domingo, 13 de setembro de 2026

Ovo ajuda a ganhar músculo?

O ovo é uma boa fonte de proteína, nutriente essencial para a construção e a reparação dos músculos. Quando associado ao treinamento de força e a uma alimentação adequada, pode contribuir para o processo de hipertrofia.

A proteína do ovo tem alto valor biológico e fornece todos os aminoácidos essenciais que o organismo precisa. Além disso, é uma fonte prática e versátil desse nutriente, podendo fazer parte de diferentes refeições ao longo do dia.

Ovo ajuda a ganhar músculo?

O ovo é uma excelente fonte de proteína, mas sozinho não garante hipertrofia. O ganho de massa muscular depende de um conjunto: treinamento adequado, proteínas em quantidade suficiente, carboidratos para fornecer energia, gorduras boas, vitaminas, minerais e calorias compatíveis com o objetivo.

Uma alimentação equilibrada é fundamental para oferecer ao organismo os nutrientes necessários para construir e preservar massa muscular.

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Existe uma quantidade de ovos por dia ideal para ganho de massa?

Não existe uma quantidade universal. A necessidade depende da ingestão total de proteínas, do peso, da rotina de treinos e da alimentação de cada pessoa. Por isso, o ideal é avaliar o contexto individual em vez de estabelecer um número fixo de ovos por dia.

Comer ovo no pré ou no pós-treino faz diferença?

Mais importante do que consumir o ovo exatamente antes ou depois do treino é garantir uma ingestão adequada de proteínas ao longo do dia. No pós-treino, por exemplo, uma refeição com proteína e carboidrato pode favorecer a recuperação muscular e a reposição de energia.

Respondido por:

Mariane Alves, nutricionista

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Qualidade ou quantidade de proteína? O que é mais importante?

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source https://boaforma.abril.com.br/coluna/boa-forma-responde/ovo-ajuda-a-ganhar-musculo/

sábado, 12 de setembro de 2026

TPM pode afetar o desempenho no treino?

Para muitas mulheres, os dias que antecedem a menstruação vêm acompanhados de uma combinação conhecida: irritabilidade, cansaço, alterações no sono, aumento do apetite, inchaço e sensação de menor disposição.

E, quando a TPM coincide com a rotina de exercícios, é comum perceber que aquele treino que normalmente parece fácil pode exigir um pouco mais de esforço.

Isso não significa, porém, que exista uma regra de que a mulher precise diminuir a intensidade ou interromper os exercícios durante essa fase. O impacto do ciclo menstrual sobre o desempenho pode variar bastante de uma pessoa para outra e até de um ciclo para o outro.

Segundo a ginecologista Dra. Ana Paula Fonseca, as oscilações hormonais ao longo do ciclo podem interferir em diferentes aspectos relacionados à prática esportiva.

“Durante o ciclo menstrual, principalmente na fase pré-menstrual, acontecem alterações nos níveis de estrogênio e progesterona que podem influenciar sono, temperatura corporal, retenção de líquidos, apetite e também a percepção de esforço. Por isso, algumas mulheres podem sentir que estão menos dispostas ou que o treino está mais difícil naquele período”, explica.

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O que muda na TPM?

A TPM acontece na fase final do ciclo menstrual, após a ovulação e antes da menstruação. Nesse período, as oscilações hormonais podem estar associadas a sintomas físicos e emocionais que acabam repercutindo indiretamente na atividade física.

Um dos fatores é a retenção de líquidos. O aumento do inchaço pode provocar sensação de peso e desconforto durante o exercício. Também podem ocorrer alterações no sono, o que, por sua vez, interfere na recuperação muscular e na disposição para treinar.

“Não é apenas uma questão de hormônios isoladamente. Precisamos considerar o conjunto de sintomas. Uma mulher que está dormindo pior, com mais cólicas, sensação de inchaço, alterações de humor ou maior fadiga pode perceber uma queda no rendimento, ainda que sua capacidade física não tenha necessariamente diminuído”, afirma Ana Paula.

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O aumento do apetite também pode aparecer nessa fase. De acordo com a médica, reconhecer essa mudança sem tratá-la como falta de disciplina é importante para manter uma relação saudável com alimentação e exercício.

É preciso diminuir a carga do treino?

Não necessariamente.

