A principal diferença está no mecanismo de ação. A semaglutida é um agonista do receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida atua em dois receptores: GIP e GLP-1.
De maneira simplificada, as duas medicações ajudam a controlar o apetite, aumentam a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento do estômago, além de melhorar o controle da glicose. A tirzepatida acrescenta a ação sobre o GIP, o que amplia a atuação metabólica da medicação.
Não se trata simplesmente de definir uma medicação como “mais forte” ou “mais fraca”. São mecanismos diferentes, e a resposta pode variar de uma pessoa para outra. A escolha precisa considerar o quadro clínico, os objetivos do tratamento, as doenças associadas e a tolerabilidade.
Os estudos comparativos mais recentes mostram uma perda de peso média maior com a tirzepatida em comparação com a semaglutida, embora os resultados individuais possam variar.
Isso acontece porque a tirzepatida atua simultaneamente nas vias do GLP-1 e do GIP. Em estudos clínicos, essa combinação apresentou uma redução de peso corporal superior à observada com semaglutida em determinadas populações.
É importante, porém, considerar que o resultado de um estudo clínico representa uma média populacional, e não uma previsão para um paciente específico. Na prática, também precisam ser avaliados adesão, alimentação, atividade física, sono, composição corporal, efeitos adversos e presença de outras doenças.
O objetivo do tratamento não deve ser simplesmente atingir o menor número possível na balança, mas promover uma perda de gordura clinicamente relevante e sustentável, preservando o máximo possível de massa muscular e melhorando a saúde metabólica.
Não existe uma regra simples dizendo que semaglutida é para um tipo de paciente e tirzepatida para outro. A indicação precisa ser individualizada.
Rafael Suhett, médico endocrinologista
source https://boaforma.abril.com.br/coluna/boa-forma-responde/semaglutida-tirzepatida-diferencas/
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