Estratégias são essenciais para interromper o medicamento
A interrupção do medicamento precisa ser avaliada dentro de uma estratégia de tratamento e não como uma decisão isolada. A manutenção dos resultados envolve aspectos como alimentação, atividade física, sono e preservação de músculos, mas essas medidas não significam, necessariamente, que todos os pacientes poderão permanecer sem medicação.
“Obesidade é uma doença crônica e cada paciente responde de uma maneira ao tratamento. Para algumas pessoas, mesmo com alimentação adequada e atividade física regular, a medicação continuará sendo necessária para controlar a doença e manter o peso. Por isso, não existe uma regra de que todo paciente que emagrece deve necessariamente suspender o medicamento”, afirma Sandra.
A manutenção do peso, portanto, deve fazer parte do planejamento desde o início do tratamento e continuar sendo acompanhada mesmo depois que o paciente atinge seu objetivo. A decisão de reduzir, suspender ou manter o medicamento depende da resposta individual e deve ser tomada em conjunto com o médico.
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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/caneta-emagrecedora-efeito-rebote/
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