Como lidar com algo que tem um impacto enorme sobre nós, mas que não está nas nossas mãos? Quando isso acontece, é comum gastarmos muita energia tentando encontrar uma forma de controlar o que não pode ser controlado.
Pensamos em todas as possibilidades, antecipamos resultados, buscamos garantias, tentamos prever o comportamento dos outros e procuramos uma resposta que talvez ainda não exista.
Só que aceitar que algo não está sob nosso controle não significa que precisamos ser indiferentes a isso. Significa reconhecer: “Isso me afeta, mas eu não preciso colocar toda a minha energia tentando controlar aquilo que não depende de mim.”
É aqui que a esperança pode ter um papel importante. Afinal, esperança não significa acreditar que tudo vai acontecer como gostaríamos. Ela está relacionada à capacidade de enxergar possibilidades e caminhos, mesmo diante de dificuldades. E talvez, em situações que não podemos resolver, a esperança precise mudar de lugar. Em vez de esperar apenas que a situação mude, podemos começar a construir esperança na possibilidade de nós encontrarmos maneiras de atravessá-la.
Talvez eu não consiga controlar o que a outra pessoa fará, mas posso escolher como vou me posicionar. Talvez eu não consiga mudar o resultado, mas posso decidir como vou cuidar de mim enquanto espero. Talvez eu não consiga eliminar a incerteza, mas posso escolher não deixar que ela ocupe todos os meus pensamentos. Talvez eu não consiga resolver o problema hoje, mas posso descobrir qual é o próximo passo que está ao meu alcance.
Isso não faz a situação deixar de ser difícil. Mas devolve para nós uma pequena parte do que a sensação de impotência costuma tirar: a possibilidade de agir sobre aquilo que ainda podemos transformar.
Uma boa prática nesses momentos é separar duas perguntas: “O que eu gostaria que acontecesse?” e “O que eu posso fazer diante do que está acontecendo?”
A primeira pergunta reconhece o nosso desejo e a segunda nos devolve para a realidade e para a nossa capacidade de ação. Também pode ser importante perguntar: “Se eu não puder mudar essa situação, como quero cuidar de mim enquanto ela acontece?”
Às vezes, a resposta será pedir ajuda, estabelecer um limite, conversar com alguém, buscar informação, descansar, manter uma rotina, continuar fazendo planos ou simplesmente permitir-se sentir o que está sentindo sem transformar aquela emoção em uma previsão sobre o futuro.
Porque sentir medo não significa que algo ruim necessariamente acontecerá. Sentir tristeza não significa que você ficará triste para sempre. E não ter controle sobre o desfecho não significa não ter nenhum controle sobre a forma como você vai atravessar esse momento.
Talvez seja essa uma das formas mais bonitas da esperança: não a certeza de que tudo terminará como queremos, mas a confiança de que ainda podemos encontrar caminhos dentro daquilo que a vida nos apresenta.
Você não precisa gostar do que está acontecendo, não precisa fingir que está tudo bem, não precisa transformar uma situação difícil em uma lição bonita. Mas pode, aos poucos, devolver sua energia para aquilo que ainda é seu. Porque algumas coisas estão fora do nosso controle, mas a nossa vida não precisa ficar completamente fora dele.
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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)
Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3
source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/como-lidar-com-algo-que-nao-esta-nas-nossas-maos/
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