Acredite: seis em cada dez brasileiros não fazem os 150 minutos semanais de atividade física recomendados pela Organização Mundial da Saúde.
Segundo uma nova pesquisa global da ASICS, 59% da população brasileira está abaixo desse patamar e 35% fazem menos de 30 minutos de atividade por semana. Com esse resultado, o Brasil aparece como o terceiro país com a maior taxa de adultos nessa faixa entre os 31 mercados analisados.
Os dados fazem parte do Relatório de Preservação do Movimento 2026, estudo realizado com 34 mil pessoas, incluindo participantes brasileiros.
Como a tecnologia reduz o movimento no dia a dia
A pesquisa mostra como a conveniência, as telas e os serviços digitais estão reduzindo oportunidades de movimentação no cotidiano. Considerando as 16 horas diárias em que uma pessoa normalmente permanece desperta, os brasileiros estimam passar 88% desse período praticamente sem se movimentar, o equivalente a cerca de 14 horas por dia.
Para 80% dos entrevistados no país, a vida moderna tornou fácil passar um dia inteiro quase sem movimentação. Mais da metade, 53%, afirma que conseguiria ficar três dias ou mais sem sair de casa. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual sobe para 60%.
A digitalização também aparece nos hábitos diários: 41% dos brasileiros realizam regularmente tarefas e compras on-line em vez de fazê-las presencialmente, enquanto 61% costumam socializar por telefone ou vídeo no lugar de encontros presenciais.
A relação entre corpo e mente
Para comparar como diferentes níveis de movimentação se relacionam ao estado mental, a pesquisa utiliza um indicador próprio, seu estudo global intitulado State of Mind (Estado Mental). Em uma escala de 0 a 100, ele reúne a autoavaliação dos participantes sobre dez aspectos cognitivos e emocionais, como disposição, confiança, concentração, tranquilidade e capacidade de lidar com o estresse.
Entre os brasileiros que atingem pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, a pontuação média foi de 74. No grupo que faz menos de 30 minutos semanais, o resultado caiu para 63.
Os jovens apresentam alguns dos resultados mais preocupantes. Entre os brasileiros de 18 a 24 anos, 36,8% fazem menos de 30 minutos de atividade física por semana. Além disso, 96% relatam ao menos um efeito que associam à falta de movimentação, como piora do humor, aumento do estresse ou sono de menor qualidade.
David Raichlen, professor de Antropologia que participou da pesquisa afirma que: “construímos um mundo que torna o movimento opcional. Conseguimos trabalhar, fazer compras, socializar e nos entreter sem realmente nos mover – e, embora isso seja conveniente, nosso corpo e nossa mente ainda dependem de movimento regular para se manterem saudáveis. Os achados são um lembrete de que o movimento não é um extra; ele é fundamental para como sentimos, pensamos e funcionamos. O lado animador é que não é preciso muito para mudar: pequenos momentos de atividade, fáceis de alcançar, podem fazer uma diferença real, e o desafio é simplesmente trazê-los de volta para o mundo em que vivemos hoje.”
Não apenas no Brasil, mas no mundo todo
O cenário brasileiro acompanha uma tendência observada nos demais países. Globalmente, 53% dos entrevistados não atingem os 150 minutos semanais de atividade física e 23% fazem menos de 30 minutos por semana.
Se o ritmo atual for mantido, a proporção de adultos que não atingem a recomendação semanal nos mercados estudados deve subir dos atuais 53% para 56% até 2035, o equivalente a aproximadamente 2,3 bilhões de pessoas.
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source https://boaforma.abril.com.br/movimento/pesquisa-falta-atividade-fisica-brasil-movimentar-mais/
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