A resposta depende principalmente de como a mulher está se sentindo. Para quem apresenta poucos sintomas, não há motivo para reduzir automaticamente a intensidade dos exercícios apenas porque está na TPM.

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“Não existe uma recomendação universal de que toda mulher deva treinar menos durante a TPM. Se ela está bem, sem sintomas importantes e tem disposição, pode manter sua rotina normalmente. O mais importante é observar os sinais do próprio corpo”, orienta a ginecologista.

Por outro lado, se os sintomas forem intensos, adaptar o treino pode ser uma estratégia mais inteligente do que insistir em uma determinada performance.

Em vez de abandonar completamente a atividade física, algumas mulheres podem se beneficiar de reduzir temporariamente a carga, diminuir o volume do treino ou escolher atividades de menor impacto, como caminhada, mobilidade, alongamento ou exercícios aeróbicos leves.

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“A adaptação não significa que a mulher esteja regredindo ou perdendo condicionamento. Em determinados dias, respeitar a recuperação também faz parte de um programa de treinamento bem estruturado”, destaca.

E treinar durante a menstruação?

A chegada da menstruação também não significa, por si só, que os exercícios precisam ser interrompidos. Algumas mulheres relatam melhora de sintomas como inchaço e cólicas após a prática de atividade física.

Além disso, manter-se ativa ao longo do ciclo pode contribuir para o bem-estar e para a saúde de maneira geral. Para a médica, o ponto principal é abandonar a ideia de que existe uma única forma correta de treinar em cada fase do ciclo.

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É interessante conhecer o próprio ciclo e perceber padrões. Algumas mulheres vão notar queda de disposição antes da menstruação; outras não percebem diferença significativa no desempenho. O acompanhamento individual é muito mais importante do que seguir uma regra rígida baseada apenas na fase do ciclo”, explica Ana Paula.

Vale acompanhar o ciclo para ajustar os treinos?

Para quem percebe alterações recorrentes no rendimento, registrar sintomas ao longo dos meses pode ser uma ferramenta útil. Anotar informações como qualidade do sono, disposição, fome, sintomas de TPM, intensidade do treino e percepção de esforço ajuda a identificar padrões.

Esse acompanhamento também pode ser interessante para profissionais de educação física e médicos, principalmente quando os sintomas interferem significativamente na rotina.

“Quando a mulher percebe que todos os meses apresenta sintomas muito intensos e que eles estão prejudicando o treino, o trabalho, o sono ou a qualidade de vida, vale procurar avaliação médica. TPM não deve ser encarada como algo que a mulher simplesmente precisa suportar”, ressalta a ginecologista.

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Exercício ajuda nos sintomas da TPM?

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source https://boaforma.abril.com.br/equilibrio/tpm-afeta-desempenho-treino/

Exercício físico faz músculo liberar moléculas que controlam sinais inflamatórios produzidos pela gordura

Fazer exercício não significa apenas gastar calorias, aumentar a frequência cardíaca ou fortalecer os músculos. Durante a atividade física, o organismo também entra em uma espécie de “conversa química” entre diferentes tecidos.

O músculo em movimento passa a liberar moléculas capazes de enviar sinais para outras células e órgãos, contribuindo para adaptações metabólicas, cardiovasculares e imunológicas.

“Entre essas substâncias estão as miocinas, moléculas produzidas pelas fibras musculares, e as chamadas exercinas, termo mais amplo utilizado para designar moléculas sinalizadoras liberadas por diferentes tecidos em resposta ao exercício. Elas ajudam a explicar, em nível molecular, por que a atividade física regular produz efeitos que não ficam restritos ao músculo que está sendo exercitado”, conta a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

“Durante o exercício, o músculo libera substâncias que atuam localmente (ação autócrina), em células próximas (ação parácrina), e outras que chegam à circulação e podem influenciar tecidos distantes (ação endócrina). É uma das formas pelas quais conseguimos entender os efeitos sistêmicos do exercício”, completa a médica.

A importância desse mecanismo fica ainda mais interessante quando se observa o tecido adiposo.

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“A gordura corporal não é apenas um depósito de energia. O tecido adiposo funciona também como um órgão metabolicamente ativo, capaz de produzir e liberar uma série de moléculas chamadas adipocinas, que participam da regulação do metabolismo, do sistema imunológico e de processos inflamatórios.

