domingo, 4 de outubro de 2026

Quantas vezes você já decidiu que iria começar alguma coisa e abandonou?

Talvez você já tenha feito várias promessas para si mesmo como: “Agora eu vou voltar a me exercitar.” “Dessa vez vou comer direito.” “Vou começar a estudar.” “Vou organizar minha rotina.” “Vou cuidar melhor de mim.” “Vou finalmente tirar aquele projeto do papel.”

E naquele momento, você realmente acredita que vai conseguir. Faz planos, organiza a agenda, sente até uma certa empolgação com a possibilidade de uma mudança. Mas, quando chega a hora de começar, alguma coisa trava.

Por que é tão difícil transformar intenção e ação?

E é curioso como, muitas vezes, sabemos exatamente o que precisamos fazer, na verdade o problema não está na falta de informação.

Sabemos que gostaríamos de nos exercitar mais, dormir melhor, estudar, terminar o que começamos, cuidar das nossas relações ou colocar um projeto em prática.

O que falta, muitas vezes, é transformar aquilo que sabemos em uma ação concreta. Porque começar exige muito mais do que vontade. Exige tolerar o desconforto de fazer alguma coisa antes de se sentir preparado para fazê-la.

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Talvez seja por isso que tantas pessoas vivam em um ciclo de começar e parar. Começam uma dieta, um curso, uma atividade física, um projeto, uma mudança de rotina. Nos primeiros dias, existe novidade, motivação e expectativa.

Depois, a empolgação diminui, aparecem os imprevistos, o cansaço e as primeiras dificuldades. Quando os resultados não chegam na velocidade esperada, surge o pensamento: “Eu sabia. Eu nunca consigo manter nada.”

Aos poucos, essas experiências podem afetar a maneira como a pessoa enxerga a própria capacidade de realizar aquilo que se propõe a fazer.

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Quando você promete algo a si mesmo e não cumpre repetidamente, pode começar a duvidar das próprias decisões. É como se cada tentativa interrompida deixasse uma pergunta: “Será que dessa vez vai ser diferente?”

É aí que entra a autoeficácia, que é a percepção que temos sobre nossa capacidade de realizar uma determinada ação e lidar com os desafios necessários para alcançar um objetivo. E ela não é construída apenas pensando positivo.

Ela cresce, principalmente, a partir das experiências que temos. Você começa a perceber que consegue porque começa a experimentar, na prática, que consegue.

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Por isso, cumprir pequenos compromissos é tão importante. Quando você decide caminhar por quinze minutos e realmente caminha, parece uma coisa pequena, mas você acaba de criar uma evidência concreta de que uma decisão pode virar comportamento.

Quando reserva vinte minutos para estudar e cumpre, acontece a mesma coisa. Você não resolveu toda a sua vida, mas fez aquilo que tinha decidido fazer. É assim que, pouco a pouco, seu cérebro aprende que suas intenções podem ser acompanhadas por ações.

Por isso, quando estiver diante de algo que está adiando, tente não pensar imediatamente em todo o caminho. Pense apenas no primeiro comportamento que depende de você e pare de negociar com a sua mente.

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Se quer voltar a se exercitar, talvez o primeiro passo seja colocar a roupa e sair de casa, se quer terminar um curso, talvez seja assistir a uma aula, se quer escrever um projeto, talvez seja abrir o documento e trabalhar por vinte minutos…

O primeiro passo precisa ser pequeno o suficiente para ser possível. Não precisa impressionar ninguém, só precisa tirar você da intenção e colocá-lo em movimento.

Constância sem depender de motivação

E existe outro detalhe importante: pare de esperar estar motivado para começar! A motivação ajuda, mas não pode ser a única responsável por manter uma mudança. Se você só age quando está com vontade, ficará dependente de um estado emocional que muda todos os dias.

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Haverá dias em que você estará animado e outros em que estará cansado. Haverá dias em que será fácil e outros em que será preciso fazer um esforço maior. A constância começa quando entendemos que nem toda ação precisa vir acompanhada de vontade.

Também precisamos aprender a não transformar uma interrupção em desistência. Você pode perder um dia, uma semana ou até mais tempo e ainda assim voltar. “Eu não fiz ontem” não precisa se transformar em “eu nunca consigo”. Uma pausa não precisa significar o fim, cuide com esses pensamentos de tudo ou nada que são criados por aí!

Não transforme tropeço em fracasso

Uma habilidade importante para qualquer mudança é aprender a retomar sem transformar o tropeço em fracasso. Quem consegue continuar não é necessariamente quem nunca interrompe.

Muitas vezes, é quem aprendeu a voltar mais rapidamente! Isso também significa diminuir a quantidade de coisas que tentamos mudar ao mesmo tempo. Às vezes, queremos aproveitar um recomeço para transformar toda a nossa vida de uma vez.

Criamos dez metas, fazemos várias promessas e, por alguns dias, sustentamos uma rotina que exige mais energia do que realmente temos disponível.

Depois, quando não conseguimos manter tudo, interpretamos isso como falta de disciplina, mas na verdade precisamos de planos que não sejam grandes demais para ser sustentáveis.

Recomeçar pode significar escolher uma coisa importante e praticá-la até que ela faça parte da sua rotina. Depois, você acrescenta outra. Não é tão empolgante quanto fazer uma lista enorme de mudanças, mas costuma ser muito mais possível de sustentar.

Busque ser fiel a si mesmo, e isso não significa cumprir absolutamente tudo o que você prometeu no passado. Às vezes, significa reconhecer que determinada meta não faz mais sentido.

Outras vezes, significa parar de escolher aquilo que é mais confortável no curto prazo e agir de acordo com aquilo que você diz que é importante.

Se você diz que sua saúde é importante, como pode cuidar dela hoje? Se diz que quer terminar aquele projeto, qual é o próximo passo? Se diz que quer construir uma vida diferente, que pequena ação hoje está alinhada com essa vida?

Existe uma diferença entre querer alguma coisa e começar a agir de acordo com ela. E talvez seja justamente nessa distância que muitos recomeços ficam presos. Não porque a pessoa não queira. Não porque seja preguiçosa. Não necessariamente porque lhe falte disciplina.

Dê um passo de cada vez

Às vezes, ela simplesmente ainda não encontrou uma maneira de transformar uma intenção grande em uma ação pequena o suficiente para caber na vida real.

Por isso, em vez de perguntar “como vou conseguir fazer tudo isso?”, experimente perguntar: “O que eu consigo fazer hoje?” Depois, amanhã, faça novamente, e, se não conseguir, tente de novo mais tarde.

E talvez seja assim que um recomeço realmente aconteça: não em um grande momento de coragem, mas em pequenas escolhas repetidas até que aquilo que parecia tão difícil de começar finalmente se torne parte da sua vida.

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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)

Estarei por aqui todas as semanas, abordando temas da Psicologia Positiva, felicidade, bem-estar e os auxiliando a serem as suas melhores versões, por meio do autoconhecimento e florescimento. Para saber mais sobre mim e me acompanhar no dia a dia, é só me seguir no Instagram! Estou por lá como @priscilaconte__. Te vejo no próximo Sábado! Até mais <3

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/priscila-conte-vieira/decidiu-comecar-alguma-coisa-e-abandonou/

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