terça-feira, 6 de outubro de 2026

Caneta emagrecedora: quando devo parar de usar?

Desde que as canetas emagrecedoras foram liberadas para o tratamento de obesidade e emagrecimento, são muitas as questões que envolvem seu uso, desde alimentação, manutenção, até mesmo qual o momento ideal de parar de usá-las. A ciência comprova: mesmo se você atingiu o peso desejado, parar de usar não é realmente o melhor critério.

Caneta emagrecedora: quando devo parar de usar?

Antes mesmo de parar de usar a caneta emagrecedora, é preciso entender se ela está fazendo efeito. De acordo com a diretriz da Endocrine Socitey, é preciso fazer a avaliação da eficácia e segurança do medicamento nos três primeiros meses. A recomendação é continuar a usar se a pessoa já perdeu pelo menos 5% do peso corporal nesse período. 

Caso não tenha acontecido a perda de peso corporal ou se o paciente teve problemas, como efeitos colaterais fortes ou até mesmo de segurança com o medicamento, a recomendação é interromper o tratamento.

E se eu já atingir o peso desejado ao usar a caneta emagrecedora?

Se você acredita que ao chegar ao seu peso ideal e que deve simplesmente para de usar a caneta emagrecedora, está enganado! Ensaios clínicos mostram que, quando medicamentos como a semaglutida ou a tirzepatida são retirados, é comum acontecer a recuperação de peso.

De acordo com o ensaio, foram acompanhados 327 participantes durante um ano, após pararem de usar a semaglutida 2,4 mg.  Em quase 1 ano e meio de tratamento, eles haviam perdido, em média, 17,3% do peso corporal. Após a retirada, recuperaram cerca de 11,6% do peso em um ano, o que equivale a aproximadamente dois terços do peso que haviam perdido.

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Além disso, a finalidade do tratamento também conta. Dra. Elaine Dias Jk, endocrinologista e metabologista PhD pela USP explica que, quando o agonista de GLP-1 ou GIP é utilizado para o controle ou a remissão do diabetes tipo 2 ou para o tratamento da obesidade, que são doenças crônicas, complexas e recorrentes, e o tratamento é crônico, podendo ser mantido por toda a vida.

“Por outro lado, quando o paciente utiliza a medicação para melhorar a composição corporal, reduzir o sobrepeso ou o excesso de gordura visceral, a retirada pode ser considerada. Para isso, é importante que tenha ocorrido uma mudança importante no estilo de vida, com pelo menos 300 minutos de atividade física por semana e manutenção dos hábitos adquiridos durante o tratamento”, pontua.

O desmame, segundo a endocrinologista, vai depender de cada paciente. “Primeiro mantemos uma dose em que o paciente não perca nem ganhe peso durante determinado período. Depois, podemos começar a espaçar a medicação, sempre de forma individualizada”, esclarece.

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Mas o estilo de vida também conta ao parar de usar canetas emagrecedoras

Dra. Elaine destaca que o paciente também precisa adotar um estilo de vida que ajude na manutenção e no desmame da caneta emagrecedora. “Ele precisa estar fazendo pelo menos 300 minutos de atividade física por semana, monitorar o peso pelo menos duas vezes por semana e manter um planejamento alimentar. Quando possível, também é importante contar com acompanhamento nutricional e endocrinológico para monitorar as questões metabólicas e hormonais”.

Quem usa caneta emagrecedora pode correr?

Ao desejar de usar canetas emagrecedoras, tenha sempre a orientação profissional

Não pare de usar caneta emagrecedora simplesmente porque alcançou o peso desejado e acredita que nada pode acontecer. Para Dra. Elaine o principal risco é o reganho rápido de peso, principalmente às custas de gordura.

“O emagrecimento é percebido pelo organismo como uma agressão, e o corpo ativa mecanismos para recuperar o peso perdido. Com a retirada do medicamento, podem voltar a diminuir os sinais de saciedade e aumentar os hormônios da fome, além do desejo intenso por determinados alimentos, o chamado craving. Em pacientes que apresentam transtorno de compulsão alimentar periódica, esse quadro também pode voltar. Da mesma forma, se o medicamento estava sendo utilizado para tratar o diabetes tipo 2, pode ocorrer novamente o descontrole glicêmico”, destaca.

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Mas, dentro da experiência da profissional com caneta emagrecedora, são poucos os pacientes em que é foi possível retirar o medicamento, porque o mais comum é que o tratamento seja crônico.