Em situações como o sobrepeso e a obesidade, principalmente quando existe excesso de gordura visceral, ocorre uma alteração nesse funcionamento.

Exercício físico faz músculo liberar moléculas que controlam sinais inflamatórios produzidos pela gordura

O tecido adiposo pode apresentar maior produção de sinais pró-inflamatórios e contribuir para um estado inflamatório crônico de baixa intensidade associado a alterações metabólicas.

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“É nesse cenário que as moléculas liberadas pelo músculo durante o exercício ganham importância. Algumas miocinas participam da comunicação entre o músculo, o tecido adiposo e outros órgãos, modulando respostas metabólicas e imunológicas. Não devemos imaginar que exista uma molécula do músculo que simplesmente ‘desligue’ a inflamação produzida pela gordura. O que existe é uma rede de comunicação entre os tecidos. O exercício modifica essa rede e pode favorecer sinais associados a uma resposta metabólica e imunológica mais equilibrada”, diz a Dra. Marcella Garcez.

Entre os mediadores associados à resposta ao exercício estão a interleucina-10 (IL-10) e o antagonista do receptor da interleucina-1 (IL-1RA), que participam da regulação da resposta inflamatória.

“O exercício também pode estimular a liberação de formas solúveis de receptores relacionados ao TNF, capazes de modular a atividade dessa citocina. Estudos recentes reforçam que diferentes tipos de exercício alteram a concentração de diversas miocinas, embora magnitude e duração dessas respostas dependam do tipo, intensidade e duração da atividade”, comenta a médica.

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Outro fenômeno importante ajuda a explicar por que o exercício, apesar de representar um estresse fisiológico para o organismo, pode produzir efeitos protetores quando praticado de maneira adequada.

“Durante a atividade física, especialmente quando a demanda energética aumenta, o metabolismo celular eleva a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS). Em excesso, essas moléculas podem contribuir para o estresse oxidativo. Porém, em quantidades controladas, elas também funcionam como sinais que informam às células que é necessário aumentar sua capacidade de adaptação.”

“É um princípio conhecido como hormese: uma dose controlada de um determinado estressor pode desencadear uma resposta adaptativa que torna o organismo mais preparado para lidar com aquele estímulo no futuro. No exercício, isso inclui o aumento da capacidade dos sistemas antioxidantes endógenos”, completa a Dra. Marcella Garcez.

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É importante entender que o aumento transitório de espécies reativas de oxigênio durante o exercício não significa necessariamente que estamos fazendo mal ao organismo.

Elas também participam da sinalização que desencadeia adaptações. Com a prática regular, o corpo aprimora seus mecanismos de defesa antioxidante e passa a lidar melhor com esse desafio.

Além da queima de calorias

Por isso, a especialista reforça que o exercício não deve ser entendido como uma simples estratégia para “queimar calorias”.

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“Ele provoca uma série de respostas fisiológicas que envolvem metabolismo energético, vasos sanguíneos, músculos, tecido adiposo, sistema imunológico e comunicação entre diferentes órgãos”, diz. É justamente para reunir essa diversidade de respostas que ganhou força o termo ‘exercinas’.

“Diferentemente de ‘miocinas’, que se refere especificamente às moléculas produzidas pelo músculo, as exercinas correspondem a um conceito mais abrangente para moléculas sinalizadoras produzidas em resposta à atividade física. Elas podem incluir citocinas, peptídeos, metabólitos, lipídios, fatores de crescimento e outras moléculas. Isso significa que o benefício do exercício não depende de uma única substância ou de um único órgão. Trata-se de uma comunicação integrada entre diferentes tecidos”, reforça a médica nutróloga.

“O conceito de exercinas é interessante justamente porque mostra que o exercício funciona como um estímulo sistêmico. O músculo conversa com o tecido adiposo, o sistema cardiovascular e outros órgãos por meio de diferentes sinais químicos. É como se cada sessão de exercício provocasse uma pequena reorganização dessa comunicação interna”, afirma a médica.

Sobre a dose mínima para conquistar os benefícios, a médica lembra da indicação da Organização Mundial de Saúde para realização de, pelo menos, 150 minutos de atividade física por semana.

“Pode ser uma caminhada, corrida, mas de preferência intercalada com treino de força, para que existam estímulos diferentes beneficiando o organismo”, finaliza e Dra. Marcella Garcez.

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