Quando o assunto é refrigerante zero, na dieta, em uma alimentação equilibrada, as opiniões são diversas. De um lado, há quem considere a bebida incompatível com uma dieta saudável; de outro, consumidores que acreditam que, por não conter açúcar, ela pode ser consumida livremente.
No meio desse debate, uma questão é importante para quem busca emagrecimento ou simplesmente melhorar a alimentação: afinal, o refrigerante zero pode fazer parte da dieta?
Para o nutricionista Thyago Nishino, a resposta depende do contexto alimentar como um todo.
“Não precisamos tratar o refrigerante zero como um alimento proibido, mas também não devemos colocá-lo na categoria de bebida saudável. Para algumas pessoas, ele pode ser incluído dentro de uma alimentação equilibrada, principalmente como uma alternativa ao refrigerante tradicional, mas isso não significa que possa substituir a água ou que seu consumo deva ser ilimitado”, explica.
Um dos principais mitos é a ideia de que o refrigerante zero, por não conter açúcar, necessariamente atrapalha o emagrecimento. Na prática, a ausência de açúcar e a consequente redução de calorias podem fazer com que a bebida seja uma alternativa ao refrigerante convencional para quem gosta do sabor e está buscando controlar a ingestão calórica.
“Quando pensamos em emagrecimento, precisamos olhar para o conjunto da alimentação e para o balanço energético. Trocar um refrigerante açucarado por uma versão sem açúcar pode reduzir a ingestão de calorias, mas isso não significa que o refrigerante zero, sozinho, provoque emagrecimento”, afirma Thyago.
E os adoçantes que estão entre os ingredientes dos refrigerantes?
Outro questionamento frequente envolve os adoçantes utilizados nas versões sem açúcar. Para o nutricionista, o debate não deve ser baseado em uma lógica de “produto bom” ou “produto ruim”, mas no padrão de consumo.
“Existe uma diferença entre consumir eventualmente uma bebida com adoçantes e construir uma alimentação baseada em produtos ultraprocessados. O contexto, a frequência e a quantidade importam muito mais do que transformar um único alimento em vilão”, destaca.
Também é mito dizer que quem está de dieta precisa eliminar completamente o refrigerante zero. A restrição absoluta pode, inclusive, tornar a alimentação mais difícil de sustentar para algumas pessoas.
“Uma dieta não precisa ser perfeita para funcionar. Se a pessoa gosta de refrigerante zero e consegue incluí-lo sem substituir alimentos importantes ou comprometer sua hidratação, não vejo sentido em criar uma proibição automática. O mais importante é avaliar como esse consumo se encaixa na rotina”, pontua o nutricionista.
Dizer que o refrigerante zero é “liberado” porque não possui açúcar também é um erro
A bebida continua sendo uma opção de consumo eventual e não oferece os mesmos benefícios nutricionais de alimentos e bebidas que contribuem com nutrientes importantes.
“Não ter açúcar não transforma o produto em fonte de nutrientes. Água, leite, frutas e outras opções podem ter um papel nutricional que o refrigerante zero não tem. Por isso, ele deve ocupar um espaço complementar, e não central na alimentação”, explica Thyago.
Não adianta, água é o essencial
A hidratação é outro ponto que merece atenção. Embora o refrigerante zero contenha água em sua composição, ele não deve ser utilizado como principal estratégia de hidratação ao longo do dia.
“A água deve continuar sendo a principal bebida da rotina. Se a pessoa só consegue beber líquidos quando eles têm sabor, podemos pensar em estratégias para aumentar o consumo de água, como água com gás, frutas ou outras alternativas. O refrigerante zero pode aparecer, mas não deveria ser a base da hidratação”, afirma.
Não confunda versão sem açúcar com equilíbrio na alimentação
Outro mito comum é acreditar que consumir uma versão sem açúcar permite compensar outros excessos. Para Thyago, essa lógica pode levar a uma falsa sensação de equilíbrio. “Não adianta escolher um refrigerante zero e, ao mesmo tempo, manter uma alimentação com excesso de calorias, baixa ingestão de fibras, poucas frutas e verduras e pouca variedade. A qualidade da dieta é determinada pelo conjunto, não por um único produto”, alerta.
Para quem deseja incluir a bebida, o nutricionista recomenda atenção principalmente à frequência e ao contexto.
“Se a pessoa toma ocasionalmente, gosta do produto e isso não interfere na alimentação, não há necessidade de transformar esse consumo em uma fonte de culpa. O problema é quando o refrigerante começa a ocupar o espaço da água ou de outras bebidas e alimentos importantes, ou quando o consumo se torna excessivo”, ressalta.
A principal mensagem, segundo Thyago Nishino, é abandonar tanto o terrorismo nutricional quanto a ideia de que qualquer produto sem açúcar está automaticamente liberado. “Refrigerante zero pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, assim como outros alimentos e bebidas que não precisam ser classificados como proibidos. O objetivo de uma dieta sustentável não é eliminar tudo o que não é considerado perfeito, mas construir uma rotina que tenha qualidade, equilíbrio e que a pessoa consiga manter no longo prazo”, conclui.
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source https://boaforma.abril.com.br/alimentacao/refrigerante-zero-dieta-mito-verdade/
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