“Nos casos em que a retirada é possível, é preciso intensificar ainda mais os cuidados após a suspensão. O paciente deve aumentar a atividade física, o planejamento alimentar e o monitoramento do peso, além de trabalhar a composição corporal com foco no ganho de massa muscular. A manutenção do peso exige um esforço contínuo. Costumo explicar aos pacientes que é como subir uma escada rolante no sentido contrário: precisamos continuar subindo o tempo todo. Se pararmos de subir, descemos rapidamente, e é isso que pode acontecer com o peso”.

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É preciso de um plano para resultados duradouros

O tratamento para obesidade é algo que é preciso de estratégia, muito planejamento para conseguir alcançar os resultados desejados. Dra. Elaine explica que os agonistas de GLP-1 e GIP atuam na região do hipotálamo, onde estão mecanismos relacionados à fome, à saciedade e ao gasto energético basal.

“Eles também atuam no sistema límbico, que participa do controle da fome emocional, do craving e do chamado food noise, aquela sensação persistente de pensar em comida. Mas, para obter resultados duradouros, é preciso um plano de tratamento. O objetivo também não deve ser apenas reduzir o número na balança. A preservação da massa muscular deve ser uma prioridade em qualquer tratamento para obesidade, porque a perda excessiva de músculo pode afetar a força, o desempenho funcional, o metabolismo e a qualidade de vida”, finaliza a endocrinolgista.

O que o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras pode causar?

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Canetas emagrecedoras: 5 cuidados nutricionais para preservar a saúde durante o tratamento

1. Menos fome, mais atenção ao que vai para o prato

Quando o volume das refeições reduz, a densidade nutricional ganha ainda mais pertinência. Ou seja: cada escolha pesa.

Alimentos nutritivos devem ocupar espaço na rotina, enquanto produtos ultraprocessados e com baixa densidade nutricional podem comprometer a qualidade da dieta.

“Uma das principais preocupações é garantir que, mesmo comendo menos, a pessoa continue recebendo proteínas, fibras, vitaminas, minerais e líquidos em quantidade adequada. A estratégia não deve ser simplesmente reduzir o prato, mas tornar as refeições menores mais nutritivas”, afirma Vanessa Rocha, nutricionista do Mundo Verde.

2. Proteínas, fibras, hidratação e densidade nutricional

Um dos pontos que mais merecem atenção durante a jornada de perda de peso é a preservação da massa muscular, uma vez que ela desempenha um papel crucial na saúde do corpo e no bem-estar.

A ingestão adequada de proteínas está entre as medidas mais relevantes quando o assunto é manter os músculos. A quantidade adequada desse nutriente por dia é determinada de acordo com as necessidades individuais.

O consumo de fibras é outro ponto que pode fazer toda a diferença durante o tratamento com canetas emagrecedoras, colaborando positivamente para o funcionamento do intestino. Frutas, verduras, legumes, sementes e farelos são exemplos de fontes de fibras.

A hidratação apropriada também nunca deve ser esquecida. Mesmo sentindo menos fome, a ingestão adequada de líquidos continua sendo indispensável.

3. O perigo de transformar a caneta em uma solução mágica

“O medicamento pode ajudar no controle da fome, mas não ensina sozinho a pessoa a se alimentar. O acompanhamento nutricional pode aproveitar esse momento de maior controle do apetite para trabalhar escolhas, rotina, qualidade da alimentação e comportamentos que possam ser mantidos no longo prazo”, destaca.

4. Não existe uma dieta padrão para quem usa caneta

Uma estratégia que funciona para uma pessoa não necessariamente serve para outra. “Estamos vivendo uma avalanche de informações sobre emagrecimento. É importante entender que não existe uma alimentação padrão para quem utiliza GLP-1. Cada pessoa tem necessidades, objetivos, rotina, composição corporal e tolerância diferentes. Por isso, a orientação individualizada é tão importante”, ressalta Vanessa.

5. O objetivo vai além da balança

O objetivo do tratamento com as canetas emagrecedoras vai muito além da balança e não deve se resumir ao número que aparece no visor do aparelho.

A qualidade da alimentação, a manutenção da massa muscular, a hidratação e a construção de hábitos sustentáveis são pilares que fazem parte desse processo.

“Emagrecer pode ser o começo de uma mudança, e não o ponto final. O mais importante é que o paciente consiga construir uma forma de se alimentar e cuidar da saúde que faça sentido para a sua vida e que possa ser mantida no futuro. O medicamento é uma das estratégias de tratamento, mas os hábitos construídos ao longo do acompanhamento são fundamentais”, conclui a nutricionista.

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