A cantora e atriz Demi Lovato cresceu diante das câmeras e da exposição, com trabalhos que a tornaram conhecida desde a adolescência. Ela fez sucesso em produção do Disney Channel, como “Camp Rock” e “Sunny entre Estrelas”, e consolidou uma carreira na música com hits que conquistaram fãs no mundo todo.
Ao longo de todos esses anos, a famosa já abriu o coração a respeito de desafios pessoais e questões associadas à saúde mental e à autoestima. Em diferentes momentos, Demi comentou sobre o impacto das cobranças e da pressão estética em sua vida, desabafando sobre bullying, transtornos alimentares e a relação com o próprio corpo.
Agora, aos 34 anos, em entrevista à Glamour Brasil, declarou que finalmente tem conseguido se sentir mais confortável com a própria imagem e cuidar de si mesma com mais acolhimento e respeito. O caso de Demi Lovato levanta uma reflexão: por que é tão difícil, mesmo após tantas mudanças, fazer as pazes com o espelho?
Uma cobrança permanente
A pressão para atingir certos “padrões” não atinge apenas celebridades. Com as redes sociais e a hiperconectividade, a comparação com outras pessoas passou a fazer parte da rotina de muita gente. As imagens cuidadosamentente selecionadas, os filtros e as transformações físicas frequentemente compartilhadas nessas plataformas reforçam a sensação de que há um “ideal” a ser perseguido, mesmo que nem sempre corresponda à realidade – é como se nada nunca estivesse bom o suficiente.
Para a Dra. Gabriela Rossmam, médica com atuação em emagrecimento, metas exclusivamente estéticas tendem a fazer com o que o cuidado com a saúde seja substituído por uma corrida incansável por resultados.
“Quando alguém decide que precisa emagrecer até dezembro, cria-se uma urgência que favorece estratégias difíceis de sustentar. A pessoa corta vários alimentos, reduz drasticamente as calorias e organiza uma rotina que consegue suportar por algumas semanas, mas não por meses ou anos”, fala.
“O melhor resultado não é aquele que aparece mais rápido para o verão, e sim aquele que consegue continuar existindo em janeiro, fevereiro e no restante do ano”, completa Rossmam.
Emagrecer não significa necessariamente se sentir melhor com a própria imagem
Uma das armadilhas da pressão estética é acreditar que chegar a determinado peso solucionará todas as insatisfações. Em alguns casos, após o emagrecimento, a atenção apenas se desloca para outras características, mantendo o ciclo de cobranças.
Um alerta importante é compreender que o emagrecimento deve fazer parte de um contexto mais amplo de saúde. Para o Dr. Bruno Cardoso, endocrinologista titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a popularização de medicamentos eficazes para o tratamento de obesidade não deve transformar esse processo em uma “competição”.
“Semaglutida e tirzepatida representam uma mudança muito importante no tratamento da obesidade e podem proporcionar perdas de peso expressivas quando existe indicação e acompanhamento adequado. O que não podemos fazer é transformar essa eficácia em uma competição para descobrir quem emagrece mais rápido. Obesidade é uma doença crônica e o tratamento precisa considerar saúde metabólica, composição corporal, tolerabilidade, comorbidades e principalmente a capacidade de manter o resultado. A velocidade da balança, isoladamente, não é um marcador de sucesso terapêutico”, explica.
A qualidade do emagrecimento precisa são considerada tão fundamental quanto a quantidade de quilos eliminados. “Quando alguém diz que perdeu dez ou quinze quilos, a primeira pergunta não deveria ser apenas em quanto tempo isso aconteceu, mas o que essa pessoa perdeu”, ressalta o Dr. Renan Bosio, especialista em nutrologia e medicina do esporte.
“O músculo está relacionado à força, mobilidade, metabolismo e independência funcional. Em uma perda acelerada, especialmente quando existe baixa ingestão proteica e ausência de treinamento de força, podemos ter uma redução de massa magra que não deveria ser ignorada. Emagrecimento de qualidade significa tentar reduzir predominantemente gordura enquanto protegemos o tecido muscular”, acrescenta Bosio.
Também vale enfatizar que o peso recebe influência de uma série de fatores, entre eles, genética, sono, atividade física, alimentação, composição corporal e outras condições clínicas. Por isso, explicações simplistas e soluções radicais não costumam ser alinhadas com o que a ciência mostra sobre o assunto.
“Alimentação, composição corporal, atividade física, sono, genética, estresse e outras condições clínicas também precisam ser considerados. O objetivo deve ser melhorar a saúde metabólica, e não simplesmente fazer a balança cair rapidamente”, conta a Dra. Patricia Gracitelli, endocrinologista.
A liberdade de não precisar alcançar um corpo perfeito
Com sua experiência, Demi Lovato mostra uma mudança que não depende de uma transformação estética específica, mas da maneira como passou a se relacionar consigo mesma. A reconciliação com o próprio corpo não acontece necessariamente de um jeito linear e não quer dizer “gostar da própria aparência” todos os dias. O foco é reduzir culpa, punição e comparações.
O cuidado com a saúde e o bem-estar não pode ser deixado de lado, porém não precisa ser associado à procura por um corpo “perfeito”.
Em uma época repleta de formas de modificação de aparência, talvez uma das maiores demonstrações de liberdade seja não precisar corresponder a um “padrão” imposto.
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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/demi-lovato-pazes-proprio-corpo/
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