Quem corre, pedala ou pratica esportes de resistência provavelmente já ouviu falar em VO₂ máximo. Mas esse indicador da capacidade cardiorrespiratória está longe de interessar apenas a atletas.
Afinal, também faz diferença para subir escadas, caminhar em ritmo acelerado, enfrentar uma ladeira e realizar outras atividades do cotidiano sem se cansar excessivamente.
E essa capacidade se torna ainda mais relevante quando o assunto é envelhecimento saudável e preservação da autonomia com o passar dos anos.
“Quando falamos em VO₂ máximo, muita gente pensa imediatamente em corrida, ciclismo ou esporte de alta performance. Mas ele também nos ajuda a compreender a capacidade do organismo de responder a uma demanda física. Isso tem implicações que vão muito além do desempenho esportivo, principalmente quando pensamos em manutenção da funcionalidade ao longo da vida”, explica Cida Mariosa, nutricionista gestora do Núcleo de Nutrição da Biotec.
Entenda por que esse indicador merece atenção
Segundo a especialista, o VO₂ máximo representa a quantidade máxima de oxigênio que o organismo consegue utilizar durante um esforço intenso. Por isso, é considerado um dos principais indicadores da capacidade aeróbica.
“Esse processo depende de diferentes sistemas. Pulmões, coração e circulação precisam garantir a chegada de oxigênio aos tecidos, enquanto os músculos devem ser capazes de utilizá-lo de maneira eficiente para produzir energia. Nesse ponto, as mitocôndrias têm papel central, já que são responsáveis pela produção de ATP, fonte de energia das células. Nos músculos, essa energia sustenta processos como contração, resistência, recuperação e adaptação ao exercício”, detalha a nutricionista Luisa Wolpe Simas, consultora de nutrição da Biotec.
Mas, com o envelhecimento, essa eficiência tende a diminuir, já que o organismo passa por mudanças que afetam a produção de energia nos músculos. Como consequência, pode haver redução do desempenho físico e maior sensação de fadiga.
“É justamente por isso que preservar a capacidade aeróbica ganha importância quando se fala em longevidade. Não se trata apenas de conseguir treinar melhor, mas de manter disposição, autonomia e capacidade funcional para realizar as atividades do cotidiano”, acrescenta Luisa.
Como melhorá-lo?
A boa notícia é que o VO₂ máximo não é um parâmetro totalmente fixo e pode ser modulado, visando tanto a melhora da performance quanto um envelhecimento saudável.
Entre as estratégias que ajudam a melhorar esse indicador se destaca a prática regular de exercícios físicos, justamente por desafiar o sistema cardiorrespiratório e estimular adaptações que tornam o organismo mais eficiente no uso do oxigênio.
“O exercício é o principal estímulo para aumentar a capacidade aeróbica. Com treinamento regular e progressivo, o organismo desenvolve adaptações cardiovasculares e musculares que favorecem uma utilização mais eficiente do oxigênio”, pontua Cida Mariosa.
Mas o treinamento não atua sozinho. Recuperação adequada, alimentação equilibrada e bom aporte de nutrientes também são importantes para oferecer ao organismo as condições necessárias para produzir energia, reparar os músculos e se adaptar aos estímulos físicos.
Mais recentemente, a suplementação também tem se destacado como uma estratégia complementar à prática de exercícios, com evidências dos seus efeitos sobre o VO₂ máximo.
Mais do que ajudar a correr mais rápido ou sustentar treinos intensos, acompanhar o VO₂ máximo pode oferecer informações sobre a forma como o organismo responde aos esforços e ajudar a compreender a capacidade funcional ao longo dos anos.
“Quando pensamos em longevidade, o objetivo não é apenas viver mais, mas chegar às próximas décadas mantendo disposição, mobilidade e independência. E o VO₂ máximo tem se destacado como uma peça importante desse quebra-cabeça. Melhorá-lo passa por manter o corpo ativo e oferecer condições adequadas para que ele se adapte à demanda física ao longo da vida, com alimentação equilibrada, recuperação adequada e, quando bem indicadas, estratégias complementares como a suplementação. É um cuidado integrado”, finaliza Luisa Wolpe Simas.
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source https://boaforma.abril.com.br/movimento/vo2-maximo-por-que-merece-atencao/
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